– “Não é nada contra o forte”, disse ele. “Nós apenas lhe pedimos que faça aquilo que os seus patrícios vêm fazer aqui. Queremos torná-lo rico. Se quiser ser um dos nossos esta noite, nós lhe juramos, pela faca nua, e pelo triplo juramento que nenhum sikh pode quebrar, que você terá um belo quinhão na partilha. A quarta parte do tesouro será sua. Está bem claro?”

– “Mas que tesouro é esse? É claro que estou pronto para enriquecer, mas preciso saber o que farei para isso.”

– “Jure, então”, disse ele, “pelos ossos de seu pai, pela honra de sua mãe, pela cruz da sua fé, que não erguerá a mão nem abrirá a boca contra nós, nem agora nem depois.”

– “Juro”, respondi, “contanto que o forte não corra perigo.”

– “Então meu companheiro e eu juramos também que você terá a quarta parte do tesouro, que será dividido igualmente entre nós quatro.”

– “Mas somos três”, eu disse.

– “Não. Dost Akbar também deve ter a sua parte.”

– “Enquanto esperamos por eles, podemos contarlhe a história. Mahomet Singh fica no portão para nos avisar quando chegarem.”

– “A coisa foi assim, sahib, eu conto para você porque sei que um juramento obriga um feringhee e que podemos confiar em você. Se fosse um hindu mentiroso, podia jurar por todos os deuses dos seus falsos templos que o seu sangue iria manchar a minha faca e o seu corpo ir acabar na água. Mas o sikh conhece os ingleses e o inglês conhece o sikh. Ouça o que tenho para lhe dizer.”

– “Há um rajá nas províncias do Norte que possui imensas riquezas, embora seu território seja pequeno. Herdou muita coisa do pai e tem conseguido juntar ainda mais. Mas prefere guardar seu ouro em vez de gastá-lo.”

– “Quando estourou a revolta, ele estava em cima do muro, de boa vontade com uns e com outros; com os soldados hindus e com o comandante dos ingleses.”

– “Mas em pouco tempo ele achou que chegara o dia dos brancos, porque por toda parte ele só ouvia falar das mortes e derrotas deles. Ainda assim, como é precavido, fez lá os seus planos de modo que, independentemente do que acontecesse, pelo menos metade do seu tesouro ficaria para ele. O que era constituído de prata e ouro ele guardou nos subterrâneos do palácio. Mas as pedras mais preciosas e as pérolas mais lindas ele guardou num cofre de ferro e mandou, por um servo de confiança disfarçado de mercador, para o forte de Agra para ficar ali até que a paz fosse restabelecida.”

– “Assim, se os rebeldes vencessem, ele teria o seu dinheiro, mas se fossem os ingleses, suas jóias estariam salvas. Mas, dividindo assim a fortuna, ele aderiu à causa dos soldados hindus quando sentiu que eram mais fortes.”

– “Note bem, sahib, que, ao fazer isso, o que lhe pertence passa a ser um direito daqueles que ficaram fiéis às suas idéias. Esse falso mercador, que viaja sob o nome de Achmet, está agora em Agra e quer chegar até o forte. Como companheiro de viagem ele traz o meu irmão de criação, Dost Akbar, que sabe do segredo. Akbar prometeu trazê-lo esta noite por este lado do forte, escolhido propositadamente. Deve vir por aí, e aqui vai encontrar Mahomet e eu. O lugar é deserto e ninguém deve saber da sua chegada. Ninguém mais no mundo saberá de Achmet e o grande tesouro do rajá será dividido entre nós. O que acha disto, sahib?”

– Em Worcestershire, a vida de um homem parece ser uma coisa importante e sagrada. Mas é muito diferente quando em torno da gente só há fogo e sangue e você já se acostumou a ver mortos a todo instante. Que Achmet vivesse ou morresse era indiferente para mim, como a luz ou o ar; mas, ao ouvir falar do tesouro, meu coração bateu forte, e pensei no que faria com ele na minha terra e como a minha gente ficaria estarrecida quando visse o vagabundo voltar com os bolsos cheios de moedas de ouro. Eu já tinha decidido. Mas Abdullah, pensando que eu hesitava, falou de novo.

– “Lembre, sahib, que se este homem for apanhado pelo comandante, será enforcado ou fuzilado, e as jóias irão para o governo, e ninguém terá uma rupia.”

– “As jóias ficarão tão bem conosco como nos cofres do estado. Há o suficiente para nos enriquecer e fazer de nós chefes poderosos. Ninguém saberá de nada porque aqui estamos afastados de todos. Diga novamente, sahib, se devemos considerá-lo um dos nossos ou se devemos encará-lo como nosso inimigo.”

– “Estarei com vocês de corpo e alma.”

– “Está bem”, ele respondeu, devolvendo-me a arma. “Bem vê que confiamos em você, porque a sua palavra, como a nossa, não pode ser quebrada. Agora, só precisamos esperar meu irmão e o mercador.”

– “O seu irmão sabe dessas intenções?”, perguntei.

– “O plano é dele. Foi ele quem pensou em tudo. Agora vamos para a porta e dividimos a vigilância com Mahomet.”

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