A guarita de Harrenhal, tão grande quanto a Grande Fortaleza de Winterfell, era tão marcada quanto imensa, com pedras fissuradas e descoloridas. Do lado de fora, só era possível ver o topo de cinco imensas torres do outro lado da muralha. A menor era vez e meia mais alta do que a mais alta torre de Winterfell, mas não se projetavam como uma torre devia se projetar. Arya pensou que pareciam os dedos deformados e nodosos de um velho tentando agarrar uma nuvem passageira. Lembrou da Ama contando como a pedra derretera e fluíra pelos degraus e para dentro das janelas, como cera de uma vela, brilhando num vermelho soturno de brasa enquanto procurava Harren no seu esconderijo. Arya conseguia acreditar em cada palavra; cada torre era mais grotesca e deformada do que a anterior, grumosa, escorrida e rachada.

– Não quero entrar ali – guinchou Torta Quente quando Harrenhal lhes abriu os portões. – Há fantasmas lá dentro.

Chiswyck ouviu, mas, para variar, limitou-se a sorrir.

– Pequeno pasteleiro, eis a sua escolha. Junte-se aos fantasmas ou se transformará em um.

Torta Quente entrou com todos os outros.

Na casa de banhos cheia de ecos, feita de pedra e madeira, os cativos foram despidos e obrigados a escovar-se e raspar-se em banheiras cheias de água escaldante, até ficarem com a pele em carne viva. Duas velhas ferozes supervisionavam o processo, discutindo sem-cerimônia o que fariam com eles, como se fossem burros recém-comprados. Quando chegou a vez de Arya, a Governanta Amabel cacarejou, consternada, ao ver seus pés, ao passo que a Governanta Harra apalpou seus calos nos dedos, conquistados após longas horas de treino com a Agulha.

– Arranjou isto batendo manteiga, aposto – disse. – É cachorrinha de algum agricultor? Bem, não importa, menina, tem uma oportunidade de ganhar um lugar mais elevado neste mundo se trabalhar duramente. Se não, levará pancada. E como é que a chamam?

Arya não se atrevia a dizer seu nome verdadeiro, mas Arry também não servia, era um nome de garoto, e eles podiam ver que ela não era nenhum garoto.

– Doninha – disse, usando o nome da primeira menina em que conseguiu pensar. – Lommy chamava-me de Doninha.

– Entendo por quê – fungou a Governanta Amabel. – Esses cabelos são um horror, um ninho de piolhos. Vamos cortá-los, e depois vai para as cozinhas.

– Preferia cuidar dos cavalos – Arya gostava de cavalos, e se estivesse nos estábulos talvez conseguisse roubar um e fugir.

A Governanta Harra deu-lhe um tabefe com tanta força que seu lábio inchado voltou a se abrir.

– E segure essa língua, ou será pior. Ninguém pediu sua opinião.

O sangue na sua boca tinha gosto de sal e metal. Arya abaixou os olhos e nada disse. Se ainda tivesse a Agulha, ela não se atreveria a me bater, pensou, carrancuda.

– Lorde Tywin e seus cavaleiros têm palafreneiros e escudeiros para cuidar dos cavalos, não precisam de gente como você – disse a Governanta Amabel. – As cozinhas são confortáveis e limpas, e há sempre um fogo quente perto do qual dormir e muito para comer. Podia ter ficado bem lá, mas estou vendo que não é uma menina esperta. Harra, acho que devíamos dá-la a Weese.

– Se acha isso, Amabel – deram-lhe um vestido grosseiro de lã cinza e um par de sapatos que não lhe serviam bem, e mandaram-na embora.

Weese era subintendente para a Torre dos Lamentos, um homem atarracado com o nariz que mais parecia um tumor gangrenoso e carnudo, e um ninho de furúnculos irritados e vermelhos perto de um canto de seus lábios grossos. Arya foi uma de seis prisioneiros que lhe foram enviados. Olhou-os com olhos perspicazes.

– Os Lannister são generosos para os que lhes servem bem, uma honra que ninguém do seu tipo merece, mas na guerra um homem arranja-se com o que tem à mão. Trabalhem duramente, e ponham-se no seu lugar, e pode ser que um dia subam tão alto como eu. Mas, se pensarem em abusar da bondade de sua senhora, vão me encontrar à sua espera depois de o senhor partir, verão – ele caminhou de um lado para o outro diante deles, dizendo-lhes como nunca podiam olhar os fidalgos nos olhos, nem falar antes que falassem com eles, nem atravessar-se no caminho de sua senhoria. – Meu nariz nunca mente – gabou-se. – Consigo cheirar desafio, consigo cheirar orgulho, consigo cheirar desobediência. Se perceber sinal de algum desses fedores, responderão por ele. Quando os farejar, tudo o que quero cheirar é medo

Daenerys

Nas muralhas de Qarth, homens tocavam gongos para anunciar sua chegada, enquanto outros tocavam curiosas trompas que rodeavam seus corpos como grandes serpentes de bronze. Uma coluna de homens montados em camelos saiu da cidade como uma guarda de honra. Os cavaleiros usavam armaduras de cobre, feitas de escamas, e elmos com bocal, presas de cobre e longas plumas de seda negra, e sentavam-se bem alto em selas incrustadas de rubis e granadas. Seus camelos estavam cobertos com mantas de uma centena de tons diferentes.

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