– Sor Loras está provavelmente a caminho de Ponteamarga – Varys prosseguiu. – A irmã, a rainha de Renly, encontra-se lá, bem como muitos soldados que de repente se viram sem rei. Que lado escolherão agora? Uma questão delicada. Muitos servem aos senhores que permaneceram em Ponta Tempestade, e esses senhores pertencem agora a Stannis.
Tyrion inclinou-se para a frente:
– Há aqui uma oportunidade, parece-me. Se conquistarmos Loras Tyrell para nossa causa, Lorde Mace Tyrell e seus vassalos poderão se juntar a nós também. Podem ter jurado espadas a Stannis por ora, mas não é possível que gostem do homem, caso contrário teriam sido seus desde o início.
– Será o amor deles por nós maior? – Cersei quis saber.
– Dificilmente – Tyrion respondeu. – Era claro que amavam Renly, mas Renly está morto. Talvez possamos lhes dar bons e suficientes motivos para preferir Joffrey a Stannis…
– Que tipo de motivos pretende lhes dar?
– Motivos de ouro – sugeriu Mindinho de imediato.
Varys soltou um
– Querido Petyr, certamente não está sugerindo que aqueles poderosos senhores e nobres cavaleiros podem ser
– Tem ido aos nossos mercados nos últimos tempos, Lorde Varys? – perguntou Mindinho. – Atrevo-me a dizer que descobriria que é mais fácil comprar um senhor do que uma galinha. Os senhores cacarejam com mais orgulho do que as galinhas, naturalmente, e levam a mal se lhes oferecer moedas como a um mercador, mas raramente mostram aversão a receber presentes… honrarias, terras, castelos…
– Subornos podem trazer até nós alguns dos senhores menores – Tyrion interveio –, mas nunca Jardim de Cima.
– É verdade – Mindinho admitiu. – O Cavaleiro das Flores é a chave disso. Mace Tyrell tem dois filhos mais velhos, mas Loras sempre foi seu preferido. Conquiste-o, e Jardim de Cima será seu.
– Parece-me que devíamos aprender uma lição com o falecido Lorde Renly. Podemos conquistar a aliança dos Tyrell como ele fez. Com um casamento.
Varys foi o primeiro a compreender:
– Está pensando em casar Rei Joffrey com Margaery Tyrell.
– Estou.
Julgava recordar que a jovem rainha de Renly não tinha mais do que quinze ou dezesseis anos… Mais velha do que Joffrey, mas alguns anos não eram nada, o arranjo era tão limpo e doce que era capaz de saboreá-lo.
– Joffrey está prometido a Sansa Stark – Cersei objetou.
– Contratos de casamento podem ser quebrados. Que vantagem há em casar o rei com a filha de um traidor morto?
Mindinho se interpôs:
– Pode fazer Sua Graça notar que os Tyrell são muito mais ricos do que os Stark, e que dizem que Margaery é adorável… E, além disso, pronta para se deitar.
– Sim – Tyrion concordou. – Joff deverá gostar bastante disso.
– Meu filho é novo demais para se interessar por essas coisas.
– Acha mesmo? – Tyrion a desafiou. – Tem treze anos, Cersei. A mesma idade que eu tinha quando me casei.
– Envergonhou-nos todos com esse lamentável episódio. Joffrey é feito de material de melhor qualidade.
– Tão boa que ordenou a Sor Boros que arrancasse o vestido de Sansa.
– Estava zangado com a menina.
– Também estava zangado com o aprendiz de cozinheiro que derramou a sopa ontem à noite, mas não o deixou nu.
– Aquilo não era questão de um pouco de sopa derramada…
– O cão nunca está longe dos calcanhares do dono – ele tinha dito a Varys –, mas todos os homens dormem. E alguns também jogam, e visitam prostitutas e tabernas.
– Cão de Caça faz todas essas coisas, se é esta a sua pergunta.
– Não – Tyrion retrucou. – Minha pergunta é
Varys pusera um dedo no rosto, sorrindo enigmaticamente.
– Senhor, um homem desconfiado poderia pensar que deseja encontrar um momento em que Sandor Clegane não esteja protegendo o Rei Joffrey, a fim de fazer algum mal ao rapaz.
– Decerto me conhece melhor do que isso, Lorde Varys. Ora, tudo o que quero é que Joffrey goste de mim.
O eunuco prometeu se debruçar sobre o assunto. Mas a guerra tinha suas exigências; a iniciação de Joffrey à condição viril teria de esperar.
– Sem dúvida conhece seu filho melhor do que eu – Tyrion obrigou-se a dizer a Cersei –, mas, seja como for, há muitos argumentos a favor de um casamento com os Tyrell. Pode ser a única maneira de Joffrey viver tempo suficiente para chegar à noite de núpcias.
Mindinho concordou: