– Apenas uma tímida donzela – a mão de Asha dardejou sob a mesa e deu um apertão no seu sexo. Theon quase saltou da cadeira. – O quê? Não quer que o conduza para o porto, irmão?

– O casamento não é para você – decidiu Theon. – Quando eu governar, acho que a mandarei para as irmãs silenciosas – ficou em pé e foi embora, um pouco desequilibrado, em busca do pai.

Chovia quando chegou à ponte oscilante que levava à Torre do Mar. Seu estômago estava agitado e batendo como as ondas lá embaixo, e o vinho tinha deixado seus pés pouco firmes. Theon rangeu os dentes e agarrou-se bem à corda ao longo da travessia, fazendo de conta que era o pescoço de Asha que estava apertando.

O aposento privado estava muito úmido e cheio de correntes de ar como sempre. Enterrado em seu roupão de pele de foca, seu pai encontrava-se sentado à frente do braseiro, ladeado pelos irmãos. Victarion falava de ventos e marés quando Theon entrou na sala, mas Lorde Balon fez-lhe sinal para que se calasse.

– Já fiz meus planos. É hora que os ouçam.

– Eu tenho algumas sugestões…

– Quando eu precisar do seu conselho, vou pedi-lo – respondeu seu pai. – Chegou-nos uma ave de Velha Wyk. Dagmer está a caminho com os Drumm e os Stonehouse. Se o deus nos der bons ventos, zarparemos quando eles chegarem… Você zarpará. Quero que dê o primeiro golpe, Theon. Levará oito dracares para norte…

Oito? – seu rosto ficou vermelho. – O que posso esperar conseguir com apenas oito dracares?

– Deverá assolar a Costa Rochosa, saqueando as aldeias de pescadores e afundando qualquer navio que possa encontrar. Pode ser que faça com que alguns dos senhores do norte saiam das suas muralhas de pedra. Aeron vai acompanhá-lo, bem como Dagmer Boca Rachada.

– Que o Deus Afogado abençoe nossas espadas – o sacerdote se manifestou.

Theon sentiu-se como se lhe tivessem dado um tabefe. Estavam mandando que fizesse trabalho de salteador, queimando os casebres dos pescadores e estuprando suas feias filhas, e mesmo assim parecia que Lorde Balon não confiava nele o suficiente até para fazer isso. Já era ruim o bastante ter de aguentar as sobrancelhas franzidas e as reprimendas do Cabelo-Molhado. Com Dagmer Boca Rachada junto, seu comando seria puramente nominal.

– Asha, minha filha – prosseguiu Lorde Balon, e Theon virou-se para ver que a irmã tinha entrado em silêncio na sala. – Você leva trinta dracares com homens escolhidos para lá da Ponta do Dragão Marinho. Desembarque nas planícies de maré a norte de Bosque Profundo. Marche rapidamente, e o castelo pode cair antes mesmo que saibam que está atacando.

Asha sorriu como um gato diante do leite.

– Sempre quis um castelo – ela respondeu, com voz doce.

– Então tome um.

Theon teve de morder a língua. Bosque Profundo era a fortaleza dos Glover. Com Robett e Galbart guerreando no sul, estaria fracamente defendido, e uma vez tomado o castelo, os homens de ferro teriam uma base segura no coração do norte. Devia ser eu o enviado para tomar Bosque Profundo. Ele conhecia Bosque Profundo, tinha visitado os Glover várias vezes com Eddard Stark.

– Victarion – disse Lorde Balon ao irmão –, o ataque principal caberá a você. Quando meus filhos tiverem dado seus golpes, Winterfell terá de responder. Deverá encontrar pouca oposição enquanto subir a Lança de Sal e o Rio Febre. Na nascente estará a menos de vinte milhas de Fosso Cailin. O Gargalo é a chave do reino. Já dominamos os mares ocidentais. Uma vez que estivermos na posse de Fosso Cailin, o filhote não será capaz de reconquistar o Norte… E, se for suficientemente louco para tentar, seus inimigos selarão a extremidade sul do talude nas suas costas, e Robb, o Rapaz, se verá encurralado como uma ratazana numa garrafa.

Theon não conseguiu continuar em silêncio.

– Um plano ousado, pai, mas os senhores nos seus castelos…

Lorde Balon o interrompeu:

– Os senhores foram ao sul com o filhote. Os que ficaram para trás são os covardes, velhos e garotos imaturos. Vão se render, ou cairão um por um. Winterfell pode resistir durante um ano, mas, e daí? O resto será nosso, florestas, campos e palácios, e faremos do povo nossos servos e esposas de sal.

Aeron Cabelo-Molhado ergueu as mãos:

– E as águas da ira vão se erguer, e o Deus Afogado espalhará seu domínio pelas terras verdes!

– O que está morto não pode morrer – Victarion entoou.

Lorde Balon e Asha fizeram coro, e Theon não teve escolha a não ser resmungar as palavras com eles. E então acabou-se.

Lá fora, a chuva caía com mais força do que nunca. A ponte de corda balançava e torcia-se sob seus pés. Theon Greyjoy parou no meio do caminho e contemplou as rochas lá embaixo. O ruído das ondas era um rugido esmagador, e sentia o sal nos lábios. Uma súbita rajada de vento fez com que perdesse o equilíbrio, e caiu de joelhos.

Asha ajudou-o a ficar em pé.

– Também não consegue aguentar o vinho, irmão.

Theon apoiou-se no ombro dela e a deixou guiá-lo pelas tábuas escorregadias da chuva.

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