– “E pertence agora à equipe da Mawson?”

– “Exatamente.”

– “Bem, o fato é que ouvi histórias extraordinárias a respeito do seu talento financeiro. Lembra-se de Parker, que foi gerente da Coxon? Ele fala nisso com freqüência.”

– Claro que fiquei satisfeito ao ouvir isto. Sempre fui bastante ativo no escritório, mas nunca imaginei que se comentasse na cidade a meu respeito em termos elogiosos.

– “Tem boa memória?”

– “Razoável”, respondi modestamente.

– “Ficou em contato com o mercado enquanto esteve desempregado?”

– “Claro. Lia diariamente as cotações da Bolsa de Valores.”

– “Isso mostra verdadeira dedicação! É assim que se prospera! Importa-se que eu faça um teste? Vejamos: como estão as ?”– “Entre 106 e 105 e 1/4.”

–“E a – “104.”

– “E a ”

– “Entre 7 e 7,6.”

– “Maravilhoso!”, exclamou, com um gesto exuberante. “Isto comprova tudo o que me disseram. Rapaz, você é bom demais para ser um simples corretor da Mawson!”

– Isso me surpreendeu, como vocês podem imaginar. Eu disse:

– “Tem gente que não pensa exatamente como o senhor. Foi com muita dificuldade que consegui o emprego e estou muito satisfeito com ele.”

– “Ora, rapaz, voe mais alto. Não está no seu verdadeiro elemento. Vou dizer o que penso a respeito. O que tenho a oferecer é pouco diante da sua capacidade, mas comparado ao que lhe oferece a Mawson, é como a noite para o dia. Vejamos! Quando começará a trabalhar lá?”

– “Na segunda-feira.”

– “Vou arriscar uma pequena aposta: você não irá para lá.”

– “Não vou trabalhar na Mawson?”

– “Não, senhor. Nesse dia será o gerente-financeiro da Companhia Franco-Midland Hardware Ltda., com 134 filiais em cidades e aldeias da França, sem contar uma em Bruxelas e outra em San Remo.”

– Aquilo me tirou o fôlego.

– “Nunca ouvi falar nessa companhia”, respondi.

– “É bem provável. O negócio funciona discretamente porque o capital é inteiramente privado e a coisa é atraente demais para ser aberta ao público. Meu irmão, Harry Pinner, é o responsável e tem o cargo de diretor-gerente. Ele sabia que eu tinha conhecimento do meio aqui na cidade e pediu-me que escolhesse um bom elemento, um rapaz decidido, cheio de vigor. Parker falou-me a seu respeito e é por isso que estou aqui. Só podemos oferecer-lhe uns míseros 500 para começar...”

– “Quinhentos por ano!”, exclamei.

– “Só para começar, mas ganhará uma comissão de 1% sobre o total dos negócios realizados pelos nossos agentes e garanto-lhe que o montante será superior ao seu salário.”

– “Mas eu não sei nada sobre o comércio de ferragens.”

– “Ora, rapaz, você entende de finanças.”

– Eu estava tonto, mal conseguia ficar sentado na cadeira. Mas, de repente, ocorreu-me uma dúvida.

– “Serei franco”, eu disse. “A Mawson ofereceu-me apenas 200, mas representa segurança. Além disso, sei tão pouco a respeito de sua companhia que...”

– “Ah! rapaz esperto!”, ele exclamou, encantado. “É exatamente a pessoa que procuramos! Não se deixa convencer logo de saída e tem toda razão. Aqui está uma nota de 100 libras. Se achar que podemos trabalhar juntos, guarde-a no bolso como adiantamento de salário.”

– “É uma bela quantia. Quando devo assumir o cargo?”

– “Esteja em Birmingham amanhã às 13 horas. Tenho aqui no bolso um bilhete que deverá entregar ao meu irmão. Você o encontrará na Corporation Street, 126-B, onde estão localizados os escritórios provisórios da firma. É claro que ele precisa confirmar o seu contrato. Mas, cá entre nós, tudo correrá bem.”

– “Não sei como agradecer, sr. Pinner.”

– “Nem pense nisso, meu rapaz. Você merece. Há dois pequenos detalhes, simples formalidades, que preciso acertar com você. Tem papel por aí? Escreva, por favor: ‘Estou inteiramente disposto a trabalhar como gerente-financeiro da Companhia Franco-Midland Hardware Ltda., pelo salário de quinhentas libras’.”

– Fiz o que ele pediu e o sr. Pinner guardou o papel no bolso.

– “Mais um detalhe. O que pretende fazer a respeito do emprego na Mawson?”

– Estava tão contente que já tinha esquecido da Mawson.

– “Vou escrever dizendo que desisto.”

– “É exatamente o que não quero que faça. Tive uma discussão a seu respeito com o gerente da Mawson. Fui até lá para indagar a seu respeito e ele teve uma atitude muito grosseira, acusando-me de afastá-lo da firma etc. Acabei perdendo a paciência. ‘Se querem bons elementos, precisam pagar à altura’, eu disse. ‘Ele vai preferir o nosso pequeno salário à sua remuneração exagerada’, replicou o gerente. ‘Aposto 5 que ele aceitará a minha oferta e vocês nunca mais ouvirão falar nele’. ‘Combinado! Nós o tiramos da sarjeta e ele não nos deixará com tanta facilidade’. Foi exatamente o que ele disse.”

– “Que miserável!”, exclamei. “Nunca o vi na minha vida. Por que daria preferência a ele? Não escreverei coisa alguma, se preferir assim.”

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