— Eu bem que poderia aproveitar o salário, senhor, se não também o posto mesmo que em caráter temporário.

— É o que todos nós gostaríamos. Venha também, Phillip.

Eles seguiram-no, Marlowe por último. Antes de deixar a ponte de comando, Marlowe chamou seu imediato e ordenou:

— Quero a casa de máquinas pronta para uma partida súbita, todos os canhões limpos, oleados e preparados, a tripulação pronta para assumir os postos de combate.

Foram sentar no camarote pequeno e austero, com um beliche, banheiro particular e uma mesa de cartas.

— O que houve, Jamie?

— Primeiro, Sir William, o tai-pan e todos os outros mercadores querem lhe dar os parabéns por uma reunião bem-sucedida.

— Obrigado. Qual é o problema?

— No início desta manhã, um japa tentou entrar no quarto de Angelique, na legação francesa, e foi morto pelas sentinelas. O Dr. Hoag e o Dr. Babcott...

— Deus Todo-Poderoso, ela ficou ferida?

Para alívio de todos, Jamie sacudiu a cabeça.

— Não, senhor. Ela diz que ouviu-o mexendo na janela e desatou a gritar...

— E havia alguém ali, como na última vez! — exclamou Tyrer. — Não era apenas o vento sacudindo a janela!

— É o que nos sentimos propensos a pensar — disse Jamie. — Babcott e Hoag foram chamados... ela se encontrava em estado de choque, não ferida, como já ressaltei, mas não parava de tremer. Os dois deram uma olhada no morto, e Hoag confirmou sem hesitação que era o mesmo homem que operara em Kanagawa...

Phillip Tyrer soltou um murmúrio de espanto, e Marlowe fitou-o, enquanto Jamie continuava:

—... e desconfiamos ter sido um dos assassinos de Canterbury, o mesmo que pode ter aparecido em nossa legação em Kanagawa, e que o capitão Marlowe e Pallidar tentaram capturar.

— Essa não! — Sir William olhou para Tyrer, que empalidecera. — Será que pode identificá-lo, Phillip?

— Não sei... acho que não. Talvez Malcolm possa, mas não tenho certeza.

A mente de Sir William já se projetara além do fato: Se é o mesmo nome então é provável que os dois assassinos estejam mortos; e como isso afeta nossa exigência de indenização?

— Na legação francesa, hem? É espantoso que tenham morto o patife, a segurança deles é abominável, e a mira dos soldados, ainda pior. Mas por que o homem foi até lá? Estava atrás de Angelique ou de quê?

— Não temos a menor idéia, senhor. Também descobrimos que era católico... ou pelo menos usava uma cruz. O que...

— Isso é muito estranho. Mas... espere um pouco. Angelique estava lá? Pensei que ela havia retornado ao prédio da Struan.

— E tinha, mas seus aposentos foram atingidos pelo fogo. Esqueci de mencionar, senhor, que depois do terremoto tivemos um pequeno incêndio, o que também aconteceu com Norbert. A...

— Alguém saiu ferido?

— Não, senhor, graças a Deus, nem em qualquer outra parte da colônia, pelo que sabemos. Os franceses ofereceram-lhe acomodações, mas...

— Malcolm Struan também se hospedou lá?

Jamie suspirou pelas contínuas interrupções.

— Não, senhor. Ele ficou em nosso prédio.

— Neste caso, vocês não devem ter sofrido grandes danos.

— Não, senhor, felizmente. Também não houve grandes danos no resto da colônia, embora Norbert tenha perdido quase todo o seu andar superior.

— O que deve tê-lo deixado satisfeito. Muito bem, a moça nada sofreu e o atacante morreu; qual o motivo da confusão?

— É o que estou tentando explicar, senhor.— Jamie passou a falar depressa, recusando-se a permitir desta vez que Sir William o interrompesse com qualquer pergunta. — Alguns idiotas na cidade dos bêbados, ajudados, lamento dizê-lo, por alguns dos nossos mais estúpidos mercadores, concluíram que todos os japoneses na aldeia eram responsáveis, e há cerca de duas horas formou-se uma turba que começou a surrar todos os que conseguiam encontrar, o que atraiu os samurais, furiosos. Os soldados e pessoal da marinha os confrontaram, e agora nos encontramos num impasse, os dois lados armados, reforçados, tornando-se mais ameaçadores a cada minuto, com a presença de uma parte de nossa cavalaria, o general no comando, ansioso em dar a ordem para uma carga, como a da brigada ligeira em Balaclava.

Mas que idiota! — pensou Sir William.

— Vou desembarcar imediatamente.

— Mandarei um destacamento de fuzileiros acompanhá-lo, senhor — anunciou Marlowe. — Ordenança!

A porta do camarote foi aberta no mesmo instante.

— Pois não, senhor?

— Quero o capitão dos fuzileiros e um destacamento de dez homens, com um sinaleiro, no convés principal o mais depressa possível! — Para Jamie, Marlowe acrescentou: — Qual é o local exato da confusão?

— Na extremidade sul da aldeia, perto da terra de ninguém.

— Sir William, ficarei de prontidão, perto do local. Qualquer problema, use meu sinaleiro, e poderá dispor de uma barragem de artilharia.

— Obrigado, mas duvido que venha a precisar de apoio naval.

Jamie interveio:

— Outro problema é...

— Conte-me quando estivermos no cúter. — Sir William já se encaminhava para o convés principal. — Seguiremos no seu, que é mais rápido. Vamos para o atracadouro na cidade dos bêbados.

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