Bran puxou-se para fora da cama, deslocando-se de barra em barra até chegar às janelas. Os dedos atrapalharam-se um pouco ao abrir as venezianas. O pátio estava vazio, e todas as janelas que conseguia ver estavam negras. Winterfell dormia.

Hodor! – gritou para baixo, o mais alto que pôde. Hodor estaria dormindo acima dos estábulos, mas se gritasse com força suficiente talvez ouvisse, ele ou alguém. – Hodor, vem depressa! Osha! Meera, Jojen, alguém! – Bran pôs as mãos em volta da boca. – HOOOOODOOOOOR!

Mas quando a porta se abriu com estrondo atrás de si, o homem que entrou não era ninguém que ele conhecesse. Usava um justilho de couro com discos de ferro sobrepostos a ele, e trazia uma adaga numa mão e um machado preso às costas.

– O que você quer? – Bran perguntou, com medo. – Este é o meu quarto. Saia daqui.

Theon Greyjoy seguiu o homem para dentro do quarto.

– Não vamos lhe fazer mal, Bran.

– Theon? – Bran sentiu-se tonto de alívio. – Foi Robb que o enviou? Ele também está aqui?

– Robb está longe. Não pode ajudá-lo agora.

– Ajudar-me? – sentia-se confuso. – Não me assuste, Theon.

– Agora sou Príncipe Theon. Somos ambos príncipes, Bran. Quem sonharia com tal coisa? Mas eu tomei seu castelo, meu príncipe.

– Winterfell? – Bran sacudiu a cabeça. – Não, não podia fazer isso.

– Deixe-nos, Werlag – o homem com a adaga se retirou. Theon sentou-se na cama. – Mandei quatro homens escalarem as muralhas com pequenos ganchos de abordagem e cordas, e eles abriram uma porta falsa para o resto entrar. Meus homens estão tratando dos seus agora mesmo. Garanto-lhe, Winterfell é meu.

Bran não compreendia.

– Mas você era protegido do pai.

– E agora você e o seu irmão são meus protegidos. Assim que a luta acabar, meus homens vão reunir o resto do seu povo e levá-lo para o Grande Salão. Você e eu vamos falar com eles. Você vai lhes dizer que me rendeu Winterfell, e ordenar-lhes que sirvam e obedeçam ao seu novo senhor tal como faziam com o antigo.

Não farei isso – Bran respondeu. – Lutaremos contra você e vamos expulsá-lo. Nunca me rendi, não pode me obrigar a dizer que fiz isso.

– Isso não é uma brincadeira, Bran, portanto, não se faça de garotinho comigo, não tolerarei. O castelo é meu, mas essas pessoas ainda são suas. Se o príncipe quiser mantê-las a salvo, é bom que faça o que lhe é dito – levantou-se e se dirigiu à porta. – Alguém virá vesti-lo e levá-lo ao Grande Salão. Pense cuidadosamente no que quer dizer.

A espera fez com que Bran se sentisse ainda mais impotente. Ficou sentado no banco da janela, olhando para torres escuras e muralhas negras como a sombra. Uma vez pensou ouvir gritos vindos de trás do Salão dos Guardas, e algo que podia ser sido o estrondo de espadas, mas não tinha as orelhas de Verão para escutar, nem seu focinho para cheirar. Acordado, continuo quebrado, mas quando durmo, quando sou o Verão, posso correr, lutar, escutar e cheirar.

Esperava que Hodor viesse até ele, ou talvez uma das criadas, mas quando a porta voltou a se abrir, era Meistre Luwin trazendo uma vela.

– Bran, você… sabe o que aconteceu? Foi-lhe dito? – o homem tinha a pele aberta por cima do olho esquerdo e corria sangue por esse lado de seu rosto.

– Theon veio aqui. Disse que Winterfell agora era dele.

O meistre apoiou a vela e limpou o sangue da bochecha.

– Atravessaram o fosso a nado. Escalaram as muralhas com ganchos e cordas. Desceram molhados e pingando, de aço na mão – sentou-se na cadeira junto à porta, enquanto mais sangue escorria. – Alebelly estava no portão, surpreenderam-no no torreão e mataram-no. Hayhead também está ferido. Tive tempo para enviar dois corvos antes de irromperem em meus aposentos. A ave para Porto Branco conseguiu escapar, mas abateram a outra com uma flecha – o meistre fitou as esteiras. – Sor Rodrik levou demasiados de nossos homens, mas eu sou tão culpado quanto ele. Nunca previ esse perigo, nunca…

Jojen o previu, pensou Bran.

– É melhor que me ajude a me vestir.

– Sim, é verdade – na pesada arca reforçada com ferro que se encontrava aos pés da cama de Bran o meistre encontrou roupas de baixo, calções e uma túnica. – É o Stark em Winterfell, e o herdeiro de Robb. Tem de parecer principesco – juntos, vestiram-no de forma condizente com um senhor.

– Theon quer que eu entregue o castelo – disse Bran enquanto o meistre prendia o manto com sua presilha favorita de prata e azeviche, em forma de cabeça de lobo.

– Não há vergonha nisso. Um senhor deve proteger o seu povo. Lugares cruéis geram povos cruéis, Bran, lembre-se disso ao lidar com esses homens de ferro. O senhor seu pai fez o que pôde para amaciar Theon, mas temo que tenha sido pouco, e tarde demais.

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