Depressa, muito depressa, rodopiou e saltou na direção das árvores, com folhas úmidas restolhando sob as patas, galhos chicoteando-o quando passava correndo por eles. Ouvia o irmão seguindo-o de perto. Mergulharam sob a árvore-coração e em torno da lagoa fria, através dos arbustos de amoras silvestres, sob um emaranhado de carvalhos, freixos e espinheiros, até o outro lado do bosque… e ali estava ela, a sombra que ele vislumbrara sem ver, a árvore inclinada apontada para os telhados.
Lembrou-se então de como era escalá-la. Agulhas por todo o lado, arranhando seu rosto nu e caindo por sua nuca abaixo, seiva pegajosa nas mãos, o aguçado cheiro de pinheiro que exalava. Era uma árvore fácil para um garoto subir, inclinada como estava, torta, com os galhos tão próximos uns dos outros que quase faziam uma escada, levando até o telhado.
Rosnando, farejou em volta da base da árvore, levantou uma perna e marcou-a com um jato de urina. Um galho baixo roçou em seu rosto, ele abocanhou-o, torcendo e puxando até que a madeira estalou e se quebrou. Tinha a boca cheia de agulhas e do sabor amargo da seiva. Sacudiu a cabeça e rosnou.
O irmão sentou-se sobre os quartos traseiros e ergueu a voz num uivo ululante, uma canção negra de pesar. O caminho não era caminho algum. Eles não eram esquilos, nem crias de homem, não podiam serpentear pelos troncos de árvores acima, agarrando-se com suaves patas cor-de-rosa e pés desajeitados. Eram corredores, caçadores, vagabundos.
Do outro lado da noite, para lá da pedra que os cercava, os cães acordaram e começaram a latir. Primeiro um, e logo outro, e depois todos, um grande clamor. Eles também tinham sentido aquilo; o cheiro de inimigos e medo.
Uma fúria desesperada o preencheu, quente como a fome. Afastou-se do muro com um salto, e penetrou nas árvores com mais saltos, o pelo cinzento salpicado pelas sombras de galhos e folhas… e então virou-se e correu de volta. Os pés voaram, levantando folhas úmidas e agulhas de pinheiro, e por um momento era um caçador, e um grande veado fugia à sua frente, conseguia vê-lo, cheirá-lo, e correu em plena perseguição. O cheiro do medo fez seu coração trovejar e saliva escorrer por suas mandíbulas. Chegou à árvore inclinada em grandes passos e atirou-se pelo tronco acima, com as garras arranhando a casca em busca de apoio. Saltou para cima, para
Então, Bran deu por si de novo na cama em seu solitário quarto da torre, emaranhado nas mantas, respirando com força.
– Verão – gritou. – Verão – seu ombro parecia doer, como se tivesse caído sobre ele, mas sabia que era apenas o fantasma do que o lobo estava sentindo.
Os outros tinham partido havia oito dias, seiscentos homens de Winterfell e dos castros mais próximos. Cley Cerwyn seguia com mais trezentos, para se juntar a eles durante a marcha, e Meistre Luwin mandara corvos à frente deles, convocando recrutas de Porto Branco, das terras acidentadas e até de lugares localizados nas profundezas da mata de lobos. Praça de Torrhen estava sob o ataque de um monstruoso chefe de guerra qualquer chamado Dagmer Boca Rachada. A Velha Ama dizia que ele não podia ser morto, que um dia um inimigo havia cortado sua cabeça ao meio com um machado, mas Dagmer era tão feroz que se limitara a unir de novo as duas metades, segurando-as até sarar.