Agarro na tarte e dou uma dentada. É celestial. Só este bocado deve ter provavelmente umas quinhentas calorias, se tivesse de adivinhar. Não admira que o Douglas tenha uma papada. E não quer saber, porque não é mulher e, além disso, é incrivelmente rico.

– Agora – diz. – Há além uma peça chamada Calças. Quer arriscar um palpite sobre o que vamos ver?

Sorri-me, prendendo-me o olhar, apesar de o meu vestido exibir uma quantidade impressionante de decote. Quando vim aqui com a intenção de seduzir Douglas Garrick, não imaginava este homem.

Isto vai ser muito mais fácil do que eu esperava.

47

Passo 2: Dar o Nó com o Homem Podre de Rico

Três anos antes

O Douglas pode ser absolutamente desesperante.

Está a atormentar-me. Finge ser um tipo simpático – e até terra a terra, tendo em conta o seu trabalho e fortuna pessoal mas é sádico. Não há outra explicação para o porquê de se comportar desta maneira.

– O que pensas tu que estás a fazer? – atiro-lhe.

Tem ao menos a graça de parecer embaraçado. Como devia! Já é suficientemente mau o homem sentar-se na nossa sala de estar em cuecas – cuecas! mas supostamente devíamos chegar daqui a menos de uma hora a uma festa em casa da Leland Jasper e não está de todo pronto. Tinha planeado tudo na perfeição para chegarmos elegantemente atrasados, mas agora aqui está, na cozinha, de Calças de fato de treino e T-shirt, e a comer Nutella do frasco com uma faca de manteiga.

O meu coração não aguenta esta loucura.

– Deu-me fome – diz. Pousa a faca na bancada da cozinha, manchando a superfície de mármore com a pasta castanho-escura.

– Douglas – respondo, com uma paciência cada vez mais escassa. – É suposto sairmos daqui a dez minutos. Nem sequer estás vestido.

– Sair para onde?

Está a atormentar-me. Está a fazer isto de propósito. Não posso imaginar que este comportamento não seja intencionai – ninguém pode ser assim tão despistado.

– Para casa da Leland! A festa é esta noite!

– Oh, certo – gemendo, esfrega as têmporas. – Cristo, temos de ir? Odiamos a Leland e o marido. Não foi o que dissemos? Além do mais, que tipo de nome é Leland? De certeza que foi ela que o inventou.

Está certo em todos os aspetos, mas isso não quer dizer que possamos faltar a esta festa. Vai lá estar toda a gente. E quero que me vejam a usar o meu novo vestido Prada, o cabelo acobreado perfeitamente arranjado e com madeixas, de braço dado com o meu atraente e impossivelmente rico noivo, que irá usar um fato Armani que disfarça o bojo do seu abdómen. Escolhi-o com esse propósito específico. Antes de me ter, costumava andar por aí com fatos baratos que deixavam ver o contorno da sua barriga.

– Temos de ir – respondo entredentes. – Não quero ouvir nem mais uma palavra sobre o assunto. Tens de te vestir. Já.

– Mas, Wendy – Douglas agarra-me no braço e puxa-me para si. O seu hálito cheira a avelã. –, vá lá, a festa vai ser uma seca enorme. Vamos antes... sei lá, ver um filme, só os dois? Como costumávamos fazer quando começámos a sair? O novo filme dos Vingadores, talvez?

Algo que não percebi sobre o Douglas até o conhecer foi que é um cromo sem solução. Nem tenta disfarçar. Tudo o que quer é ver filmes de super-heróis e vegetar no sofá com o portátil empoleirado nas pernas, a comer Nutella do frasco. A única razão para ter chegado a diretor-executivo da Coinstock é ser um génio louco que inventou uma tecnologia que acabou por ser usada em todos os bancos do país.

– Vamos a esta festa – digo-lhe, pelo que parece ser a centésima vez. O homem nunca me dá ouvidos, juro. –Agora, vai-te vestir. Mexe-te.

– Está bem, está bem.

Inclina-se numa tentativa de me dar um beijo com Nutella, mas eu tenho um Prada vestido, por isso dou um passo atrás e ergo as mãos para o manter afastado.

– Podes beijar-me depois de mudares de roupa – digo-lhe.

O Douglas volta a guardar o frasco no armário e sai pesadamente da cozinha para a nossa impossivelmente pequena sala de estar. Este apartamento é todo ele uma desgraça. Só temos três quartos, e um deles é o escritório do Douglas, pelo que é como se tivéssemos apenas dois. Assim que nos casarmos, vamos fazer uma melhoria substancial, e também comprar a minha casa de sonho nos subúrbios. Bem, na verdade, é a casa de sonho do Douglas, porque o meu sonho não é certamente viver nos subúrbios.

Sorrio sempre que penso na casa onde vamos viver um dia. Em pequena, o meu pai trabalhava na manutenção e a minha mãe mal ganhava o salário mínimo a trabalhar num infantário. Tínhamos uma casa minúscula, onde eu partilhava o quarto com a minha irmã mais nova, que, até aos oito anos, costumava fazer chichi na cama. Estudei o suficiente na escola para conseguir uma bolsa de estudos para um pretensioso colégio privado, onde todos os outros miúdos gozavam comigo por não me vestir tão bem como eles.

Перейти на страницу:

Похожие книги