Então fantasmas estremeceram através da névoa, imagens em índigo. Viserys gritou quando ouro derretido escorreu por sua cabeça e encheu sua boca. Um senhor alto, com pele de cobre e cabelo louro-prateado, ergueu-se sob um estandarte com um garanhão fogoso, tendo uma cidade incendiada como fundo. Rubis escorreram como gotas de sangue do peito de um príncipe moribundo, e ele caiu de joelhos na água, e com o seu último suspiro murmurou um nome de mulher… Mãe de dragões, filha da morte… Brilhando como o pôr do sol, uma espada vermelha foi erguida na mão de um rei de olhos azuis que não projetava sombra. Um dragão de pano oscilou em mastros por cima de uma multidão exultante. De uma torre fumegante, um grande animal de pedra levantou voo, exalando fogo de sombras. … Mãe de dragões, matadora de mentiras… Sua prata trotou pela grama, dirigindo-se a um riacho sombrio sob um mar de estrelas. Um cadáver ergueu-se à proa de um navio, de olhos brilhantes na face morta, lábios cinzentos sorrindo tristemente. Uma flor azul cresceu de uma fenda numa muralha de gelo e encheu o ar de doçura… Mãe de dragões, noiva do fogo

E as visões vieram, cada vez mais rápidas, uma após a outra, até parecer que o próprio ar tinha ganhado vida. Sombras rodopiaram e dançaram dentro de uma tenda, elásticas e terríveis. Uma menininha correu descalça para uma grande casa com uma porta vermelha. Mirri Maz Duur guinchou entre as chamas, com um dragão irrompendo de sua testa. Atrás de um cavalo prateado, o cadáver ensanguentado de um homem nu foi arrastado aos solavancos. Um leão branco correu por pastos mais altos do que um homem. À sombra da Mãe das Montanhas, uma fileira de velhas nuas saiu de um grande lago e ajoelhou-se tremendo diante dela, com a cabeça cinzenta inclinada. Dez mil escravos ergueram mãos manchadas de sangue enquanto ela passava por eles a galope em sua prata, correndo como o vento. “Mãe!”, gritaram. “Mãe, mãe!” Estendiam as mãos para ela, tocavam-na, puxavam seu manto, a barra de sua saia, seu pé, sua perna, seu seio. Desejavam-na, necessitavam dela, do fogo, da vida, e Dany arquejou e abriu os braços para se entregar a eles…

Mas, então, asas negras esbofetearam sua cabeça, e um grito de fúria cortou o ar índigo, e de repente as visões desapareceram, rasgadas, e o arquejo de Dany transformou-se em horror. Os Imortais estavam em volta dela, azuis e frios, suspirando enquanto estendiam as mãos para ela, puxando, afagando, pegando em suas roupas, tocando nela com suas mãos secas e frias, enredando os dedos em seus cabelos. Todas as forças tinham abandonado seus membros. Não conseguia se mexer. Até seu coração tinha deixado de bater. Sentiu uma mão no seio nu, torcendo seu mamilo. Dentes encontraram a pele suave de sua garganta. Uma boca desceu sobre um olho, lambendo, sugando, mordendo

E então o índigo transformou-se em laranja, e os sussurros em gritos. Seu coração batia, rápido, as mãos e bocas haviam-na largado, calor lavava sua pele, e Dany piscou perante o súbito brilho. Empoleirado acima dela, o dragão abriu as asas e mordeu o terrível coração escuro, rasgando a carne putrefata em tiras, e quando sua cabeça foi para frente, fogo fluiu entre as maxilas abertas, quente e brilhante. Conseguia ouvir os guinchos dos Imortais enquanto ardiam, suas vozes agudas e frágeis como papel gritando em línguas havia muito desaparecidas. A carne deles era pergaminho que se desfazia, seus ossos, madeira seca ensopada em sebo. Dançaram enquanto as chamas os consumiam; cambalearam, estremeceram, saltaram e ergueram bem alto mãos em brasa, com os dedos brilhantes como tochas.

Dany ficou de pé e investiu pelo meio deles. Eram leves como o ar, não mais do que cascas, e caíam com um toque. A sala inteira estava em chamas quando atingiu a porta.

Drogon – ela chamou, e ele voou através do fogo.

Fora da sala, um longo corredor sombrio estendia-se serpenteando à sua frente, iluminado pelo brilho tremeluzente e alaranjado vindo de trás. Dany correu, em busca de uma porta, uma porta à sua direita, uma porta à sua esquerda, qualquer porta, mas nada havia, só paredes tortuosas de pedra, e um pavimento que parecia se mover lentamente sob seus pés, contorcendo-se como que para fazê-la tropeçar. Manteve o equilíbrio e correu mais depressa, e de repente a porta estava bem na sua frente, uma porta que era como uma boca aberta.

Quando surgiu à luz do sol, o brilho fez com que tropeçasse. Pyat Pree balbuciava numa língua desconhecida qualquer e saltava de um pé para o outro. Quando Dany olhou para trás, viu finas gavinhas de fumaça abrindo caminho através de fendas nas antigas paredes de pedra do Palácio de Poeira, e erguendo-se por entre as telhas negras do telhado.

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