O homem das Ilhas do Verão prometeu que o faria, e deu um suave beijo em seus dedos quando se retirou. Jhiqui mostrou-lhe o caminho, enquanto Sor Jorah Mormont permaneceu com Daenerys.

Khaleesi – disse o cavaleiro quando ficaram a sós –, eu não falaria tão livremente de meus planos se estivesse em seu lugar. Este homem espalhará a história onde quer que vá.

– Que espalhe – Dany respondeu. – Que o mundo inteiro conheça as minhas intenções. O Usurpador está morto, o que importa?

– Nem todas as histórias de marinheiro são verdadeiras – alertou-a Sor Jorah –, e mesmo se Robert estiver realmente morto, o filho governa em seu lugar. Isso, na verdade, nada muda.

– Isso muda tudo – Dany se levantou de repente, guinchando, os dragões desenrolaram-se e abriram as asas. Drogon voou e empoleirou-se na padieira sobre a arcada. Os outros correram pelo chão, com as pontas das asas roçando no mármore. – Antes, os Sete Reinos eram como o khalasar do meu Drogo, cem mil feitos um pela sua força. Agora, voam em pedaços, tal como aconteceu ao khalasar depois do meu khal cair morto.

– Os grandes senhores sempre lutaram. Diga-me quem ganhou, e direi o que isso significa. Khaleesi, os Sete Reinos não cairão nas suas mãos como outros tantos pêssegos maduros. Precisará de uma frota, de ouro, de exércitos, de alianças…

– Sei de tudo isso – Dany tomou as mãos do cavaleiro nas suas e olhou em seus olhos escuros e desconfiados. Às vezes pensa em mim como uma criança que tem de proteger, e às vezes como uma mulher com quem gostaria de se deitar. Mas, alguma vez me vê realmente como a sua rainha? – Não sou a menina assustada que conheceu em Pentos. Contei apenas quinze anos do meu nome, é verdade… mas sou tão velha como as velhas no dosh khaleen e tão nova como os meus dragões, Jorah. Dei à luz um filho, queimei um khal e atravessei o deserto vermelho e o mar dothraki. Meu sangue é o sangue do dragão.

– Tal como era o do seu irmão – ele retrucou com teimosia.

– Eu não sou Viserys.

– Não – o cavaleiro admitiu. – Penso que há na senhora mais de Rhaegar, mas mesmo Rhaegar podia ser morto. Robert provou isso no Tridente, apenas com um martelo de guerra. Até os dragões podem morrer.

– Os dragões morrem – ela ficou na ponta dos pés para lhe dar um pequeno beijo no rosto por barbear. – Mas a mesma coisa acontece aos matadores de dragões.

Bran

Meera movia-se num círculo cuidadoso, com a rede pendendo, solta, da mão esquerda, e o esguio tridente equilibrado na direita. Verão seguia-a com seus olhos dourados, mantendo-se virado para ela, com a cauda erguida bem alto, hirta. Observando, observando…

– Iai! – gritou a garota, erguendo o tridente. O lobo esquivou-se para a esquerda e saltou antes que ela conseguisse puxar a arma. Meera lançou a rede, fazendo-a desenrolar-se no ar à sua frente. O salto de Verão levou-o para dentro dela. Arrastou a rede consigo quando caiu sobre o peito da menina e a fez cair para trás. O tridente rodopiou para longe. A grama úmida amorteceu a queda, mas o ar saiu de seus pulmões num “uf”. O lobo agachou-se sobre ela.

Bran aplaudiu:

– Perdeu.

– Ela ganhou – disse o irmão, Jojen. – Verão está enredado.

Bran viu que o garoto tinha razão. Agitando-se e rosnando contra a rede, tentando se libertar, Verão só conseguia se enredar mais. E também não era capaz de morder através das malhas.

– Deixe-o sair.

Rindo, a menina Reed abraçou o lobo enleado e rolou junto dele. Verão soltou um ganido de dar dó, escoiceando as cordas que prendiam suas patas. Meera ajoelhou-se, desfez uma volta, deu um tranco num canto, puxou habilmente aqui e ali, e de repente o lobo gigante estava aos saltos, livre.

– Verão, aqui – Bran abriu os braços. – Olhem – ele disse, um instante antes de o lobo esbarrar nele. Agarrou-se com todas as suas forças enquanto o animal o arrastava aos encontrões pela grama. Lutaram e rolaram, um rosnando e latindo, o outro rindo. No fim, foi Bran quem ficou por cima, com o lobo salpicado de lama por baixo. – Bom lobo – arquejou. Verão lambeu sua orelha.

Meera balançou a cabeça.

– Ele alguma vez se zanga?

– Comigo, não – Bran agarrou o lobo pelas orelhas e Verão lançou-lhe uma mordida feroz, mas era tudo brincadeira. – Às vezes rasga minha roupa, mas nunca derrama sangue.

– O seu sangue, você quer dizer. Se tivesse passado pela minha rede…

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