Tyrion jogou a cabeça para trás e desatou a gargalhar. Os dois riram juntos. Cersei arrancou-o da cama e rodopiou com ele, e até o abraçou, por um momento, insensata como uma menina. Quando o largou, Tyrion estava sem fôlego e tonto. Cambaleou até o aparador e estendeu uma mão para se firmar.
– Crê que chegarão a travar uma batalha entre si? Se chegarem a algum acordo…
– Não chegarão – Tyrion afirmou. – São diferentes demais, e ao mesmo tempo muito parecidos, e nenhum jamais suportou o outro.
– E Stannis sempre se sentiu espoliado de Ponta Tempestade – Cersei disse, pensativa. – A sede ancestral da Casa Baratheon, legitimamente sua… Se soubesse quantas vezes foi até Robert para cantar essa canção tediosa naquele tom sombrio e ofendido que tem. Quando Robert deu o lugar a Renly, Stannis apertou tanto os dentes que pensei que fossem se estilhaçar.
– Encarou isso como uma desfeita.
– Foi pensado como uma desfeita – Cersei afirmou.
– Fazemos um brinde ao amor fraternal?
– Sim – ela respondeu, sem fôlego. – Oh, deuses, sim.
Estava de costas para ela enquanto enchia duas taças com tinto doce da Árvore. Foi a coisa mais fácil do mundo polvilhar a dela com uma pitada de pó fino.
– A Stannis! – ele exclamou ao entregar-lhe o vinho.
– A Renly! – ela respondeu, rindo. – Que batalhem longa e duramente, e que os Outros carreguem ambos!
Foi na manhã seguinte, enquanto Tyrion tomava o desjejum, que o mensageiro dela chegou. A rainha sentia-se indisposta, e não seria capaz de sair de seus aposentos.
O Trono de Ferro de Aegon, o Conquistador, era um emaranhado de farpas perigosas e dentes irregulares de metal à espera de qualquer tolo que tentasse se sentar com excessivo conforto, e os degraus enchiam suas pernas atrofiadas de cãibras enquanto subia, consciente demais do espetáculo absurdo que aquilo devia constituir. Mas havia uma coisa a dizer em seu favor. Era
Guardas Lannister estavam a postos e em silêncio nos seus mantos carmesim e meios elmos encimados por leões. Os homens de manto dourado de Sor Jacelyn defrontavam-nos do outro lado do salão. Os degraus até o trono eram flanqueados por Bronn e Sor Preston, da Guarda Real. Os cortesãos enchiam a galeria, ao passo que os suplicantes se aglomeravam perto das grandes portas de carvalho e bronze. Sansa Stark estava particularmente linda naquela manhã, embora seu rosto se mostrasse pálido como leite. Lorde Gyles tossia, enquanto o pobre primo Tyrek vestia sua capa de noivo de pele de esquilo e veludo. Desde seu casamento com a pequena Senhora Ermesande, três dias antes, os outros escudeiros tinham começado a chamá-lo de “Ama de Leite”, perguntando-lhe que tipo de cueiros sua noiva usara na noite de núpcias.
Tyrion olhou todos de cima, e descobriu que gostava.
– Chamem Sor Cleos Frey – sua voz ressoou nas paredes de pedra e ao longo do salão. Também gostou disso.
Sor Cleos fez a longa caminhada entre os homens de manto dourado e os de carmim, sem olhar para os lados. Quando se ajoelhou, Tyrion reparou que o primo estava perdendo o cabelo.
– Sor Cleos – disse Mindinho, da mesa do conselho –, tem os nossos agradecimentos por nos trazer esta oferta de paz de Lorde Stark.
O Grande Meistre Pycelle pigarreou:
– A Rainha Regente, a Mão do Rei e o pequeno conselho refletiram sobre os termos apresentados por este autoproclamado Rei do Norte. Infelizmente, eles não servirão, e você terá de dizer isso a esses nortenhos, sor.
– Eis os
Cleos Frey fez uma expressão agoniada:
– Senhor Mão, Lorde Stark nunca aceitará esses termos.