– Oh, espero obter dela um filho antes do fim do ano. Diga-me, quantos filhos você tem, Stannis? Ah, sim… nenhum – Renly sorriu de forma inocente. – Quanto à sua filha, eu compreendo. Se minha esposa se parecesse com a sua, também mandaria meu bobo satisfazê-la.
–
O cavalo de Catelyn relinchou e recuou um passo, mas Brienne interpôs-se entre os irmãos, de espada na mão.
– Guarde seu aço! – ela gritou para Stannis.
Stannis apontou a espada cintilante para o irmão.
– Não sou desprovido de misericórdia – trovejou o homem que era notório por ser desprovido de misericórdia. – E não quero macular a Luminífera com o sangue de um irmão. Em nome da mãe que nos deu à luz, darei esta noite para você repensar sua loucura, Renly. Arreie suas bandeiras e venha me encontrar antes da alvorada, e lhe darei Ponta Tempestade e seu antigo lugar no conselho, e até o nomearei meu herdeiro até que eu gere um filho. De outra forma, vou destruí-lo.
Renly riu.
– Stannis, esta é uma espada muito bonita, concordo, mas acho que o brilho que ela emite estragou seus olhos. Olhe os campos, irmão. Vê todos aqueles estandartes?
– Acredita que alguns pedaços de pano farão de você um rei?
– As espadas dos Tyrell o farão… Rowan, Tarly e Caron farão de mim rei, com machados, maças e martelos de guerra. Flechas Tarth e lanças Penrose, Fossoway, Cuy, Mullendore, Estermont, Selmy, Hightower. Oakheart, Crane, Caswell, Blackbar, Morrigen, Beesbury, Shermer, Dunn, Footly… Até a Casa Florent, tios e primos de sua esposa. São eles que me farão rei. Toda a cavalaria do sul me acompanha, e esta é a menor parte do meu poder. Minha infantaria vem atrás, cem mil espadas, lanças e piques. E você vai
– Veremos, irmão – uma pequena luz pareceu ter saído do mundo quando Stannis voltou a enfiar a espada na bainha. – Quando chegar a alvorada, veremos.
– Espero que seu novo deus seja misericordioso, irmão.
Stannis respondeu com uma fungadela e afastou-se a galope, desdenhoso. A sacerdotisa vermelha ficou um momento para trás.
– Olhe seus pecados, Lorde Renly – disse, enquanto virava o cavalo.
Catelyn e Lorde Renly voltaram juntos ao acampamento, onde milhares de seus homens e o punhado de homens dela esperavam pelo retorno de ambos.
– Aquilo foi divertido, embora não muito útil – ele comentou. – Gostaria de saber onde posso encontrar uma espada como aquela. Bem, sem dúvida Loras a dará a mim após a batalha. Desgosta-me que tenha de acabar assim.
– Tem um modo alegre de mostrar desgosto – disse Catelyn, cuja aflição não era fingida.
– Tenho? – Renly encolheu os ombros. – Que seja. Stannis nunca foi o mais querido dos irmãos, confesso. Acha que aquela sua história é verdadeira? Se Joffrey for descendente do Regicida…
– … Seu irmão é o legítimo herdeiro.
– Enquanto viver – Renly admitiu. – Embora esta seja uma lei tola, não concorda? Por que o filho mais velho, e não o mais adequado? A coroa condiz comigo, como nunca condisse com Robert e não condiz com Stannis. Tenho o que é necessário para ser um grande rei, forte, mas generoso, inteligente, justo, diligente, leal para com os meus amigos, e terrível para os inimigos, mas capaz de perdoar, paciente…
– … Humilde? – Catelyn sugeriu.
Renly soltou uma gargalhada:
– Tem de permitir a um rei alguns defeitos, senhora.
Catelyn sentia-se muito cansada. Tudo fora em vão. Os irmãos Baratheon iriam afogar-se um ao outro em sangue, enquanto seu filho teria de enfrentar os Lannister sozinho, e nada do que pudesse dizer ou fazer mudaria alguma coisa.