Catelyn quase não conseguia imaginar o que poderia necessitar que já não tivesse sido providenciado. O pavilhão era maior do que as salas comuns de muitas estalagens e estava provido de todos os confortos: um colchão de penas e peles para dormir, uma banheira de madeira e cobre com tamanho suficiente para duas pessoas, braseiros para manter afastado o frio da noite, cadeiras de acampamento em couro, uma mesa de escrever com penas e um frasco de tinta, tigelas de pêssegos, ameixas e peras, um jarro de vinho com um conjunto de taças de prata condizente, arcas de cedro cheias com a roupa de Renly, livros, mapas, tabuleiros de jogo, uma harpa, um grande arco e uma aljava de flechas, um par de falcões de caça de cauda vermelha, um verdadeiro depósito de armas de boa qualidade.
Ao lado da entrada, a armadura do rei mantinha-se de sentinela; uma armadura de aço verde-bandeira, as presilhas entalhadas em ouro, e o elmo coroado por uma grande armação dourada. O aço estava de tal modo polido, que podia ver seu reflexo na placa de peito, olhando-a como que do fundo de uma profunda lagoa verde.
Sor Wendel Manderly, Lucas Blackwood, Sor Perwyn Frey e o resto dos seus companheiros nobres acompanharam-na ao castelo. O grande salão da fortaleza de Lorde Caswell era grande apenas por cortesia, mas encontrou-se espaço nos bancos apinhados para os homens de Catelyn, entre os cavaleiros de Renly. A Catelyn foi atribuído um lugar no estrado entre a cara vermelha de Lorde Mathis Rowan e a simpatia de Sor Jon Fossoway, dos Fossoway da maçã verde. Sor Jon fez gracinhas, enquanto Lorde Mathis inquiriu delicadamente a respeito da saúde do seu pai, irmão e filhos.
Brienne de Tarth tinha sido colocada na ponta mais distante da mesa principal. Não se vestia como uma senhora; em vez disso, escolhera os adornos de um cavaleiro, um gibão de veludo esquartelado de rosa e azul, calções e botas e um cinto de espada bem trabalhado, com seu novo manto arco-íris fluindo pelas costas. Mas nenhum traje podia disfarçar sua falta de atrativos; as enormes mãos sardentas, o rosto largo e achatado, a saliência dos seus dentes. Sem armadura, seu corpo parecia desajeitado, com quadris largos e membros grossos, ombros curvados e musculosos, mas sem seios que valessem a pena mencionar. E era claro por tudo o que fazia que Brienne sabia e sofria com isso. Falava apenas em resposta a alguém e raramente levantava os olhos da comida.
Comida havia, sim, com fartura. A guerra não tocara a fabulosa fartura de Jardim de Cima. Enquanto cantores cantavam e acrobatas faziam acrobacias, começaram por pêssegos embebidos em vinho e passaram a minúsculos e saborosos peixes passados no sal e assados até ficarem crocantes e capões recheados com cebolas e cogumelos. Havia grandes pães marrons, montes de nabos, milho doce e ervilhas, imensos presuntos, gansos assados e tabuleiros abarrotados de veado guisado com cerveja e cevada. Para a sobremesa, os criados de Lorde Caswell trouxeram bandejas de doces das cozinhas do seu castelo, cisnes de creme e unicórnios de algodão doce, bolos de limão em forma de rosas, biscoitos de mel com especiarias, tortas de amoras silvestres e de maçã e queijos amanteigados.
A comida rica deixou Catelyn enjoada, mas não seria bom mostrar fragilidade quando tantas coisas dependiam da sua força. Comeu frugalmente, enquanto observava aquele homem que queria ser rei. Renly tinha a jovem noiva sentada à sua esquerda e o irmão dela à direita. Fora a atadura de linho branco que usava em volta da cabeça, Sor Loras não parecia ter sofrido nada com as desventuras do dia. Era de fato tão bonito como Catelyn suspeitara que poderia ser. Quando não estavam vidrados, seus olhos eram vivos e inteligentes, e o cabelo, um despretensioso emaranhado de caracóis castanhos que muitas donzelas teriam invejado. Tinha trocado o esfarrapado manto do torneio por um novo; a mesma seda brilhantemente listrada da Guarda Arco-Íris de Renly, presa com a rosa dourada de Jardim de Cima.
De tempos em tempos, Rei Renly dava de comer a Margaery algum pedaço especial, com a ponta da adaga, ou se inclinava para colocar o mais leve dos beijos no seu rosto, mas era com Sor Loras que dividia a maior parte dos gracejos e confidências. O rei apreciava sua comida e bebida, era evidente, mas não parecia glutão nem bêbado. Ria com frequência e bastante e falava amigavelmente, quer aos senhores nobres, quer às humildes moças de servir.