– Mikken, fique quieto – Bran tentou soar austero e senhorial, como Robb quando dava uma ordem, mas foi traído pela voz e as palavras saíram num guincho estridente.
– Escute seu pequeno fidalgo, Mikken – Theon alertou. – Tem mais juízo do que você.
– Rendi Winterfell a Theon.
– Mais alto, Bran. E chame-me de príncipe.
Bran levantou a voz.
– Entreguei Winterfell ao Príncipe Theon. Todos devem fazer o que ele ordenar.
– O diabo que faço! – Mikken berrou novamente.
Theon ignorou a explosão.
– Meu pai pôs na cabeça a velha coroa de sal e rocha, e declarou-se Rei das Ilhas de Ferro. Reclama também o norte, por direito de conquista. São todos seus súditos.
–
– Os ferreiros têm braços fortes e cabeças fracas – Theon observou. – Mas se o resto de vocês me servir tão lealmente como serviram Ned Stark, vão me achar um senhor tão generoso como poderiam querer.
Apoiado nas mãos e joelhos, Mikken cuspiu sangue.
– Se acha que vai manter o norte com este bando ridículo de…
O careca enfiou a ponta da lança na parte de trás do pescoço de Mikken. Aço deslizou através de carne e saiu por sua garganta com um jorro de sangue. Uma mulher gritou, e Meera envolveu Rickon nos braços.
– Quem mais tem alguma coisa a dizer? – Theon Greyjoy perguntou.
–
– Alguém tenha a bondade de calar esse imbecil.
Dois homens de ferro começaram a espancar Hodor com a parte de trás das lanças. O cavalariço caiu de joelhos, tentando se defender com as mãos.
– Serei um senhor tão bom para vocês como Eddard Stark foi – Theon levantou a voz para ser ouvido sobre o som de madeira batendo em carne. – Mas, se me traírem, irão desejar não tê-lo feito. E não achem que os homens que aqui veem são todo o meu poder. Praça de Torrhen e Bosque Profundo também serão em breve nossos, e meu tio está subindo pela Lança de Sal para capturar Fosso Cailin. Se Robb Stark conseguir esmagar os Lannister, pode reinar como Rei do Tridente daqui em diante, mas é a Casa Greyjoy quem possui o Norte agora.
– Os senhores do Stark vão dar trabalho – gritou o homem chamado Fedor. – Aquele porco inchado de Porto Branco, por exemplo, e
Theon o avaliou por um momento.
– É mais esperto do que perfumado, mas eu não conseguiria suportar o fedor.
– Bom – disse Fedor –, podia me lavar um pouco. Se tivesse livre.
– Um homem de raro bom-senso – Theon sorriu. – Dobre o joelho.
Um dos homens de ferro entregou uma espada a Fedor, e ele a depositou aos pés de Theon e jurou obediência à Casa Greyjoy e ao Rei Balon. Bran não conseguia ver aquilo. O sonho verde estava se tornando realidade.
– Senhor Greyjoy! – Osha avançou, passando ao lado do corpo de Mikken. – Também fui trazida para cá cativa. O senhor estava lá no dia em que fui capturada.
– Preciso de guerreiros – Theon declarou –, não de empregadinhas de cozinha.
– Foi Robb Stark quem me pôs nas cozinhas. Durante quase um ano, tenho andado polindo panelas, raspando gordura e aquecendo as palhas para esse aí – ela lançou um olhar a Gage. – Estou farta. Volte a pôr uma lança em minha mão.
– Tenho uma lança para você aqui mesmo – disse o careca que tinha matado Mikken, e agarrou a virilha, rindo.
Osha enfiou o joelho ossudo entre suas pernas.
– Guarde essa coisinha mole e rosa para si – arrancou a lança de suas mãos e usou o cabo para desequilibrá-lo. – Eu fico com a madeira e o ferro – o careca ficou se contorcendo no chão enquanto os outros corsários enchiam o ar com uma tempestade de gargalhadas.
Theon riu com os outros.
– Servirá – disse. – Fique com a lança; Stygg pode encontrar outra. Agora dobre o joelho e jure.
Quando ninguém mais avançou para entrar ao seu serviço, foram mandados embora com um aviso para fazerem seu trabalho e não criarem problemas. A Hodor foi atribuída a tarefa de levar Bran de volta à cama. Sua aparência estava feia devido ao espancamento, com o nariz inchado e um olho fechado.
– Hodor – soluçou por entre lábios rachados enquanto levantava Bran com enormes braços fortes e mãos ensanguentadas e o levava de volta através da chuva.
Arya
–Há fantasmas, eu sei que há – Torta Quente estava amassando pão, com os braços cobertos de farinha até os cotovelos. – Pia viu alguma coisa na despensa ontem à noite.
Arya soltou um ruído rude. Pia sempre via coisas na despensa. Normalmente, homens.