Mais um archote se apagou enquanto Dany ficou ali refletindo, e os sons tornaram-se levemente mais altos. O longo pescoço de Drogon desenrolou-se e o dragão abriu a boca para gritar, fazendo sair vapor por entre os dentes. Ele também ouve. Dany voltou a se virar para a parede vazia, mas nada havia lá. Será que há uma porta secreta, uma porta que não consigo ver? Outro archote se apagou. E outro. A primeira porta da direita, ele disse, sempre a primeira porta da direita. A primeira porta da direita…

De repente ela entendeu… É a última porta da esquerda!

Atirou-se através dela. Do outro lado havia uma pequena sala com quatro portas. Ela seguiu para a direita, e para a direita, e para a direita, e para a direita, e para a direita, e para a direita, e para a direita, até ficar tonta e de novo sem fôlego.

Quando parou, deu por si em mais um aposento de pedra, frio e úmido… Mas, dessa vez, a porta que se abria em frente era redonda, esculpida como uma boca aberta, e Pyat Pree estava do lado de fora, na relva sob as árvores.

– Será possível que os Imortais tenham terminado tão depressa o que tinham que tratar com a senhora? – ele perguntou, incrédulo, quando a viu.

– Tão depressa? – ela perguntou, confusa. – Caminhei durante horas, e ainda não os encontrei.

– Seguiu um caminho errado. Venha, eu a levo – Pyat Pree estendeu a mão.

Dany hesitou. Havia uma porta à sua direita, ainda fechada…

– Não é por aí – disse firmemente Pyat Pree, com uma afetação de desaprovação nos lábios azuis. – Os Imortais não esperarão para sempre.

– Nossas pequenas vidas são para eles nada mais do que a batida de uma asa de mariposa – Dany repetiu, recordando-se.

– Criança teimosa. Ficará perdida e nunca será encontrada.

Ela se afastou dele, virou-se para a porta à sua direita.

– Não – Pyat Pree guinchou. – Não, a mim, venha a mim, a miiiiiiiiiiim – seu rosto desmoronou para dentro, transformando-se em algo pálido e vermiforme.

Dany deixou-o para trás, e seguiu em direção a uma escadaria. Começou a subir. Pouco tempo depois suas pernas doíam. Recordou que a Casa dos Imortais parecera não ter torres.

Por fim, a escada abriu-se para um átrio. À direita, um conjunto de portas largas de madeira tinha sido escancarado. Eram feitas de ébano e represeiro, com os grãos pretos e brancos da madeira rodopiando e retorcendo-se em padrões estranhos e intricados. Eram muito belos, mas de algum modo assustadores. O sangue do dragão não deve ter medo. Dany proferiu uma prece rápida, suplicando coragem ao Guerreiro e força ao deus dos cavalos dos dothraki. Obrigou-se a avançar.

Para além das portas encontrava-se um grande salão e um esplendor de feiticeiros. Alguns usavam suntuosas togas de arminho, veludo rubi e pano de ouro. Outros preferiam elaboradas armaduras guarnecidas de pedras preciosas, ou chapéus altos e pontiagudos, salpicados de estrelas. Havia mulheres entre eles, trajando vestidos de insuperável beleza. Raios de luz do sol penetravam por janelas de vitral, e o ar reverberava com a mais bela música que já tinha ouvido.

Um homem régio, com ricos trajes, levantou-se ao vê-la, e sorriu:

– Daenerys da Casa Targaryen, seja bem-vinda. Venha partilhar o alimento da eternidade. Nós somos os Imortais de Qarth.

– Longamente a esperamos – disse uma mulher ao seu lado, vestida de rosa e de prata. O seio que deixara nu, à moda qartena, era tão perfeito como um seio podia ser.

– Sabíamos que viria até nós – disse o rei feiticeiro. – Já sabíamos disso há mil anos, e temos estado todo esse tempo à espera. Enviamos o cometa para lhe mostrar o caminho.

– Temos conhecimento a partilhar com você – disse um guerreiro com uma brilhante armadura esmeralda –, e armas mágicas para lhe dar. Ultrapassou todos os desafios. Venha agora sentar-se conosco, e todas as suas perguntas serão respondidas.

Dany deu um passo em frente. Mas então Drogon saltou de cima de seu ombro. Voou para o topo da porta de ébano e represeiro, empoleirou-se aí e começou a morder a madeira esculpida.

– Um animal com personalidade – riu um jovem bonito. – Devemos ensinar a língua secreta dos dragões a você? Venha, venha.

Dany foi assaltada pela dúvida. A grande porta era tão pesada que foram necessárias todas as suas forças para deslocá-la, mas por fim começou a se mover. Atrás havia outra porta, escondida. Era de velha madeira cinza, lascada e simples… Mas estava à direita da porta por onde tinha entrado. Os feiticeiros chamavam-na com vozes mais doces do que canções. Dany fugiu deles, com Drogon voando de volta ao seu ombro. Atravessou a porta estreita, e entrou num aposento inundado de trevas.

Перейти на страницу:

Поиск

Нет соединения с сервером, попробуйте зайти чуть позже