– Ele estava ali em cima! – gritou alguém da multidão. O rei obrigou o cavalo a descrever um círculo a fim de inspecionar os telhados e as varandas abertas acima deles. Na multidão havia pessoas apontando, empurrando, amaldiçoando-se umas às outras e ao rei.
– Por favor, Vossa Graça, deixe-o ir – Sansa suplicou.
O rei não prestou atenção.
– Tragam o homem que atirou aquela imundície! – Joffrey ordenou. – Há de lambê-la de cima de mim, caso contrário corto sua cabeça. Cão, traga-o aqui!
Obediente, Sandor Clegane saltou da sela, mas não havia maneira de passar através daquela muralha de carne, muito menos de subir ao telhado. Aqueles que estavam mais próximos começaram a se contorcer e a empurrar para se afastar, enquanto outros faziam pressão para a frente, queriam ver. Tyrion sentiu o cheiro do desastre.
– Clegane, deixe-o, o homem já fugiu há muito tempo.
– Eu
Um tumulto de som afogou suas últimas palavras, um trovão rolante de raiva, medo e ódio que os submergiu por todos os lados. “
Tyrion esporeou o cavalo para o lado da irmã, gritando:
– De volta ao castelo.
Cersei fez um aceno brusco, e Sor Lancel desembainhou a espada. À frente da coluna, Jacelyn Bywater rugia ordens. Seus homens a cavalo baixaram as lanças e avançaram em cunha. O rei fazia o palafrém rodopiar em círculos ansiosos enquanto mãos atravessavam a fileira de mantos dourados, tentando agarrá-lo. Uma conseguiu pegar sua perna, mas só por um instante. A espada de Sor Mandon desceu, separando a mão do pulso.
–
Tyrion conduziu o cavalo para a abertura, na cola dos cascos do rei. Bronn acompanhou-o, de espada na mão. Uma pedra irregular passou voando perto de sua cabeça enquanto cavalgava, e uma couve podre explodiu contra o escudo de Sor Mandon. À esquerda do grupo, três homens de manto dourado caíram sob a força da multidão, que correu em frente, pisoteando os homens derrubados. Cão de Caça tinha desaparecido, embora seu cavalo cavalgasse sem cavaleiro ao lado deles. Tyrion viu Aron Santagar ser puxado de cima da sela, enquanto o veado dourado e negro dos Baratheon era arrancado de suas mãos. Sor Balon Swann deixou o leão dos Lannister cair para pegar a espada. Lançou golpes à direita e à esquerda, enquanto o estandarte caído era rasgado e mil pedaços esfarrapados rodopiavam para longe, como folhas carmesins num vento de tempestade, e, num instante, desapareceram. Alguém cambaleou para a frente do cavalo de Joffrey e berrou quando o rei o atropelou. Tyrion não seria capaz de dizer se tinha sido homem, mulher ou criança. Joffrey galopava ao seu lado, pálido como leite coalhado, com Sor Mandon Moore à sua esquerda como uma sombra branca.
De repente, a loucura ficou para trás e ressoou pela praça pavimentada que se abria diante da barbacã do castelo. Uma fileira de lanceiros defendia os portões. Sor Jacelyn fazia seus lanceiros descreverem meia-volta para outra investida. As lanças abriram-se para deixar o grupo do rei passar sob a porta levadiça. Muralhas vermelho-claras erguiam-se em volta deles, tranquilizadoramente altas e repletas de besteiros.