- Ontem, entretanto, quando estava pensando em fechar o escritório, meu empregado entrou para dizer que um cavalheiro queria falar comigo sobre um trabalho. Trouxe um cartão com o nome de "Coronel Lysander Stark" impresso. Logo em seguida veio o próprio Coronel, um homem bastante alto e extremamente magro. Acho que nunca vi um homem tão magro assim. 0 rosto se resumia em nariz e queixo e a pele das faces estava esticada sobre os ossos protuberantes. No entanto, essa magreza parecia coisa natural e não fruto de alguma doença, pois seus olhos eram brilhantes, seus movimentos cheios de energia e sua postura confiante. Estava vestido sobriamente e julguei que deveria ter uns quarenta anos.

- 'Sr. Hatherley?’, indagou, com ligeiro sotaque alemão. "0 senhor foi recomendado, Sr. Hatherley, como sendo uma pessoa eficiente em sua profissão e também ornamente discreto e capaz de guardar um segredo" Cumprimentei-o, sentindo-me lisonjeado com essas palavras, como qualquer rapaz da minha idade. 'Posso indagar quem me recomendou?-, perguntei.

- 'Talvez seja melhor não dizer por enquanto. “A mesma pessoa me informou que o senhor é órfão e solteiro e reside sozinho em Londres.”

- 'Terrivelmente correto’, respondi, "mas permita-me observar que nada disso tem a ver com minha capacidade profissional. Não é sobre um assunto profissional que o senhor quer falar comigo?”.

- "Sem dúvida alguma. Mas o senhor viu que tudo que digo tem uma o de ser. Tenho um trabalho para o senhor, mas é essencial que haja segredo absoluto, entende, segredo absoluto, e naturalmente é mais fácil obter isso de um homem que mora sozinho do que um que reside no seio da família."

- Se prometer guardar segredo, retorquiu, "pode ter certeza absoluta que cumprirei o prometido".

Ele me olhou fixamente enquanto eu falava e me pareceu que nunca vira um olhar tão desconfiado e inquisitivo.

- Então, promete? Perguntou finalmente.

- "Sim, prometo. "

- "Silêncio completo e absoluto, antes, durante e depois? Nenhuma referência ao assunto, nem oral, nem por escrito”?

- "Já lhe dei minha palavra".

- "Muito bem." Levantou-se de repente e, atravessando a sala como um relâmpago, abriu a porta. 0 corredor estava deserto.

- Muito bem, disse, voltando. "Sei que os empregados às vezes ficam curiosos sobre os negócios de seus patrões. Agora podemos falar em segurança". Puxou a cadeira para junto da minha e começou a me fixar novamente com aquele olhar inquisitivo e pensativo.

- Uma sensação de repulsa e alguma coisa semelhante ao medo começou a se apossar de mim, vendo as excentricidades desse homem esquelético. Nem mesmo meu medo de perder um cliente podia me impedir de mostrar minha impaciência.

- Teço-lhe que declare a que veio senhor disse-lhe. "Meu tempo é muito valioso". Deus me perdoe por esta última frase, mas falei sem pensar:

- O que acha de cinqüenta guinéus por uma noite de trabalho? Perguntou.

- “Maravilhoso.”

- "Estou dizendo uma noite de trabalho, mas uma hora seria mais apropriado. Apenas quero sua opinião sobre uma máquina hidráulica de estampar que não está funcionando bem. Se nos mostrar o que está errado, nós mesmos a consertaremos. 0 que acha de uma incumbência dessas?"

- “O trabalho parece ser pouco e a remuneração excelente”.

- Precisamente. Queremos que venha hoje à noite pelo último trem.

- "Aonde?"

- "A Eyford, em Berkshire. É um lugarejo perto da fronteira de Oxfordshire, a dez quilômetros de Reading. Há um trem de Paddington que o deixará lá aproximadamente as onze e quinze".

- "Muito bem."

- "Irei buscá-lo com um carro".

- "Fica longe da estação?".

- "Sim, nossa pequena propriedade fica no meio do mato. São uns dez quilômetros da estação de Eyford".

- "Então não chegaremos antes da meia-noite. Imagino que não há chance nenhuma de um trem de volta. Serei obrigado a passar a noite lá".

Podemos arranjar acomodações para o senhor.

"É um pouco incômodo. Não seria possível ir a uma hora mais conveniente?"

- "Achamos melhor o senhor ir à noite. É para recompensá-lo por qualquer inconveniência que estamos pagando ao senhor, um rapaz jovem e desconhecido, um honorário que compraria a opinião dos maiores de sua profissão. Mas é claro que se o senhor quiser desistir do negócio, tem toda a liberdade".

- Pensei nos cinqüenta guinéus e como me seriam úteis. "De maneira nenhuma", respondi. O maior prazer em fazer o que deseja. Gostaria, entretanto, de entender um pouco melhor o que é exatamente que o senhor quer que eu faça.

- 'Pois não. É muito natural que a promessa de segredo que extraímos' do senhor o faça ficar curioso. Não quero que se comprometa à coisa alguma sem saber do que se trata. Suponho que não haja risco nenhum de alguém nos escutar?

- "Absolutamente."

- "Então é o seguinte. 0 senhor deve saber que greda de um produto valioso e que só é encontrada em um ou dois lugares na Inglaterra, pois não”?

- "Já ouvi dizer".

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