– Talvez ainda veja, irmãozinho… Se acha que sua
Theon corou.
– Vinho – ele disse ao servo. Asha virou a cabeça e bateu na mesa, gritando por cerveja.
Theon partiu um pão ao meio, tirou uma côdea do miolo e chamou um cozinheiro para enchê-la com guisado de peixe. O cheiro do molho espesso o deixou um pouco agoniado, mas forçou-se a comer alguma coisa. Tinha bebido vinho suficiente para continuar flutuando ao longo de duas refeições.
– O pai sabe que se casou com aquele carpinteiro? – perguntou à irmã.
– Não mais do que Sigrin – ela encolheu os ombros. –
– Cada palavra que me disse foi uma mentira.
–
Isso só o irritou mais.
– Toda aquela conversa sobre ser uma mulher casada e recém-engravidada…
– Ah, essa parte é bem verdadeira – Asha pôs-se em pé de um salto. – Rolfe, aqui – gritou para um dos dançarinos dos dedos, erguendo uma mão. Ele a viu, rodopiou, e de repente um machado levantou voo da sua mão, com a lâmina cintilando enquanto rodopiava à luz dos archotes. Theon teve tempo apenas para se sobressaltar antes de Asha roubar o machado do ar e atirá-lo à mesa, quebrando seu tabuleiro ao meio e respingando o conteúdo sobre o manto dele. – Este é o senhor meu esposo – a irmã de Theon enfiou a mão no vestido e puxou um punhal de entre os seios. – E este é o meu querido bebê de peito.
Theon Greyjoy não conseguiria imaginar sua cara naquele momento, mas subitamente percebeu que o Grande Salão ressoava com gargalhadas, todas à sua custa. Até o pai sorria, malditos fossem os deuses, e tio Victarion ria em voz alta. A melhor resposta que conseguiu arranjar foi um esgar enjoado.
Asha arrancou o machado da mesa e voltou a atirá-lo aos dançarinos, por entre assobios e sonoros vivas.
– Faria bem em prestar atenção ao que lhe disse sobre a escolha de uma tripulação – um servo ofereceu-lhes uma bandeja; ela apunhalou um peixe salgado e o comeu diretamente da ponta da adaga. – Se tivesse se incomodado em aprender alguma coisa a respeito de Sigrin, nunca teria se enganado. Um lobo durante dez anos, e desembarca aqui pensando que reina sobre as ilhas, mas não conhece nada nem ninguém. Por que os homens iriam lutar e morrer por você?
– Sou seu legítimo príncipe – Theon respondeu rigidamente.
– Segundo as leis das terras verdes, pode ser que seja. Mas nós aqui fazemos nossas próprias leis, ou será que se esqueceu?
De cara fechada, Theon virou-se para contemplar o tabuleiro que derramava líquido à sua frente. Não tardava, poderia ter guisado caindo no seu colo. Gritou por um servo que limpasse tudo aquilo.
O banquete foi uma coisa bastante pobre, uma sucessão de guisados de peixe, pão preto e cabra sem tempero. A coisa mais saborosa que Theon encontrou para comer foi uma torta de cebola. Cerveja e vinho continuaram a fluir bem depois do último dos pratos ter sido levado.
Lorde Balon Greyjoy levantou-se da Cadeira de Pedra do Mar:
– Terminem as suas bebidas e venham até meu aposento privado – ordenou aos que o acompanhavam no estrado. – Temos planos a traçar – deixou-os sem mais uma palavra, flanqueado por dois dos seus guardas. Os irmãos seguiram-no pouco depois. Theon levantou-se para ir atrás deles.
– Meu irmãozinho está com pressa de ir embora – Asha ergueu o corno e gesticulou por mais cerveja.
– O senhor nosso pai está esperando.
– E tem estado, há muitos anos. Não lhe fará mal nenhum esperar um pouco mais… Mas, se teme a sua ira, corra atrás dele, vá. Não deve ter problemas em alcançar nossos tios – ela sorriu. – Afinal, um deles está bêbado de água do mar, e o outro é um grande boi castrado cinza, tão obtuso que provavelmente se perderá.
Theon voltou a se sentar, aborrecido.
– Não corro atrás de homem nenhum.
– De homem nenhum, mas de todas as mulheres?
– Não fui eu quem agarrou o seu pau.
– Não tenho um, lembra? Mas foi bem rápido em agarrar todas as outras partes de mim.
Theon sentiu o sangue subindo ao rosto.
– Sou um homem com os apetites de um homem. Que tipo de criatura desnaturada é você?