— Sendo ainda garoto, menino, já tive muitos desejos de conhecer Buenos-Aires, mas nunca pode fize-lo; nao por falta de plata, minha senora Rosalia, pois muitas vezes os meus companheiros me arranjaram mais do necesario, senão porque o trabalho nao me deixaba tempo; tinha de esperar a um, atender ao outro, ajudar a este, esconder àquele! Finalmente, no ano pasado, fiquei livre, sem coisa alguma a fazer… Os rapazes não queriam ir pra о Brasil: o novo codigo penal lhes da medo; deportaçao para o Acre, muitos anos de trabalho, a febre amarela. Comtudo, seria coisa de se habituar, como aqui, onde mandam agora a gente pra Sierra Chica e a Terra do Fogo, e como bem sabe, os dois penais estão repletos. Comecei a preparar viagem e estava pronto pra embarcar, mas não me deixaram. Por que? Você não sai do Brasil, vosê é malandro fino, muito experto e ladino, você este muito ligabo a nós! Não vai pra Buenos Aires, não faz lá muito frio. Falei com o chefe. E este a mesma coisa: o caboclo Pedro quer ir-se embora? Quer nos deixar? Você é muito ingrato. O que é que te falta aqui?.. Sempre a mesma história… Embarquei pela força e pela força fui desembarcado; ofereci dinheiro aos agentes. Não, Pedro, dinheiro não! Não faltava mais, aceitar dinheiro dos amigos! Não está direito! Pois então, que é que vocês querem? Que você fique connosco, o Río precisa de ti. Cristo! Mas eu preciso ir pra Buenos Aires; olha minha passagem! Deixa-lá isso, nos to pagaremos. Finalmente, um amigo me disse; seu Pedro, sempre acreditei que eras um rapaz inteligente; vejo que me enganei. Por que queres ir em barco e por mar, se podes ir por terra o pelos rios? Es un mulato besta! E fiz a viajem por terra e pelos rios; adoeci, parei ao hospital; quase que morri; e me roubaron a gaita, о dinheiro, a mim, que nunca tinha trabalhado para ganha-lo. Como seguir, viajem? A pé? Nadando? Não podia voltar pra tras estava longe do Rio e eu queria conhecer Buenos Aires. Nao sei jogar e a mais como jogar sem dinheiro? A que pedir? Todos eram honrados. Não me restava senão uma coisa a fazer: trabalhar; trabalhar a teus anos, Pedro! Mas, de que? Não sabes fazer nada, nem mesmo roubar. Foi entao que Deus me iluminou: os barcos nao se movem sos; pra isso estão os marinheiros. Mas la não havia barcos; estavam muito longe e pra chegar lá era preciso caminhar muito, cruzar rios, pântanos, mas… lancei-me a rota. Já nem sei quantos meses há que me encontro viajando, a pé ou num barco, metido no barro, comido pelos bichos, perseguido pelos policias em terra, pelos contramestres de a bordo, trabalhando de fogoeiro, de carregador, de marinheiro. Mas cheguei, minha senora Rosalia, e estou muito contente![15]

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