Quando a investidura finalmente terminou, Joffrey marchou para o exterior entre Sor Balon e Sor Osmund, que ostentavam seus novos mantos brancos, enquanto Tyrion ficava para trocar algumas palavras com o novo Alto Septão (que tinha sido escolha
– Quero os deuses do nosso lado – Tyrion foi direto, sem papas na língua. – Diga-lhes que Stannis jurou queimar o Grande Septo de Baelor.
– E é verdade, senhor? – perguntou o Alto Septão, um homem pequeno e arguto, com barba branca e fina e rosto chupado.
Tyrion encolheu os ombros:
– Pode ser. Stannis queimou o bosque sagrado em Ponta Tempestade como oferenda ao Senhor da Luz. Se foi capaz de ofender os deuses antigos, por que pouparia os novos? Diga-lhes isso. Diga-lhes que qualquer homem que pense em ajudar o usurpador trai tanto os deuses quanto seu legítimo rei.
– Direi, senhor. E vou lhes ordenar também para que rezem pela saúde do rei e de sua Mão.
Hallyne, o Piromante, esperava-o quando Tyrion voltou ao seu aposento privado, e Meistre Frenken havia trazido mensagens. Deixou o alquimista esperando um pouco mais enquanto lia o que os corvos lhe tinham trazido. Havia uma carta antiga de Doran Martell, prevenindo-o de que Ponta Tempestade caíra, e uma outra muito mais intrigante, proveniente de Balon Greyjoy em Pyke, que se intitulava
Tyrion leu a carta três vezes e deixou-a de lado. Os dracares de Lorde Balon teriam sido uma grande ajuda contra a frota que se aproximava vinda de Ponta Tempestade, mas encontravam-se a milhares de léguas de distância, do lado errado de Westeros, e Tyrion estava longe de ter certeza se queria ceder metade do reino.
Só então recebeu Hallyne com as últimas contas dos alquimistas.
– Isso não pode ser verdade – disse Tyrion enquanto lia atentamente os livros. – Quase treze mil frascos? Considera-me um tolo? Previno-o de que não vou pagar o ouro do rei por frascos vazios e jarros de esgoto selados com cera.
– Não, não – Hallyne guinchou –, as somas são exatas, juro. Temos tido, hummm, grande fortuna, senhor Mão. Foi encontrado outro dos esconderijos de Lorde Rossart, mais de trezentos frascos. Sob o Fosso dos Dragões! Umas prostitutas tinham andado usando as ruínas para entreter seus fregueses, e um deles caiu num porão através de um pedaço de assoalho apodrecido. Quando apalpou os frascos, confundiu-os com vinho. Estava tão bêbado que quebrou o selo e bebeu um pouco.
– Houve um príncipe que uma vez tentou fazer isso – Tyrion disse secamente. – Não vi nenhum dragão levantando voo sobre a cidade, portanto, parece que dessa vez também não deu certo – o Fosso dos Dragões, na colina de Rhaenys, estava abandonado havia um século e meio. Supunha que era um lugar tão bom como qualquer outro para armazenar fogovivo, e melhor do que a maioria, mas teria sido bom se o falecido Lorde Rossart tivesse
– Sim, sim, é verdade – Hallyne limpou o suor de sua pálida testa com a manga da toga negra e escarlate. – Temos trabalhado muito duramente, senhor Mão, hummm.
– Isso sem dúvida explicaria por que motivo estão fazendo tanta quantidade extra de substância do que faziam antes – sorrindo, Tyrion encarou o piromante com seus olhos desiguais. – Se bem que me pergunto o porquê de só agora ter começado a trabalhar duramente.
Hallyne tinha a tez de um cogumelo, então era difícil entender como poderia ficar ainda mais pálido, mas de alguma forma conseguiu.
– Já
Tyrion estava ficando impaciente. Sor Jacelyn Bywater provavelmente já estava ali, e o Mão de Ferro não gostava de esperar.
– Sim, têm feitiços secretos; magnífico. O que há com eles?
– Eles, hummm, parecem estar funcionando melhor do que antes – Hallyne exibiu um sorriso fraco. – Não lhe parece que haja dragões andando por aí, não é?
– A menos que tenham encontrado um debaixo do Poço dos Dragões, não. Por quê?