– Bem,
Jon engoliu a ira.
– Não abandonei ninguém. Deixei o Punho na companhia de Qhorin Meia-Mão para bater o Passo dos Guinchos. Juntei-me aos selvagens sob ordens. Meia-Mão temia que Mance pudesse ter encontrado o Berrante do Inverno...
– O Berrante do Inverno? – Sor Alliser soltou um risinho. – Também lhe foi ordenado que contasse os
– Não, mas contei os seus
–
– Não. – O luto de Jon por Ygritte estava fresco demais para negá-la agora. – Não, senhor.
– Suponho que também tenha sido o Meia-Mão que ordenou que fodesse essa puta suja? – perguntou Sor Alliser com um sorriso afetado.
–
– Então admite que quebrou os seus votos – disse Janos Slynt.
Jon sabia que metade dos homens de Castelo Negro visitavam Vila Toupeira de tempos em tempos para escavar em busca de tesouros enterrados no bordel, mas não desonraria Ygritte igualando-a às prostitutas de Vila Toupeira.
– Quebrei os meus votos com uma mulher. Isso admito. Sim.
– Sim,
– Sim, senhor – disse Jon. – Cavalguei com os selvagens e comi com eles, como o Meia-Mão me ordenou que fizesse, e partilhei as peles com Ygritte. Mas juro-lhe que nunca virei a casaca. Fugi do Magnar assim que pude, e nunca levantei armas contra os meus irmãos ou o reino.
Os pequenos olhos de Lorde Slynt estudaram-no.
– Sor Glendon – ordenou. – Traga o outro prisioneiro.
Sor Glendon era o homem alto que tinha arrancado Jon da cama. Mais quatro homens acompanharam-no quando saiu da sala, mas retornaram pouco depois com um cativo, um homem pequeno, pálido, maltratado e de mãos e pés agrilhoados. Tinha as sobrancelhas unidas, o cabelo muito recuado nas têmporas e um bigode que parecia uma mancha de sujeira no lábio superior, mas o rosto estava inchado e manchado de hematomas, e tinha perdido a maior parte dos dentes da frente.
Os homens de Atalaialeste atiraram rudemente o cativo ao chão. Lorde Slynt olhou-o, de testa franzida.
– É este aquele de quem falou?
O cativo piscou olhos amarelos.
– É. – Foi só nesse instante que Jon reconheceu o Camisa de Chocalho.
– E então? – perguntou Janos Slynt a Jon num tom duro. –Você nega? Ou irá dizer que Qhorin o ordenou que o matasse?
– Ele disse-me... – As palavras custaram a vir. – Ele disse-me para fazer
Slynt olhou em volta do aposento privado, para os outros homens de Atalaialeste.
– Será que este rapaz pensa que eu caí de cabeça em uma carroça de nabos?
– Suas mentiras não vão salvá-lo agora, Lorde Snow – preveniu Sor Alliser Thorne. – Obteremos de você a verdade, bastardo.
– Eu disse-lhe a verdade. Nossos garranos estavam fraquejando, e o Camisa de Chocalho estava próximo. Qhorin disse-me para fingir que estava me juntando aos selvagens. “Não pode se recusar, não importa o que lhe seja solicitado”, disse ele. Qhorin sabia que iam me obrigar a matá-lo. Camisa de Chocalho ia matá-lo de qualquer forma, e ele também sabia disso.
– Então agora diz que o grande Qhorin Meia-Mão temia
– Todos os homens temem o Senhor dos Ossos – resmungou o selvagem. Sor Glendon chutou-o e ele calou-se.
– Eu não disse isso – insistiu Jon.
Slynt bateu o punho contra a mesa.