Ela deu a ordem, embora tivesse sido obrigada a levantar a voz para ser ouvida por cima do burburinho do torneio. Sor Colen levou o cavalo lentamente pela mão através da multidão, com Catelyn montada logo atrás. Um rugido subiu da multidão quando um homem de barba vermelha, sem capacete e um grifo no escudo, caiu perante um grande cavaleiro revestido de armadura azul. O aço que usava era de um cobalto profundo, assim como a maça de guerra que manejava com efeitos mortíferos, e os arreios da montaria exibiam a heráldica esquartelada do sol e da lua da Casa Tarth.
– Malditos sejam os deuses, Ronnet Vermelho caiu – praguejou um homem.
– Loras vai tratar desse azul… – respondeu um companheiro, antes que um rugido abafasse o resto das suas palavras.
Outro homem estava no chão, preso por baixo do seu cavalo ferido, ambos gritando de dor. Escudeiros apressaram-se para ajudá-los.
Os senhores e senhoras na galeria estavam tão absortos na luta como os homens no terreno. Catelyn observou-os bem. Seu pai tratara com frequência com os senhores do sul, e não tinham sido poucos os que visitaram Correrrio. Reconheceu Lorde Mathis Rowan, mais corpulento e florido que nunca, com a árvore dourada da sua Casa desenhada no gibão branco. Abaixo dele encontrava-se a Senhora Oakheart, minúscula e delicada, e à sua esquerda Lorde Randyll Tarly, de Monte Chifre, com a espada longa, Veneno do Coração, apoiada no encosto da cadeira. Outros ela conhecia apenas pelos símbolos, e alguns lhe eram quase estranhos.
No meio, observando e rindo com sua jovem rainha ao lado, estava um fantasma com uma coroa dourada.
O veado coroado também decorava a túnica de veludo do rei, bordado em fios de ouro no peito; o símbolo Baratheon nas cores de Jardim de Cima. A moça que dividia o cadeirão com ele também era de Jardim de Cima, sua jovem rainha, Margaery, filha de Lorde Mace Tyrell. Catelyn sabia que aquele casamento era a argamassa que mantinha unida a grande aliança do sul. Renly tinha vinte e um anos, e a moça não era mais velha do que Robb, muito bonita, com suaves olhos de corça e uma crina de cabelo castanho encaracolado que caía sobre seus ombros em largos anéis. Seu sorriso era tímido e doce.
No campo, outro homem foi derrubado pelo cavaleiro do manto de arco-íris listrado, e o rei gritou de satisfação, como todos os outros. “
Catelyn virou-se para ver o fim da luta. Só restavam agora quatro homens, e havia poucas dúvidas quanto a quem era o favorito do rei e dos plebeus. Não conhecera Sor Loras Tyrell, mas, mesmo no longínquo norte, ouviam-se histórias sobre a maestria do jovem Cavaleiro das Flores, que agora montava um garanhão branco e alto revestido de cota de malha prateada e lutava com um machado de cabo longo. Uma crista de rosas douradas corria pelo meio do seu elmo.
Dois dos outros sobreviventes tinham se alinhado. Esporearam as montarias na direção do cavaleiro da armadura de cobalto. Enquanto se aproximavam de ambos os lados, o cavaleiro azul puxou as rédeas com força, atingindo um homem em cheio no rosto com seu escudo rachado, enquanto seu cavalo negro de batalha escoiceava o outro com um casco calçado de aço. Num piscar de olhos, um combatente foi derrubado do cavalo e o outro ficou cambaleando no seu. O cavaleiro azul deixou seu escudo partido cair no chão para liberar o braço esquerdo, e, então, o Cavaleiro das Flores caiu sobre ele. O peso do aço que usava parecia quase não diminuir a graça e a rapidez com que Sor Loras se movia, com o manto de arco-íris rodopiando atrás de si.