Bran puxou-se para fora da cama, deslocando-se de barra em barra até chegar às janelas. Os dedos atrapalharam-se um pouco ao abrir as venezianas. O pátio estava vazio, e todas as janelas que conseguia ver estavam negras. Winterfell dormia.
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Mas quando a porta se abriu com estrondo atrás de si, o homem que entrou não era ninguém que ele conhecesse. Usava um justilho de couro com discos de ferro sobrepostos a ele, e trazia uma adaga numa mão e um machado preso às costas.
– O que você quer? – Bran perguntou, com medo. – Este é o meu quarto. Saia daqui.
Theon Greyjoy seguiu o homem para dentro do quarto.
– Não vamos lhe fazer mal, Bran.
– Theon? – Bran sentiu-se tonto de alívio. – Foi Robb que o enviou? Ele também está aqui?
– Robb está longe. Não pode ajudá-lo agora.
– Ajudar-me? – sentia-se confuso. – Não me assuste, Theon.
– Agora sou
– Winterfell? – Bran sacudiu a cabeça. – Não, não
– Deixe-nos, Werlag – o homem com a adaga se retirou. Theon sentou-se na cama. – Mandei quatro homens escalarem as muralhas com pequenos ganchos de abordagem e cordas, e eles abriram uma porta falsa para o resto entrar. Meus homens estão tratando dos seus agora mesmo. Garanto-lhe, Winterfell é meu.
Bran não compreendia.
– Mas você era
– E agora você e o seu irmão são
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– Isso não é uma brincadeira, Bran, portanto, não se faça de garotinho comigo, não tolerarei. O castelo é meu, mas essas pessoas ainda são suas. Se o príncipe quiser mantê-las a salvo, é bom que faça o que lhe é dito – levantou-se e se dirigiu à porta. – Alguém virá vesti-lo e levá-lo ao Grande Salão. Pense cuidadosamente no que quer dizer.
A espera fez com que Bran se sentisse ainda mais impotente. Ficou sentado no banco da janela, olhando para torres escuras e muralhas negras como a sombra. Uma vez pensou ouvir gritos vindos de trás do Salão dos Guardas, e algo que podia ser sido o estrondo de espadas, mas não tinha as orelhas de Verão para escutar, nem seu focinho para cheirar.
Esperava que Hodor viesse até ele, ou talvez uma das criadas, mas quando a porta voltou a se abrir, era Meistre Luwin trazendo uma vela.
– Bran, você… sabe o que aconteceu? Foi-lhe dito? – o homem tinha a pele aberta por cima do olho esquerdo e corria sangue por esse lado de seu rosto.
– Theon veio aqui. Disse que Winterfell agora era dele.
O meistre apoiou a vela e limpou o sangue da bochecha.
– Atravessaram o fosso a nado. Escalaram as muralhas com ganchos e cordas. Desceram molhados e pingando, de aço na mão – sentou-se na cadeira junto à porta, enquanto mais sangue escorria. – Alebelly estava no portão, surpreenderam-no no torreão e mataram-no. Hayhead também está ferido. Tive tempo para enviar dois corvos antes de irromperem em meus aposentos. A ave para Porto Branco conseguiu escapar, mas abateram a outra com uma flecha – o meistre fitou as esteiras. – Sor Rodrik levou demasiados de nossos homens, mas eu sou tão culpado quanto ele. Nunca previ esse perigo, nunca…
– É melhor que me ajude a me vestir.
– Sim, é verdade – na pesada arca reforçada com ferro que se encontrava aos pés da cama de Bran o meistre encontrou roupas de baixo, calções e uma túnica. – É o Stark em Winterfell, e o herdeiro de Robb. Tem de parecer principesco – juntos, vestiram-no de forma condizente com um senhor.
– Theon quer que eu entregue o castelo – disse Bran enquanto o meistre prendia o manto com sua presilha favorita de prata e azeviche, em forma de cabeça de lobo.
– Não há vergonha nisso. Um senhor deve proteger o seu povo. Lugares cruéis geram povos cruéis, Bran, lembre-se disso ao lidar com esses homens de ferro. O senhor seu pai fez o que pôde para amaciar Theon, mas temo que tenha sido pouco, e tarde demais.