Uma pequena porta lateral levava ao corredor pintado de branco, no qual as três portas se abriam. Holmes recusou examinar o terceiro quarto, então fomos diretamente ao segundo, aquele em que a Srta. Stoner estava dormindo atualmente e em que sua irmã falecera. Era um quarto pequeno e modesto, com o teto baixo e uma lareira aberta, à maneira das velhas casas de campo. Em um canto, uma cômoda escura, uma cama coberta de branco em outra parede e uma penteadeira à esquerda da janela eram toda a mobília, com duas pequenas cadeiras de vime e um tapete no centro do quarto. As tábuas do assoalho e o forro das paredes eram de carvalho escuro, tão velho e desbotado que deveria datar da construção da casa. Holmes puxou uma das cadeiras para um canto e sentou, silencioso, deixando os olhos correrem em volta, observando todos os detalhes do cômodo.
- Essa campainha toca aonde? - perguntou finalmente, apontando para um grosso cordão pendurado junto da cama, com a borla repousando sobre o travesseiro.
- No quarto da empregada.
- Parece mais novo que tudo mais no quarto.
- Sim, foi instalada há uns dois anos.
- Foi sua irmã que pediu isso?
- Não, acho que nem chegou a usá-la. Sempre nos servimos a nós mesmo - Realmente? Então me parece desnecessário instalar um cordão tão bonito. Desculpem-me um momento enquanto examino o chão. - Esticou-se de cara para baixo com a lente na mão, depois engatinhou. rapidamente para cá e para lá, examinando minuciosamente as frestas entre as tábuas. Terminando, fez o mesmo com os painéis das paredes. Finalmente, caminhou para a cana e ficou algum tempo olhando para ela e para a parede atrás. No final, pegou o cordão da campainha e puxou-o com força.
- Ora, é falso - disse.
- Não toca?
- Não, nem está ligado a nenhum fio. Isso é muito interessante. Podem ver que está pendurado em um gancho logo acima da pequena abertura de ventilação.
- Que absurdo! Não tinha reparado isso antes.
- Muito estranho! - resmungou Holmes, puxando o cordão. - Há uma ou duas coisas muito esquisitas nesse quarto. Por exemplo, o construtor deve ser um idiota, fazendo uma abertura de ventilação para outro quarto, quando podia simplesmente abrir na parede externa!
- Isso também foi feito há pouco tempo - disse a moça.
- Na mesma época que o cordão de campainha - comentou Holmes.
- É, houve algumas mudanças na mesma ocasião.
- Todas são muito interessantes... cordões de campainha que não tocam, ventiladores que não ventilam. Com sua permissão, Srta. Stoner, vamos agora investigar o outro quarto.
O quarto do Dr. Grimesby Roylott era maior que o de sua enteada, mas mobiliado com a mesma simplicidade. Uma cairia estreita, uma prateleira cheia de livros, a maioria técnicos, uma poltrona ao lado da cama, uma cadeira de madeira contra a parede, uma mesa redonda e um grande cofre de ferro eram as coisas principais. Holmes andou lentamente em volta e examinou todos os objetos com atenção.
- O que está aqui dentro? - perguntou, batendo no cofre.
- Os documentos de meu padrasto.
- Ali! Viu o conteúdo, então?
- Só uma vez, anos trás. Lembro-me que estava cheio de papéis.
- Não há um gato lá dentro, por acaso?
- Não. Que idéia esquisita!
- Bem, veja só isso. - Pegou um pequeno pires com leite que estava em cima do cofre.
- Não, não temos nenhum gato. Mas há um leopardo e um mandril.
- Ali, sim, é claro! Bem, um leopardo é apenas um gato grande, mas um pequeno pires não parece suficiente para satisfazer sua sede. Há uma coisa que gostaria de estabelecer. - Agachou-se em frente da cadeira de madeira e examinou o assento com a maior atenção.
- Obrigado. Isso está resolvido - disse, erguendo-se e guardando a lente no bolso. - Ora! Aqui está urna coisa interessante.
O objeto que atraíra sua atenção era uma pequena correia de cachorro pendurada em um canto da cama. Havia sido amarrada, formando uma laçada.
O que acha disso, Watson?
É uma correia comum. Mas não sei por que deram uma laçada. - Isso não é comum, pois não? Ali, meu Deus, é um mundo malvado e quando um homem inteligente se vira para o crime, isso é o pior de tudo. Acho que já vi o suficiente, Srta. Stoner e, com sua permissão, vamos lá para fora, no gramado.
Nunca havia visto o rosto de meu amigo tão sombrio e sua testa tão franzida quanto nesse momento. Passeamos para cá e para lá várias vezes e nem a Srta. Stoner nem eu ousamos interromper seus pensamentos, até que ele despertou.
- É essencial, Srta. Stoner, - disse finalmente - que faça exatamente o que vou lhe dizer.
- Certamente que farei tudo que disser. O assunto é grave demais para qualquer hesitação. Sua vida pode depender disso.
- Asseguro-lhe que estou totalmente em suas mãos. - Em primeiro lugar, meu amigo e eu vamos passar a noite em seu
A Srta. Stoner e eu o olhamos com espanto.
- Sim, tem de ser assim. Deixe-me explicar. Creio que aquilo ali é a estalagem da aldeia.
- Sim.
- Muito bem. De lá pode-se ver suas janelas?
- Certamente.