À Sua Excelência, Nori Anjo, chefe roju. Recebi seu despacho de ontem e comunico que está totalmente rejeitado. Se não pagarem a parcela combinada da indenização pelo assassinato de dois soldados britânicos no prazo marcado, a quantia devida será quadruplicada a cada dia de atraso.

Lamento saber que não controlam seu calendário. Corrigirei essa situação de imediato. Partirei para Quioto em minha nave capitânia, com uma esquadra de escolta, daqui a doze dias, a contar de hoje. Atracarei em Osaca. Com uma escolta montada e o obrigatório canhão de sessenta libras, de nossa real artilharia, para as salvas reais, seguirei para Quioto, em busca de uma reparação para vocês de sua jovem majestade, o xógum Nobusada ou mesmo, se ele não estiver disponível, de sua alteza imperial, o imperador Komei, prometendo honras reais, com uma salva de vinte e um tiros de canhão. Por favor, comunique-lhes nossa chegada iminente, (assinado) Ministro e embaixador de sua majestade britânica, Sir William Aylesbury, K.C.B....

— Imperador? Que imperador?— indagou Johann, irritado.— Só há um midaco ou micado ou qualquer outra coisa parecida, que é uma espécie de papa menor, sem muito poder, ao contrário de Pio IX, que se intromete, conspira e faz política, sempre desejando, como todos os Gottverdampt católicos, nos jogar na fogueira!

— Ora, Johann, eles não são tão ruins assim. Agora, os católicos ingleses já podem votar, e até mesmo concorrer ao Parlamento, como todos os outros.

— Quero mais que todos os católicos peguem uma boa sífilis. Sou suíço, e não esquecemos.

— Então por que todos os guardas pessoais do papa são suíços?

— São mercenários católicos. — Johann deu de ombros. — Dê-me logo uma cópia do despacho e começarei a trabalhar.

— Sir Willie diz que não vai renovar o contrato.

— É tempo de seguir adiante, deixar o campo aberto para os mais jovens e mais espertos. — Johann exibiu um sorriso radiante. — Ou seja, você.

— Isso não é nada engraçado. Por favor, mande Nakama entrar. Creio que ele está no jardim. . ,

— Não confie nesse miserável, Phillip. É melhor vigiá-lo com a máxima atenção.

Tyrer se perguntou o que Johann diria se soubesse da verdade sobre Nakama. Um momento depois, Hiraga abriu a porta.

Hai, Taira-san?

Ikimasho, Nakama-sensei, meu velho, hai? Vamos embora, está bem?

Tyrer ainda se sentia admirado com a mudança.

Quando Hiraga chegou naquela manhã, ao raiar o dia, não usava os trajes sujos e puídos e não exibia o corte de cabelo dos samurais: os cabelos curtos eram agora quase iguais a qualquer plebeu. Em seu quimono impecável, engomado, mas comum, com um volumoso chapéu pendendo nas costas, preso pelo cordão, e sandálias com tiras de ouro, ele parecia o filho de um próspero mercador.

— Por Deus, Nakama, você está ótimo assim! — exclamara ele. — O cabelo desse jeito lhe assenta muito melhor!

— Ah, Taira-san — dissera Hiraga, hesitante, com uma humildade simulada, seguindo a trama que formulara junto com Ori —, achar que o que me falar, me ajudar a não querer ser samurai, parar de ser samurai. Breve voltar Choshu, virar camponês, como avô ou trabalhar fábrica cerveja ou saquê.

— Renunciar a ser samurai? Isso é possível?

Hai. Possível. Por favor, não querer dizer mais, sim?

— Está certo. Só quero acrescentar que é uma sábia decisão. Meus parabéns. Involuntariamente, Hiraga passara a mão sobre a cabeça, sentira a estranheza dos cabelos espetando.

— Breve crescer cabelo, Taira-san, como seu.

— Por que não?

Tyrer usava seus cabelos, naturalmente ondulados, até a altura dos ombros. Ao contrário da maioria, era meticuloso com sua higiene pessoal: havia sempre um petti point pendurado por cima de sua cama, bordado pela mãe, dizendo que “A higiene vem logo depois da pureza”.

— Como estão seus machucados?

— Eu esquecer.

— Eu esqueci.

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