– Ela está fora de si de alegria. – Lorde Petyr mandou-o embora com um gesto e voltou à romã enquanto Oswell descia os degraus. – Diga-me, Alayne... o que é mais perigoso, o punhal brandido por um inimigo, ou o punhal escondido encostado às suas costas por alguém que não chega a ver?
– O punhal escondido.
– Aí está uma garota esperta. – Ele sorriu, com os lábios finos tornados vermelhos pelas sementes de romã. – Quando o Duende mandou os guardas dela embora, a rainha mandou Sor Lancel contratar-lhe mercenários. Lancel encontrou os Kettleblack, o que deliciou o pequeno senhor seu esposo, visto que os rapazes eram pagos por ele através do seu homem, Bronn. – Petyr soltou um risinho. – Mas fui eu quem disse a Oswell para mandar os filhos para Porto Real quando soube que Bronn andava à procura de espadas. Três punhais escondidos, Alayne, agora perfeitamente posicionados.
– Então um dos Kettleblack pôs o veneno na taça de Joff? – lembrou-se de que Sor Osmund tinha passado a noite inteira perto do rei.
– Terei dito isso? – Lorde Petyr cortou a laranja sanguínea em duas com o punhal e ofereceu metade a Sansa. – Os rapazes são traiçoeiros demais para participarem de uma tramoia dessas... e Osmund tornou-se especialmente indigno de confiança desde que entrou para a Guarda Real. Acho que aquele manto branco faz coisas aos homens. Até a homens como ele. – Inclinou o queixo para trás e espremeu a laranja sanguínea para que o sumo escorresse para sua boca. – Adoro o sumo, mas abomino os dedos pegajosos – reclamou, limpando as mãos. – Mãos limpas, Sansa. Faça o que fizer, assegure-se de que as suas mãos estejam limpas.
Sansa levou à boca um pouco de sumo de sua laranja com uma colher.
– Mas se não foram os Kettleblack e não foi Sor Dontos... você nem sequer estava na cidade, e não pode ter sido Tyrion...
– Não quer fazer outra tentativa, querida?
Ela sacudiu a cabeça.
– Eu não...
Petyr sorriu.
– Aposto que a certa altura durante a noite alguém lhe disse que a rede para cabelos estava torta e a endireitou para você.
Sansa levou uma mão à boca.
– Não pode querer dizer... ela queria me levar para Jardim de Cima, para me casar com o neto...
– O gentil e piedoso Willas Tyrell, com a sua boa índole. Fique grata por ter sido poupada, ele teria aborrecido você até a morte. Mas a velha não é entediante, admito. Uma temível velha bruxa, e que não é nem de perto tão frágil como finge ser. Quando cheguei a Jardim de Cima para regatear a mão de Margaery, ela deixou que o senhor seu filho fanfarronasse enquanto ela fazia perguntas mordazes a respeito da natureza de Joffrey. Elogiei-o até os céus, com certeza... enquanto os meus homens espalhavam histórias perturbadoras entre os criados de Lorde Tyrell. É assim que se joga o jogo.
“Também plantei a ideia de Sor Loras vestir o branco. Não que o tenha
“Mace Tyrell pensou mesmo que era sua a ideia de fazer a inclusão de Sor Loras na Guarda Real parte do contrato de casamento. Quem melhor para proteger a filha do que o seu magnífico irmão cavaleiro? E aliviou-o da difícil tarefa de tentar encontrar terras e uma noiva para um terceiro filho, o que nunca é fácil, e se torna duplamente difícil no caso de Sor Loras.
“Mas, seja como for, a Senhora Olenna não estava disposta a permitir que Joff fizesse mal à sua preciosa e querida neta, mas ao contrário do filho também compreendeu que, sob as suas flores e trajes finos, Sor Loras é tão temperamental quanto Jaime Lannister. Atire Joffrey, Margaery e Loras numa panela, e tem os ingredientes para um guisado de regicida. A velha compreendeu também outra coisa. O filho estava decidido a fazer de Margaery uma rainha, e para isso precisava de um rei... mas não precisava de