– Aí está – disse Holmes, dando-lhe umas moedas de prata. – De hoje em diante, você se entende comigo, Wiggins, e eles com você. Não posso ter a casa invadida assim. Em todo o caso, é bom que todos ouçam as instruções. Eu quero saber onde está uma lancha chamada Aurora, que pertence a Mordecai Smith, preta com duas listas vermelhas, chaminé preta com uma faixa branca. Está em algum ponto do rio. Quero que um rapaz fique no lugar onde Mordecai Smith mora, no cais em frente a Millbank, para avisar se o barco voltar. Dividam o trabalho entre vocês, de modo que possam fiscalizar as duas margens ao mesmo tempo. Assim que souberem de alguma coisa, venham me avisar. Compreenderam bem?

– Sim, senhor – disse Wiggins.

– O pagamento de costume, e um guinéu a mais para quem descobrir a lancha. Aí têm um dia adiantado. Agora podem ir.

Deu um xelim a cada um, e eles sumiram pela escada abaixo. Um minuto depois eu os vi correndo pela rua.

– Se a lancha estiver no rio, eles vão encontrá-la

– disse Holmes, levantando-se e acendendo o cachimbo. – Esses garotos podem ir a toda parte, ver tudo, ouvir disfarçadamente todo mundo. Espero ouvir, antes de anoitecer, que eles a descobriram. Enquanto isso, não podemos fazer nada, a não ser esperar. Não podemos retornar à pista interrompida enquanto não encontrarmos a Aurora ou o sr. Mordecai Smith.

– Toby podia comer estes restos – eu sugeri. – Vai deitar-se, Holmes?

– Não, não estou cansado. Tenho uma constituição curiosa. Não me lembro de ter ficado alguma vez cansado por causa de trabalho, mas a ociosidade me deixa completamente exausto. Vou fumar e pensar neste caso estranho, em que a nossa loura cliente nos meteu. Se algum dia houve um caso fácil, foi este. Não existem tantos homens com pernas-de-pau, mas o outro deve ser único!...

– O outro de novo!

– Eu não quero fazer mistério sobre ele. Mas você deve formar a sua própria opinião. Analise os dados que tem. Pegadas pequenas, dedos que nunca foram comprimidos por calçado, pés descalços, um bastão com a ponta de pedra, grande agilidade e pequenos dardos envenenados... O que deduz de tudo isso?

– Já sei... um selvagem! Talvez um dos tais indianos, sócios de Jonathan Small.

– Não me parece – disse Sherlock. – Logo que eu vi sinais de armas exóticas, tive essa idéia, mas a característica das pegadas me obrigou a rever minha opinião. Alguns habitantes da península indiana são baixos, mas mesmo assim não deixariam aquelas marcas. O hindu tem pés finos e compridos. Os maometanos, que usam sandálias, têm o dedo grande muito separado dos outros porque geralmente a correia passa entre eles. Os dardos também só podiam ter sido atirados por uma zarabatana. Então, onde vamos achar o selvagem?

– Na América do Sul! – arrisquei.

Ele estendeu a mão e apanhou um livro grosso na estante.

Este é o primeiro volume de um dicionário geográfico, que está sendo publicado agora. Pode ser considerado uma autoridade de primeira ordem. Vejamos o que tem aqui: Andamã – ilhas situadas a 540 quilômetros ao norte de Sumatra, na baía de Bengala. Unh! O que vem a ser isto tudo? Clima úmido, bancos de coral, tubarões, Port-Blair, acampamentos de degredados, Rutland Island, algodoeiros. Ah, aqui está!

Os aborígines das ilhas Andamã podem reivindicar o título de raça de menor estatura da terra, embora alguns antropólogos apontem os aborígines da África, os índios da América e os habitantes da Terra de Fogo. A altura média deles é inferior a 1,20 metro, embora se encontrem muitos adultos bem mais baixos. São atrevidos, rabugentos e intratáveis, mas podem ser amigos quando se consegue conquistar sua confiança.

Lembre-se disto, Watson. Agora ouça o resto com atenção.

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