— Bom dia, tai-pan — disse Lunkchurch, tão risonho quanto os outros. — Estará no clube ao pôr-do-sol?

— O que vai acontecer? — perguntou Struan.

Lunkchurch sacudiu o polegar para o vapor de casco preto, com dois mastros, ancorado na enseada, perto da fragata de Marlowe. Exibia a bandeira da Brock & Sons.

— Aquele navio e suas notícias. Norbert convocou uma reunião; apenas os mercadores, sem a presença de Sir William.

— Eu ia fazer a mesma coisa. Ao pôr-do-sol, ótimo, estarei lá — disse Malcolm, muito tenso.

O Ocean Witch — todos os principais navios da Brock tinham Witch como segundo nome, enquanto a Struan usava Cloud — chegara inesperadamente na noite anterior, com notícias, correspondência e as últimas edições dos jornais de Hong Kong.

Os editoriais de todos os jornais falavam do almirante Ketterer e de seu ataque bem-sucedido aos ninhos dos piratas chineses, na área da baía de Mirs, informando que ele se encontrava a caminho de Xangai, para reabastecimento. O Guardian, em letras grandes, resumira a situação:

Num despacho para o governador, o almirante Ketterer escreveu que haviam sofrido algumas baixas, porque as baterias costeiras chinesas estavam equipadas com canhões modernos... canhões fabricados em Birmingham, saídos de Hong Kong, adquiridos por meios legais ou ilegais por Wu Sung Choi, o líder das frotas do Lótus Branco, que infelizmente não foi capturado, nem morto.

Por mais espantoso que possa parecer, o almirante recomendou, por causa desse pequeno incidente (os canhões foram destruídos por um destacamento de fuzileiros que desembarcou na praia), que todas as vendas de armas — e de ópio — fossem declaradas ilegais, proibidas em toda a Ásia, de imediato, em particular na China e no Japão, com as penalidades mais rigorosas para qualquer violação.

Essa injustificada interferência no comércio legítimo, essa inadmissível imputação de culpa a todos os mercadores na China — renomados por seu senso de justiça, por sua intrépida capacidade de desenvolver o império. Pela lealdade a sua majestade, que Deus a abençoe, e por colocarem a pátria acima do lucro — merecem os protestos mais vigorosos.

Os editores gostariam de perguntar ao almirante: quem fornece os impostos para pagar pela maior marinha que o mundo já conheceu (da qual ele é, sem dúvida, um membro extraordinário, embora desinformado sobre questões vitais do interesse da coroa), sem a qual nosso império deixa de existir: apenas e sempre os incansáveis mercadores e seu ofício...

— Ketterer é um idiota — disse Struan. — Norbert tem razão nesse ponto. Talvez agora Sir William veja a luz e peça um substituto imediato. Temos de lidar com os japas aqui e Ketterer não vai fazer nada sem ordens expressas.

— Não resta a menor dúvida de que precisamos de um homem com muita coragem — concordou Lunkchurch. — Ketterer é muito fraco.

Um dos outros homens interveio:

— Ei, Charlie, ele destruiu os piratas quando recebeu a ordem e fará a mesma coisa aqui. Que diferença pode haver em alguns meses a mais? — Uma pausa e ele indagou, ansioso: — Ei, tai-pan, podemos saber como está miss Angel?

— Está bem agora.

— Graças a Deus!

A notícia de que ela se encontrava acamada circulara depressa pela colônia, no dia anterior, e a preocupação aumentara ao se saber que se recusara a receber Babcott, Hoag, e até mesmo o tai-pan.

— Por Deus, é a comida francesa, ela está envenenada... Não, pegou a praga deles... Os franceses não têm pragas, apenas piolhos... Todos temos piolhos... Ouvi dizer que foi cólera...

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