– Não é. Robert também nunca foi o rei legítimo, até Renly disse isso. Jaime Lannister
– Um bom rei se importa.
– Lorde Renly… Sua Graça, ele… ele teria sido o
– Ele morreu, Brienne – Catelyn disse, tão gentilmente quanto podia. – Restam Stannis e Joffrey… bem como meu filho.
– Ele não… a senhora nunca faria a
– Vou lhe dizer a verdade, Brienne. Não sei. Meu filho pode ser um rei, mas eu não sou nenhuma rainha… Sou apenas uma mãe que quer manter os filhos a salvo de todas as maneiras que puder.
– Não fui feita para ser mãe. Tenho de lutar.
– Então lute… Mas pelos vivos, não pelos mortos. Os inimigos de Renly são também inimigos de Robb.
Brienne fitou o chão e arrastou os pés.
– Eu não conheço seu filho, senhora – ela ergueu os olhos. – Podia servi-la. Se me aceitar.
Catelyn ficou surpresa.
– Por que a mim?
A pergunta pareceu perturbar Brienne.
– Ajudou-me. No pavilhão… quando eles pensaram que eu tinha… que eu tinha…
– Era inocente.
– Mesmo assim, não era sua obrigação fazer o que fez. Podia ter deixado que me matassem. Eu não era nada para você.
– Brienne, tomei muitas senhoras bem-nascidas ao meu serviço ao longo dos anos, mas nunca nenhuma como você. Não sou comandante de batalha.
– Não, mas possui coragem. Talvez não a coragem de batalha, mas… não sei… um tipo de coragem de
Catelyn ainda era capaz de ouvir Stannis dizer que a vez de Robb também chegaria, a seu tempo. Era como um hálito frio soprando em sua nuca.
– Quando a hora chegar, não a impedirei de chegar até Stannis.
A moça alta ajoelhou-se desajeitadamente, desembainhou a espada de Renly e depositou-a aos pés de Catelyn.
– Então sou sua, minha senhora. Seu vassalo, ou… o que quer que desejar que seja. Guardarei suas costas, aconselharei a senhora e darei minha vida pela sua, se for necessário. Juro pelos deuses, velhos e novos.
– E eu juro que terá sempre um lugar à minha lareira e comida e bebida à minha mesa, e prometo não lhe pedir qualquer serviço que possa lhe trazer desonra. Juro pelos deuses, velhos e novos. Levante-se – enquanto apertava as mãos da outra mulher entre as suas, Catelyn não conseguiu evitar sorrir.
Cruzaram o Ramo Vermelho ao fim do dia seguinte, rio acima de Correrrio, onde o rio fazia uma ampla curva e as águas se tornavam lamacentas e rasas. A travessia era guardada por uma força mista de arqueiros e piqueiros com o símbolo da águia dos Mallister. Quando viram os estandartes de Catelyn, emergiram de detrás de suas estacas afiadas e mandaram um homem da outra margem mostrar o caminho ao seu grupo.
– Devagar e com cuidado, senhora – o homem a preveniu enquanto agarrava o freio de seu cavalo. – Plantamos espigões de ferro debaixo da água, está vendo, e há estrepes espalhados entre aquelas rochas ali. É a mesma coisa em todos os vaus, segundo as ordens do seu irmão.
Entre o Ramo Vermelho e o Pedregoso, juntaram-se a uma corrente de populares que se dirigia à segurança de Correrrio. Alguns conduziam animais à sua frente, outros puxavam carros, mas abriram caminho à passagem de Catelyn, saudando-a com gritos de “Tully!” ou “Stark!”. A meia milha do castelo, atravessaram um grande acampamento onde o estandarte escarlate dos Blackwood ondulava sobre a tenda do senhor. Foi então que Lucas se afastou do grupo, a fim de procurar seu pai, Lorde Tytos. Os outros prosseguiram.
Catelyn vislumbrou um segundo acampamento, disposto ao longo da margem norte do Pedregoso, com estandartes familiares sacudindo ao vento… A donzela dançante de Marq Piper, o homem com arado de Darry, as serpentes enlaçadas, em vermelho e branco, dos Paege. Eram todos vassalos do pai, senhores do Tridente. A maioria tinha deixado Correrrio antes dela, a fim de defender suas terras. Se estavam de novo ali, isso só podia querer dizer que Edmure os chamara de volta.