Aquelas voltas e rodeios, riscos e manobras, uma palavra errada podendo ser fatal, eram mais emocionantes do que o melhor jogo de pôquer de que ele já participara, com as apostas mais altas. Ela. Ela e o futuro dele, indissolúveis. E ela conta com a maioria dos ases, disse ele a si mesmo, embora não saiba: a concordância imediata de Angelique com as exigências, por persuasão dele, deixaria Tess mais propícia do que nunca a aceitá-lo como aliado, o que era vital para seu futuro; os cinco mil guinéus o ajudariam a consolidar a Rothwell-Gornt; seu veneno garantiria a destruição de Tess.

— Eu a amo e quero casar com você, Angelique.

— É muito cedo para dar uma resposta.

— Não concordo. Você é livre, sem qualquer compromisso.

— Porque não sou casada, e nunca fui?

— Acalme-se, meu bem. Precisa pensar com toda calma. Somos adultos, tenho o direito de perguntar, amo você, e quero casar.

Angelique baixou os olhos e reconheceu que precisava dele, era o único que podia protegê-la de Tess.

— Desculpe... a carta me deixou transtornada. Mas, realmente, ainda é muito cedo para dar uma resposta.

— Não concordo. Acho que você me ama, a promessa poderia ser particular, sem mais ninguém saber, só entre nós. Eu a amo e formaríamos um casal excepcional. — Gornt falava com absoluta sinceridade. — O futuro será vasto para nós, depois que isto... — Ele apontou para a carta. —... depois que isto não mais ameaçá-la. Temos muito em comum, assim como um objetivo comum, o de destruir nossa inimiga, com calma.

— Não o amo. Gosto de você, imensamente, talvez... talvez possa vir a amá-lo, com o tempo, e tentaria, se... se casasse com você... não, não se mexa, deixe-me terminar.

Seus dedos mexiam numa fivela de pérolas, que comprara na aldeia, e isso a lembrou que agora, já que MacStruan não mais aceitaria seus vales restantes, era a única jóia que ainda possuía, além do anel de noivado e do anel de jade. E André tornaria a procurá-la naquela tarde. Ela relegou essa preocupação para mais tarde e tratou de se concentrar. Curioso que Edward tenha a mesma idéia que eu. Pensamos igual, em muitas coisas.

— Prefiro deixar essa resposta para depois. Quando parte o próximo navio para Hong Kong?

— O melhor e o mais rápido seria o que vai zarpar amanhã de noite, o Atlant Belle, da Cooper-Tillman, direto para Hong Kong e depois San Francisco. — respondeu Gornt sem hesitar, as chegadas e partidas de todos os navios ocupando uma posição de destaque na mente de qualquer mercador. — Chegará a Hone Kong antes do nosso clíper, o Night Witch... que só deve chegar aqui dentro de três dias.

— E você gostaria de viajar no Atlanta Belle?

— Isso mesmo.

— Muito bem, Edward, vamos conversar sobre o que você acha que pode ser melhorado na proposta daquela mulher amanhã de manhã. Isso me daria tempo para pensar. Se concordarmos, então, por favor, siga o mais depressa possível para Hong Kong... e volte depressa.

— Combinado. Mas sua resposta ao meu pedido de casamento?

— Eu a darei quando você voltar.

— Preciso saber antes de partir.

— Por quê?

— Para o meu prazer.

Angelique percebeu o mesmo sorriso estranho e se perguntou o que havia por trás.

— Falando sério, por quê?

Gornt levantou-se, parou diante dela.

— Porque é vital para mim. Se casar comigo, o céu é o limite. Vai adorar Xangai, é a maior cidade da Ásia, faz com que Hong Kong pareça um lugar tacanho e atrasado, você será o grande sucesso da cidade e viverá feliz para sempre, eu prometo. E agora, por favor, quero sua promessa.

— Prometo que darei minha resposta quando você voltar. Deve haver confiança entre nós. — Angelique lembrou que dissera a mesma coisa a Tess. — Quando você voltar.

— Lamento, minha cara Angelique, mas preciso saber antes de partir.

— Ou não vai negociar com Tess por mim?

Ele não respondeu no mesmo instante.

— Negociarei por você. E gostaria de me casar amanhã, esta noite... não tem nada a ver com Tess. Mas não é possível partir sem uma resposta.

Gornt chegou mais perto, pôs as mãos nos ombros de Angelique, beijou-a na ponta do nariz.

Jolie mademoiselle, uma resposta, por favor? Até o pôr-do-sol de amanhã? Terei de embarcar então. Uma resposta, perante Deus.

Naquela tarde, a notícia sobre Katsumata e o suicídio de Meikin foi transmitida a Raiko, em seus aposentos particulares. Ela desmaiou. Quando começou a se recuperar, mandou uma criada pedir a Hiraga que localizasse Akimoto e Takeda, com toda urgência, e viessem procurá-la, pois havia fatos terríveis a relatar. Eles não demoraram a aparecer.

Chorando sem qualquer constrangimento, retorcendo as mãos, ela informou nue Yoshi capturara Katsumata, falou sobre a morte dele e a de Meikin. a mama-san de Koiko, mas não revelou que fora ela quem o traíra.

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