A própria Cersei parecia quase uma criança ao lado de Sor Gregor. Em sua armadura, a Montanha parecia maior do que qualquer homem tinha direito a ser. Sob um longo sobretudo amarelo ostentando os três cães negros de Clegane, usava armadura pesada por cima de cota de malha, com o baço aço cinza amassado e riscado em batalha. Por baixo daquilo haveria couro fervido e uma camada almofadada. Um elmo de topo chato estava afivelado ao seu gorjal, com buracos para respirar em volta da boca e do nariz e uma estreita ranhura para ver. A figura no topo do elmo era um punho de pedra.

Se Sor Gregor sofria com seus ferimentos, Tyrion não via sinal disso desde o outro lado do pátio. Ele, ali em pé, parece ter sido esculpido em pedra. A espada estava espetada no chão à sua frente, um metro e oitenta de metal marcado. As enormes mãos de Sor Gregor, revestidas por manoplas articuladas de aço, seguravam no guarda-mão de ambos os lados do cabo. Até a amante do Príncipe Oberyn empalideceu ao vê-lo.

– Vai lutar com aquilo? – disse Ellaria Sand num tom segredado.

– Vou matar aquilo – respondeu descuidadamente o seu amante.

Tyrion tinha suas próprias dúvidas, agora que se encontravam à beira do combate. Quando olhou para o Príncipe Oberyn viu-se desejando ter Bronn para defendê-lo... ou melhor ainda, Jaime. A Víbora Vermelha tinha uma armadura leve; grevas, braçais, gorjal, espaldar e braguilha de aço. Fora isso, Oberyn vestia couro flexível e sedas esvoaçantes. Sobre a cota de malha usava as suas escamas brilhantes de cobre, mas cota de malha e escamas, em conjunto, não lhe dariam um quarto da proteção da placa pesada de Gregor. Com a viseira removida, o elmo do príncipe não passava efetivamente de um meio-elmo, faltando-lhe até uma proteção para o nariz. Seu escudo redondo de aço era brilhantemente polido, e ostentava o sol e a lança em ouro vermelho, ouro amarelo, ouro branco e cobre.

Dançar em volta dele até ficar tão cansado que mal consiga erguer o braço, e depois derrubá-lo de costas. A Víbora Vermelha parecia ter a mesma ideia de Bronn. Mas o mercenário não tivera rodeios quanto ao risco dessa tática. Espero, com os sete infernos, que saiba o que está fazendo, serpente.

Tinham erigido uma plataforma ao lado da Torre da Mão, a meio caminho entre os dois campeões. Era aí que se sentava Lorde Tywin com o irmão, Sor Kevan. O Rei Tommen não estava visível; pelo menos por isso Tyrion sentia-se grato.

Lorde Tywin deu um breve relance ao seu filho anão, e então levantou a mão. Uma dúzia de trombeteiros soprou uma fanfarra para aquietar a multidão. O Alto Septão avançou com passinhos curtos e sua grande coroa de cristal e rezou para que o Pai no Céu os ajudasse naquele julgamento e para que o Guerreiro emprestasse a sua força ao braço do homem cuja causa era justa. Esse sou eu, quase gritou Tyrion, mas eles iriam apenas rir, e estava mortalmente farto de risos.

Sor Osmund Kettleblack trouxe a Clegane o seu escudo, uma coisa enorme de pesado carvalho reforçado com ferro negro. Enquanto a Montanha enfiava o braço esquerdo nas correias, Tyrion viu que outro símbolo havia sido pintado por cima dos cães de Clegane. Naquela manhã, Sor Gregor usava a estrela de sete pontas que os ândalos tinham trazido para Westeros quando cruzaram o mar estreito e esmagaram os Primeiros Homens e os seus deuses. Muito pio da sua parte, Cersei, mas duvido que os deuses se deixem impressionar.

Havia cinquenta metros entre os dois. O Príncipe Oberyn avançou rapidamente, Sor Gregor de um modo mais agourento. O chão não treme quando ele caminha, disse Tyrion a si mesmo. Isso é só o meu coração batendo. Quando os dois homens chegaram a uma distância de dez metros, a Víbora Vermelha parou e gritou:

– Disseram-lhe quem eu sou?

Sor Gregor soltou um grunhido através dos buracos para respirar.

– Um morto qualquer. – E avançou, inexorável.

O dornês deslizou para o lado.

– Sou Oberyn Martell, um príncipe de Dorne – disse, enquanto a Montanha se virava para mantê-lo no seu campo de visão. – A Princesa Elia era minha irmã.

– Quem? – perguntou Gregor Clegane.

A longa lança de Oberyn saltou numa estocada, mas Sor Gregor parou a ponta dela com o escudo, empurrou-a para o lado, e investiu contra o príncipe, com a grande espada a relampejar. O dornês rodopiou para longe, intocado. A lança saltou em frente. Clegane golpeou-a com a espada, Martell puxou-a, após o que voltou a atirá-la em frente. Metal guinchou contra metal quando a ponta da espada deslizou no peito da Montanha, cortando o sobretudo e deixando um longo arranhão brilhante no aço que se encontrava por baixo.

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