Tallhart, acaba de cuspir sua vida fora, Theon pensou.

– Stygg, silencie-o – ele ordenou.

Forçaram Benfred a se ajoelhar. Werlag arrancou a pele de coelho do seu cinto e a enfiou entre seus dentes para calar os gritos. Stygg preparou o machado.

– Não – Aeron Cabelo-Molhado interveio. – Ele deve ser dado ao deus. Pelo costume antigo.

Que importa? Morte é morte.

– Então, leve-o.

– Você também deve vir. Você comanda aqui. A oferenda deve vir de você.

Aquilo era mais do que Theon era capaz de aguentar.

– Você é o sacerdote, tio, deixo o deus com você. Faça a mesma delicadeza e deixe as batalhas comigo – fez um gesto com a mão e Werlag e Stygg puseram-se a caminho da costa, arrastando o prisioneiro. Aeron Cabelo-Molhado lançou um olhar de reprovação ao sobrinho, e depois os seguiu. Iriam até a praia de cascalho, a fim de afogar Benfred Tallhart em água salgada. Aquele era o costume antigo.

Talvez isso seja uma gentileza, disse Theon a si mesmo enquanto se afastava a passos largos na outra direção. Stygg não era, nem de longe, o mais hábil dos decapitadores, e Benfred tinha um pescoço grosso como o de um touro, cheio de músculo e gordura. Costumava zombar dele por causa disso, só para ver até que ponto conseguia irritá-lo, recordou-se. Isso tinha sido quando? Há três anos? Quando Ned Stark tinha ido à Praça de Torrhen visitar Sor Helman, Theon o acompanhara e passara uma quinzena na companhia de Benfred.

Ouvia os rudes sons da vitória, vindos da curva na estrada onde a batalha tinha sido travada… Se é que se podia chamar aquilo de batalha. Para falar a verdade, foi mais uma matança de ovelhas. Ovelhas cobertas de aço, mas, mesmo assim, ovelhas.

Subindo um monte de pedras, Theon olhou os homens mortos e cavalos moribundos embaixo. Os cavalos mereciam coisa melhor do que aquilo. Tymor e os irmãos reuniam as montarias que tinham saído incólumes da luta, enquanto Urzen e Lorren Negro silenciavam os animais feridos demais para serem salvos. O resto de seus homens pilhava os cadáveres. Gevin Harlaw ajoelhou sobre o peito de um morto, cortando um dedo dele para obter um anel. Pagando o preço de ferro. O senhor meu pai aprovaria. Theon pensou em vasculhar os bolsos dos dois homens que matara para ver se possuíam alguma joia que valesse a pena levar, mas a ideia lhe deixou um gosto amargo na boca. Era capaz de imaginar o que Eddard Stark teria dito. Mas esse pensamento também o zangou. Stark está morto e apodrecendo, e não é nada para mim, recordou-se.

O Velho Botley, a quem chamavam Barbas-de-Peixe, sentava-se de cenho franzido junto à sua pilha de despojos enquanto os três filhos juntavam mais coisas. Um deles estava num jogo de empurra com um gordo chamado Todric, que cambaleava entre os mortos com um corno de cerveja numa mão e um machado na outra, vestido com um manto de pele branca de raposa só ligeiramente manchado pelo sangue de seu dono anterior. Bêbado, declarou Theon, vendo-o berrar. Dizia-se que os homens de ferro de antigamente ficavam com frequência bêbados de sangue em batalha, tão enlouquecidos que não sentiam dor nem temiam nenhum inimigo, mas aquela era uma bebedeira de cerveja comum.

– Wex, meu arco e a aljava.

O rapaz trouxe correndo o que lhe fora pedido. Theon dobrou o arco e enfiou a corda nos entalhes no momento em que Todric atirava o filho de Botley ao chão e jogava cerveja em seus olhos. Barbas-de-Peixe ficou em pé de um salto, praguejando, mas Theon foi mais rápido. Apontou para a mão que segurava o corno, planejando mostrar-lhes um tiro digno de ser comentado, mas Todric estragou seus planos inclinando-se para o lado no momento em que Theon soltava a corda. A flecha atingiu-o na barriga.

Os homens pararam a pilhagem e ficaram boquiabertos. Theon abaixou o arco.

– Eu disse que não queria bêbados nem querelas por causa do saque – de joelhos, Todric morria ruidosamente. – Botley, silencie-o – Barbas-de-Peixe e os filhos foram rápidos para obedecer. Abriram a garganta de Todric enquanto ele escoiceava debilmente, e começaram a despojá-lo do manto e dos anéis ainda antes de estar morto.

Agora sabem que o que digo é a sério. Lorde Balon podia ter lhe dado o comando, mas Theon sabia que alguns de seus homens viam apenas um rapaz mole das terras verdes quando olhavam para ele.

– Alguém mais tem sede? – ninguém respondeu. – Ótimo.

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