– Vossa Graça? – ela ainda usava a armadura de aço azul, embora tivesse tirado o elmo. A tenda cheia de gente estava quente, e o suor colava seus cabelos amarelos e sem vigor no rosto largo e simples. – Meu lugar é ao seu lado. Sou sua protetora juramentada…
– Uma entre sete – lembrou-lhe o rei. – Nada tema, quatro de seus companheiros estarão comigo durante a luta.
Brienne caiu de joelhos.
– Se tenho de me separar de Vossa Graça, conceda-me a honra de armá-lo para a batalha.
Catelyn ouviu alguém soltar um riso abafado atrás de si.
– Concedido – Renly respondeu. – Deixem-me agora, todos vocês. Até os reis devem descansar antes de uma batalha.
– Senhor – Catelyn se adiantou. – Há um pequeno septo na última aldeia por onde passamos. Se não me permite que parta para Correrrio, dê-me licença para ir até lá e rezar.
– Como quiser. Sor Robar, dê à Senhora Catelyn uma escolta segura até esse septo… Mas certifique-se de que ela volte para junto de nós de madrugada.
– Talvez fizesse bem em rezar também – ela acrescentou.
– Por uma vitória?
– Por sabedoria.
Renly soltou uma gargalhada:
– Loras, fique e ajude-me a rezar. A última vez foi há tanto tempo que me esqueci de como se faz. Quanto ao resto de vocês, quero todos os homens em seus lugares à primeira luz da aurora, armados, com as armaduras postas e montados. Daremos a Stannis uma alvorada de que não se esquecerá tão cedo.
Caía o ocaso quando Catelyn saiu do pavilhão. Sor Robar Royce pôs-se ao seu lado. Conhecia-o um pouco… Um dos filhos de Bronze Yohn, bem-apessoado à sua maneira dura, um guerreiro de torneios de certo renome. Renly presenteara-o com um manto de arco-íris e uma armadura vermelho-sangue, e nomeara-o um de seus sete.
– Está muito longe do Vale, sor – disse-lhe.
– E você longe de Winterfell, senhora.
– Eu sei o que me trouxe aqui, mas por que você veio? Essa batalha não é mais sua do que minha.
– Fiz dela minha batalha quando fiz de Renly meu rei.
– Os Royce são vassalos da Casa Arryn.
– O senhor meu pai deve lealdade à Senhora Lysa, e ao seu herdeiro também. Um segundo filho deve encontrar a glória onde puder – Sor Robar encolheu os ombros. – Um homem se cansa de torneios.
Não podia ter mais do que vinte e um anos, pensou Catelyn, a mesma idade do seu rei… Mas o rei
No pequeno canto do acampamento reservado a Catelyn, Shadd cortava cenouras em rodelas e as colocava em um caldeirão, Hal Mollen jogava dados com três de seus homens de Winterfell, e Lucas Blackwood afiava o punhal.
– Senhora Stark – disse Lucas quando a viu –, Mollen diz que haverá uma batalha à alvorada.
– Hal tem a verdade –
– Lutamos ou fugimos?
– Rezamos, Lucas. Rezamos.
Sansa
–Quanto mais tempo o deixar esperando, pior as coisas correrão para você – preveniu-a Sandor Clegane.
Sansa tentava se apressar, mas os dedos atrapalhavam-se com os botões e os nós. Cão de Caça falava sempre rudemente, mas havia algo no modo como a olhava que a enchia de pavor. Teria Joffrey descoberto seus encontros com Sor Dontos?
Quando saiu, Sansa caminhou à esquerda do Cão de Caça, longe do lado queimado de seu rosto.
– Diga-me o que fiz.
– Não foi você. Foi seu real irmão.
– Robb é um traidor – Sansa conhecia as palavras de cor. – Não tive nenhum papel no que quer que ele tenha feito –
Cão de Caça fungou:
– Treinaram-na bem, passarinho.
Conduziu-a até junto da muralha interior, onde uma multidão tinha se reunido em torno dos alvos. Homens afastaram-se para deixá-los passar. Conseguia ouvir Lorde Gyles tossindo. Cavalariços indolentes olharam-na com insolência, mas Sor Horas Redwyne desviou o olhar quando ela passou, e o irmão Hobber fingiu não vê-la. Um gato amarelo morria no chão, miando que dava dó, com uma flecha de besta espetada nas costelas. Sansa contornou-o, sentindo-se agoniada.