– Se não me assustasse, eu seria um perfeito idiota. – Bronn encolheu os ombros. – Pode ser que conseguisse derrotá-lo. Dançar em volta dele até ele ficar tão cansado de tentar me atingir que já não conseguisse erguer a espada. Arranjar alguma maneira de desequilibrá-lo. Quando estão caídos de costas, não importa a altura que têm. Mesmo assim, é um risco. Um tropeção, e estou morto. Por que haveria de arriscar? Gosto bastante de você, por mais feio e pequeno filho da puta que seja... mas se travar a sua batalha, perco seja qual for o resultado. Ou a Montanha arranca minhas tripas, ou o mato e perco Stokeworth. Eu vendo a minha espada, não a dou. Não sou seu irmão.

– Não – disse tristemente Tyrion. – Não é. – Fez um gesto com uma mão. – Então vá embora. Corra para Stokeworth e para a Senhora Lollys. Que encontre mais alegrias na sua cama de homem casado do que eu encontrei na minha.

Bronn hesitou à porta.

– O que vai fazer, Duende?

– Matar Gregor pessoalmente. Não se faria uma alegre canção com isso?

– Espero ouvir cantá-la. – Bronn sorriu uma última vez e saiu do castelo e da sua vida.

Pod arrastou os pés.

– Lamento.

– Por quê? É culpa sua que Bronn seja um patife insolente de coração negro? Ele sempre foi um patife insolente de coração negro. Era isso que me agradava nele. – Tyrion serviu-se de uma taça de vinho e levou-a para o banco de janela. Lá fora o dia estava cinzento e chuvoso, mesmo assim ainda oferecia melhores perspectivas do que as suas. Supunha que podia enviar Podrick Payne em busca de Shagga, mas havia tantos esconderijos nas profundezas da mata do rei que era frequente os fora da lei levarem décadas até serem capturados. E às vezes Pod tinha dificuldade em encontrar as cozinhas quando o mandava lá embaixo buscar queijo. Timett, filho de Timett estava provavelmente de volta às Montanhas da Lua a essa altura. E apesar do que tinha dito a Bronn, enfrentar Sor Gregor Clegane em pessoa seria uma farsa ainda maior do que os anões lutadores de Joffrey. Não pretendia morrer com rajadas de gargalhadas ressoando aos seus ouvidos. E lá se foi o julgamento por combate.

Sor Kevan fez-lhe outra visita mais tarde nesse dia, e mais uma no dia seguinte. O tio informou-o polidamente de que Sansa não havia sido encontrada. E nem o bobo Sor Dontos, que tinha desaparecido na mesma noite. Desejaria Tyrion convocar mais testemunhas? Não desejava. Como vou provar que não envenenei o vinho, quando mil pessoas me viram encher a taça de Joff?

Não pregou o olho naquela noite.

Em vez de dormir ficou deitado no escuro, fitando o dossel e contando os seus fantasmas. Viu Tysha sorrindo enquanto o beijava, viu Sansa nua e tremendo de medo. Viu Joffrey arranhando a garganta, com o sangue escorrendo pelo pescoço enquanto o rosto enegrecia. Viu os olhos de Cersei, o sorriso lupino de Bronn, o sorriso malvado de Shae. Nem mesmo pensar em Shae conseguiu animá-lo. Acariciou-se, pensando que se acordasse o pau e o satisfizesse, talvez depois conseguisse descansar mais facilmente, mas de nada serviu.

E então chegou a alvorada, e a hora de seu julgamento começar.

Não foi Sor Kevan que veio buscá-lo naquela manhã, mas Sor Addam Marbrand com uma dúzia de homens de manto dourado. Tyrion tinha quebrado o jejum com ovos cozidos, bacon queimado e pão frito, e vestiu a sua melhor roupa.

– Sor Addam – disse. – Achei que meu pai enviaria a Guarda Real para me escoltar até o julgamento. Ainda sou um membro da família real, não sou?

– É, senhor, mas temo que a maior parte da Guarda Real seja testemunha contra o senhor. Lorde Tywin considerou que não seria próprio servirem como seus guardas.

– Os deuses não permitam que façamos algo de impróprio. Por favor, vá à frente.

O julgamento teria lugar na sala do trono, onde Joffrey tinha morrido. Quando Sor Addam o escoltou através das altas portas de bronze e pelo longo tapete, sentiu os olhos postos nele. Centenas de pessoas tinham se aglomerado dentro da sala para vê-lo julgado. Pelo menos esperava que tivesse sido por isso que tinham vindo. Pelo que sei, são todos testemunhas contra mim. Viu a Rainha Margaery na galeria, pálida e bela no seu luto. Duas vezes casada, duas vezes viúva, e só dezesseis anos. A mãe estava em pé, alta, de um dos lados, e a avó, baixa, do outro, com as damas de companhia e os cavaleiros do pai amontoados no resto da galeria.

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