– E eu com você, senhora. – Passou um braço pelas costas dela e beijou-a no pescoço. – Quando podemos nos casar?

– Já – disse a Senhora Lysa, suspirando. – Trouxe o meu próprio septão e um cantor, e hidromel para o banquete de casamento.

– Aqui? – aquilo não lhe agradou. – Preferiria casar com a senhora no Ninho da Águia, com toda a corte presente.

– Que se dane a corte. Esperei durante tanto tempo que não aguento esperar nem mais um momento. – Envolveu-o com os braços. – Quero partilhar a sua cama esta noite, meu querido. Quero que façamos outro filho, um irmão para Robert ou uma doce filhinha.

– Eu também sonhei com isso, querida. Mas há muito a ganhar com uma grande boda pública, com todo o Vale...

– Não. – Lysa bateu o pé. – Quero-o agora, nesta mesma noite. E devo prevenir-lo de que depois de todos esses anos de silêncio e sussurros pretendo gritar quando me amar. Vou gritar tão alto que vão me ouvir no Ninho da Águia.

– Talvez possa dormir com você agora e casar mais tarde?

A Senhora Lysa soltou risinhos como se fosse uma menina.

– Oh, Petyr Baelish, você é tão maroto. Não, não, eu sou a Senhora do Ninho da Águia e ordeno que se case comigo neste exato momento.

Petyr encolheu os ombros.

– Nesse caso, seja como a senhora ordena. Sou impotente perante você, como sempre.

Proferiram seus votos menos de uma hora depois, em pé sob um dossel azul-celeste enquanto o sol se afundava a oeste. Depois, mesas foram montadas junto da pequena torre de pederneira e banquetearam-se com codorna, veado e javali assado, empurrando tudo com um bom e leve hidromel. Archotes foram acesos quando o ocaso se instalou. O cantor de Lysa tocou “O voto não proferido”, “Estações do meu amor” e “Dois corações que batem como um só”. Vários jovens cavaleiros até pediram a Sansa para dançar. A tia também dançou, fazendo rodopiar as saias quando Petyr a girou nos seus braços. O hidromel e o casamento tinham tirado anos de cima da Senhora Lysa. Ria de tudo desde que segurasse a mão do marido, e os olhos pareciam cintilar sempre que o olhava.

Quando chegou a hora de os levarem para a cama, os cavaleiros carregaram-na para a torre, despindo-a no caminho e gritando gracejos lascivos. Tyrion poupou-me disso, recordou Sansa. Não teria sido assim tão ruim ser despida para um homem que amasse, por amigos que os amassem a ambos. Mas por Joffrey... Estremeceu.

A tia só tinha trazido três senhoras consigo, por isso insistiram com Sansa para que ajudasse a despir Lorde Petyr e a empurrá-lo para a sua cama de núpcias. Ele submeteu-se com boa vontade e uma língua maliciosa, devolvendo o que recebia. Quando o conseguiram pôr dentro da torre e fora da roupa, as outras mulheres estavam coradas, com cordões soltos, vestidos tortos, saias em desarranjo. Mas Mindinho só sorria a Sansa enquanto o levavam para o quarto onde a senhora sua esposa esperava.

A Senhora Lysa e o Lorde Petyr tinham o quarto do terceiro andar para si, mas a torre era pequena... e cumprindo a promessa que havia feito, a tia gritou. Tinha começado a chover lá fora, levando os convivas para o salão um piso mais abaixo, e assim ouviram quase todas as palavras.

– Petyr – gemeu a tia de Sansa. – Oh, Petyr, Petyr, querido Petyr, oh oh oh. Aí, Petyr, aí. É aí o seu lugar. – O cantor da Senhora Lysa lançou-se numa versão lasciva de “O jantar da senhora”, mas nem mesmo a sua voz e o som do instrumento foram capazes de abafar os gritos de Lysa. – Faça-me um bebê, Petyr – gritou –, faça-me outro bebezinho, querido. Oh, Petyr, meu precioso, meu precioso, PEEEEEEEEEETYR! – O último guincho foi tão alto que pôs os cães para ladrar, e duas das damas da tia quase não conseguiram conter o riso.

Sansa desceu a escada e penetrou na noite. Caía uma chuva ligeira sobre os restos do banquete, mas o ar tinha um cheiro fresco e limpo. A memória da sua noite de núpcias com Tyrion não a deixava. “No escuro, sou o Cavaleiro das Flores”, ele tinha dito. “Poderia ser bom para você.” Mas aquela foi apenas mais uma mentira Lannister. “Um cão consegue farejar uma mentira, sabe?”, disse-lhe um dia o Cão de Caça. Quase conseguia ouvir a aspereza rude de sua voz. “Olhe em volta e dê uma boa fungadela. Aqui são todos mentirosos... e todos eles são melhores do que você.” Perguntou a si mesma o que teria acontecido a Sandor Clegane. Saberia que Joffrey tinha sido morto? Será que se importaria? Durante anos, ele fora o escudo juramentado do rei.

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