Ele observou por um momento, enquanto Tyrer se adiantava, fazia uma reverência para o oficial dos samurais, que retribuiu. É um bom rapaz, pensou Sir William, antes de se virar com os olhos frios para o general, afogueado e suando.

— Bom dia, Thomas.

— Bom dia, senhor.

O general bateu continência. Com firmeza... mas apenas por causa dos soldados ao seu redor. Sir William não levantou a cartola em resposta. Palhaço estúpido, pensou ele.

— Um dia agradável, não? — disse ele, jovial. — Sugiro que dispense seus homens.

O general gesticulou para o oficial de cavalaria que, em segredo, se sentia mais do que um pouco satisfeito pela chegada de Sir William naquele momento, sabendo muito bem que a culpa não era dos japoneses e que já deveria ter partido com a sua tropa atrás da turba. Um bando de patifes indisciplinados e turbulentos, pensou o oficial.

— Sargento! — gritou ele.— Leve todos os homens de volta ao acampamento e dispense-os! Agora!

Os soldados começaram a se afastar. Tyrer fez uma última mesura para o oficial dos samurais, bastante satisfeito consigo mesmo, e depois observou-os subirem pela rua, na direção do portão norte.

— Um bom trabalho, Phillip — comentou Jamie McFay.

— Acha mesmo? — murmurou Tyrer, simulando modéstia. — Não foi grande coisa.

Jamie McFay soltou um grunhido. Estava suando, o coração batia forte convencido até um instante atrás que era inevitável que alguém disparasse um tiro ou desembainhasse uma espada.

— Foi por pouco. — Ele olhou para Sir William, absorvido numa conversa particular com o general, agora ainda mais velho, e acrescentou, em voz baixa, com um sorriso: — Wee Willie está passando uma descompostura nele. O idiota bem que merece a lição.

— Ele é... — Tyrer parou de falar, sua atração atraída para um ponto acima da rua. Samurais corriam para um armazém em chamas no lado leste. — Por Deus, é a casa do shoya!

Tyrer saiu em disparada, com McFay em seus calcanhares. Vários samurais haviam subido para a varanda, batendo com os pés nas chamas, enquanto outros corriam para os enormes barris com água, cercados por baldes, mantidos a intervalos por toda parte, para aquelas emergências. Quando Tyrer e McFay alcançaram o local, o incêndio já se encontrava sob controle. Mais meia dúzia de baldes, e as últimas chamas chiaram e morreram. A parede externa do armazém fora destruída. Lá dentro, viram o shoya, tendo a seu lado um ashigaru, um infante. Os dois saíram para a varanda. O shoya ajoelhou-se e fez uma reverência, o ashigaru apenas inclinou a cabeça. Ambos murmuraram agradecimentos. Para espanto de McFay, não havia sinal de Hiraga, o homem que ele e Tyrer conheciam apenas como Nakama. Mas antes que qualquer dos dois pudesse falar, o oficial samurai já começara a interrogar o shoya e o infante.

— Como o fogo começou?

— Um estrangeiro jogou um pano em chamas na parede, senhor.

— Merda de cão, todos eles! Quero que faça um relatório, explicando a causa deste distúrbio. Até amanhã, shoya.

— Pois não, senhor.

O oficial, de rosto bexiguento, trinta e tantos anos, esquadrinhou o armazém.

— Onde está o outro homem?

— Como, senhor?

— O outro homem, o japonês que foi perseguido até aqui pelos gai-jin? —explicou ele, irritado. — Responda logo!

O ashigaru fez uma vênia polida.

— Desculpe, senhor, mas não havia mais ninguém aqui.

— Eu vi quando ele correu para cá... empunhando espadas! — Ele virou-se para os seus homens. — Quem o viu?

Todos o fitaram, apreensivos, sacudiram a cabeça. O rosto do oficial se avermelhou.

— Revistem o armazém!

A busca foi meticulosa, mas produziu apenas a família e os criados do shoya, que se ajoelharam para fazer uma reverência e permaneceram de joelhos. Todos negaram ter visto mais alguém. Um momento de silêncio; depois, Tyrer e McFay ficaram aturdidos ao ver o oficial perder a calma e desatar a vociferar.

Estóicos, o ashigaru e todos os soldados permaneceram em posição de sentido, rígidos, os aldeões de joelhos, a cabeça encostada no chão, tremendo sob as invectivas. Sem aviso, o oficial se adiantou e acertou um tapa com o dorso da mão no ashigaru. O homem permaneceu tão impassível quanto podia sob a chuva de golpes e insultos. A uma ordem estridente do oficial, o shoya levantou-se e permaneceu imóvel, enquanto o homem, frenético, o agredia no rosto, várias vezes, com extrema crueldade, as mulheres e crianças tentando não estremecer a cada golpe.

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