— Correm rumores de que haverá outro ataque dos
— Que tipo de ataque seria? Um assassinato?
— Ninguém sabe, por enquanto. Talvez outro atentado. O líder
— Ótimo. De um jeito ou de outro, os
— Seria muito difícil, Sire.
— Descobriu quem informou aos
Depois de uma pausa, Inejin respondeu:
— Foi a criada da dama, Sire, quem sussurrou para a
Yoshi suspirou.
— E a dama?
— A dama parece ser inocente, Sire.
Yoshi tornou a suspirar, satisfeito por Koiko não estar envolvida, mas lá no fundo ainda não convencido.
— A criada está conosco agora... cuidarei dela. Providencie para que a
— Não com certeza, Sire. Fui informado que o traidor se chama Ori... ou esse é um pseudônimo... não sei o nome completo, um
— Foi inepto ao matar apenas um, quando os quatro constituíam um alvo fácil. Onde está o traidor agora?
— Em algum lugar da colônia de Iocoama, Sire. Ele se tornou um confidente secreto do jovem intérprete inglês e do francês de que me falou.
— Ah, ele também... — Yoshi ficou em silêncio por um momento, pensativo. — Silencie esse Ori imediatamente.
Inejin inclinou a cabeça, aceitando a ordem.
— O que mais?
— Isso encerra meu relatório.
— Obrigado. Trabalhou bem.
Yoshi acabou de tomar o chá, imerso em pensamento. O luar projetava estranhas sombras. O velho rompeu o silêncio:
— Seu banho está pronto, Sire, e imagino que tenha fome. Tudo se encontra à sua espera.
— Obrigado, mas faz uma noite tão boa que partirei agora mesmo. Há muito o que fazer no Dente do Dragão. Capitão!
Todos se reuniram num instante. Koiko e sua criada voltaram a vestir as roupas de viagem e ela entrou no palanquim. Com a devida deferência, Inejin, sua família, criadas e servidores saudaram o hóspede, no momento da partida.
— O que faremos com toda a comida que preparamos? — indagou hesitante a esposa, uma mulher pequena, de rosto redondo, também descendente de samurais.
Ela preparara as iguarias às pressas, mas com extremo cuidado, tudo comprado a um vasto custo, para conquistar o suserano naquela visita inesperada — mais de três meses de lucro investido em uma única refeição.
— Vamos comê-la — murmurou Inejin, observando o cortejo se afastar, através da aldeia adormecida, até desaparecer. — Foi muito bom tornar a vê-lo, uma grande honra.
— Foi, sim — murmurou ela, submissa, seguindo-o para o interior do prédio.
A noite era amena, com luar suficiente para se divisar tudo. Além da aldeia, a estrada de terra, a estrada seguia para o norte, sinuosa, com aldeias a intervalos de poucos quilômetros, todas as terras ao redor exploradas por Yoshi desde a sua infância. Reinava um silêncio profundo. Ninguém viajava àquela hora da noite a não ser os salteadores, os
— Pois não, Sire?
Sob o crescente excitamento de todos, Yoshi virou-se na sela e apontou para leste e para o sul, na direção da costa.
— Estou mudando meu plano — anunciou ele, como se fosse uma decisão repentina, e não uma coisa planejada por vários dias. — Agora vamos seguir por este caminho, até a
Não havia necessidade de perguntar para onde estavam indo.
— Marcha forçada, Sire?
— Isso mesmo. E agora chega de conversa. Vamos embora!
Cento e vinte léguas, dez ou onze dias, pensou Yoshi. E, depois, Quioto e os portões. Meus portões.
25
IOCOAMA
No final da tarde desse mesmo dia, Hiraga esgueirou-se para os fundos de um barraco, na beira da cidade dos bêbados, onde um marujo pequeno e imundo o esperava, bastante nervoso.
— Dê-me o dinheiro, companheiro — disse o homem.
— Sim. Revólver, por favor?
— Num dia você está grã-fino, no outro parece um pobre coitado bexiguento. — O homem tinha uma barba grisalha, um olhar desconfiado, com uma faca afiada na cintura, outra numa bainha no antebraço. Quando Hiraga o abordara pela primeira vez, na praia, usava as roupas que Tyrer providenciara. Hoje usava uma túnica encardida de trabalhador, calça puída e botinas surradas. — Qual é o seu jogo?
Hiraga deu de ombros, sem compreender.
— Revólver, por favor.
— Revólver, hem? Já sei que é isso o que quer.