Os fósforos de segurança, uma recente patente sueca, eram em geral trancados, por serem muito procurados. Assim, tinham venda fácil e o hábito de furta-los às vezes os faziam desaparecer. Os pequenos furtos eram endêmicos na Ásia. Apreensiva, Ah Tok usou um fósforo, sem entender por que não acendiam se não fossem riscados no lado da caixa. Malcolm explicara o motivo, mas ela se limitara a murmurar que se tratava de mais uma magia diabólica dos estrangeiros.
— Onde você quer a vela, meu filho?
Ele apontou para a mesinha-de-cabeceira, ao seu fácil alcance.
— Aqui. E agora me deixe sozinho por algum tempo.
— Mas precisamos conversar. Há muito o que planejar.
— Sei disso. Espere do outro lado da porta e não deixe ninguém entrar até eu chamar.
Resmungando, Ah Tok saiu. Struan ficara exausto, da terrível notícia e de tanta conversa. Mesmo assim, sentindo alguma dor, ajeitou a vela no lado da cama e depois recostou-se por um momento.
Quatro anos antes, ao completar dezesseis anos, a mãe o levara ao Peak para uma conversa particular.
— Agora você já tem idade suficiente para aprender alguns segredos da Casa Nobre. Sempre haverá segredos. Seu pai e eu guardaremos alguns de você até que se torne
— Eu juro, mãe.
— Primeiro: talvez um dia precisemos transmitir um ao outro uma informação pessoal ou perigosa numa carta particular... nunca se esqueça de que qualquer coisa por escrito pode ser lida por olhos estranhos. Sempre que eu escrever para você, acrescentarei “
Levantando o papel que preparara, ela acendera alguns fósforos de segurança e os aproximara por baixo, não para queimá-lo, mas apenas chamuscá-lo, linha por linha. Milagrosamente, a mensagem oculta aparecera:
— Oh, mãe, está mesmo lá? Há dez mil libras debaixo do meu travesseiro?
— Há, sim.
— Viva! Mas como consegue fazer isso? A escrita?
— Pegue uma pena limpa, escreva sua mensagem com todo cuidado usando um líquido que vou lhe dar ou com leite, e deixe secar. Quando esquentar o papel, como eu fiz, a escrita vai aparecer.
Ela acendera outro fósforo e ateara fogo ao canto do papel. Em silêncio, observaram-no queimar. A mãe desmanchara as cinzas com a ponta da bota de Cano alto e acrescentara, numa estranha advertência:
— Quando for o
Agora, Struan suspendeu a triste carta da mãe sobre a chama da vela. a palavras apareceram, e era fácil reconhecer sua letra:
Por um momento, Malcolm parou de ler, tremendo de raiva. Muito em breve haverá um acerto de contas, ele prometeu a si mesmo, e depois continuou a ler:
O coração de Malcolm se contraiu em súbito medo.