A floresta tornou-se mais selvagem. Os pinheiros e árvores-sentinela deram lugar a enormes carvalhos escuros. Emaranhados de espinheiros escondiam ravinas e fendas traiçoeiras. Colinas pedregosas erguiam-se e desapareciam. Passaram pela cabana de um camponês, deserta e coberta de vegetação, e rodearam uma pedreira inundada onde as águas paradas tinham um reflexo cinza como aço. Quando os cães começaram a ladrar, Theon pensou que os fugitivos se encontravam por perto. Esporeou Sorridente e seguiu a trote, mas o que encontrou foi apenas a carcaça de um jovem alce… ou o que dela restava.
Desmontou para examiná-la melhor. A morte era ainda recente e claramente obra de lobos. Os cães farejaram os arredores da carcaça, avidamente, e um dos mastins enterrou os dentes num quadril, mas Farlen o afastou aos gritos.
– Farlen, tem certeza de que estamos no rastro certo? Não será possível que seus cães andem atrás dos lobos errados?
– Minha cadela conhece o cheiro do Verão e do Felpudo bastante bem.
– Espero que sim. Para o seu bem.
Menos de uma hora mais tarde, o rastro desceu uma encosta na direção de um córrego lamacento, cheio pelas chuvas recentes. Foi ali que os cães perderam o cheiro. Farlen e Wex atravessaram o curso d’água com os cães e voltaram a sacudir as cabeças, enquanto os animais percorriam a outra margem para cima e para baixo, farejando.
– Eles entraram na água, senhor, mas não estou vendo onde podem ter saído – disse o mestre dos canis.
Theon desmontou e ajoelhou-se na margem do córrego. Mergulhou uma mão nele. A água estava fria.
– Eles não devem ter ficado nesta água por muito tempo. Leve metade dos cães para baixo. Eu vou para cima...
Wex bateu palmas ruidosamente.
– O que foi? – Theon perguntou.
O rapaz mudo apontou.
O terreno junto à água encontrava-se encharcado e lamacento. Os vestígios que os lobos tinham deixado eram bastante evidentes.
– Pegadas de lobo, oras. E daí?
Wex enfiou o calcanhar na lama e mexeu o pé para um lado e para o outro, deixando um buraco profundo.
Joseth compreendeu.
– Um homem do tamanho de Hodor devia ter deixado uma pegada profunda nesta lama – ele disse. – Ainda mais com o peso de um garoto nas costas. Mas as únicas pegadas de botas que há aqui são as nossas. Veja com os seus olhos.
Consternado, Theon percebeu que era verdade. Os lobos tinham entrado sozinhos nas túrgidas águas marrons.
– Osha deve ter seguido outro caminho lá para trás. Antes do alce, provavelmente. Enviou os lobos adiante sozinhos, na esperança de que os seguíssemos – virou-se para os caçadores. – Se vocês dois tiverem me enganado…
– Só há um rastro, senhor, juro – Gariss disse defensivamente. – E os lobos gigantes nunca se separariam daqueles garotos. Não por muito tempo.
– Gariss, Murch, levem quatro cães e voltem, encontrem o local onde os perdemos. Aggar, vigie-os, não quero truques. Farlen e eu seguiremos os lobos gigantes. Um sopro no berrante quando encontrar o rastro. Dois sopros se vir os animais. Depois de descobrirmos para onde foram, vão nos levar até seus donos.
Levou Wex, o garoto Frey e Gynir Rednose para procurar a jusante. Ele e Wex seguiam a cavalo de um lado do córrego, Rednose e Walder Frey do outro, cada um com um par de cães de caça. Os lobos podiam ter saído do córrego em qualquer uma das margens. Theon ficou de olho atento em pegadas, rastros, galhos quebrados, qualquer pista que indicasse onde os lobos gigantes poderiam ter saído da água. Viu com bastante facilidade pegadas de veados, alces e texugos. Wex surpreendeu uma raposa bebendo do córrego, e Walder fez três coelhos saírem da vegetação rasteira e conseguiu atingir um deles com uma flecha. Viram marcas de garras no local em que um urso tinha rasgado a casca de uma grande bétula. Mas dos lobos gigantes não havia qualquer sinal.