— Conheço, e muito bem, embora nem Morgan nem o Velho Brock saibam que eu sei. Nem o Sr. Greyforth. — Ele baixou a voz ainda mais, os lábios mal se movendo. — Tudo isso deve ser mantido em segredo entre nós, mas o preço é você liquidar Morgan Brock, pressioná-lo até a bancarrota, levá-lo à prisão, se for Possível... e se for necessário acabar com Tyler também, não me importo, mas dos destroços vai garantir que terei cinqüenta por cento de participação na Rothwell, livres e desimpedidos. Também terá de me ajudar a levantar no Victoria Bank os recursos necessários para comprar a metade de Jeff Cooper. Durante dez anos, não vai me pressionar de outra forma que não como um concorrente normal, proporcionando-me a condição de nação favorecida em todos os negócios... tudo constando de um contrato, escrito e assinado por você. Depois de dez anos, pode tirar as luvas.
— Concordo — respondeu Malcolm no mesmo instante, pois esperava por condições mais difíceis. — Mas os miseráveis do Victoria não são nossos amigos. Foi Brock quem iniciou o banco, e sempre nos excluiu. Portanto, não seremos de grande ajuda nesse ponto.
— Tal situação vai mudar em breve, senhor. Daqui a pouco todos os diretores vão peidar, se lhes disser peidem. Tudo isso deve ser mantido em segredo, é claro. O que planeja fazer depois do duelo?
Malcolm não hesitou, embora estranhasse poder confiar naquele homem tão depressa, e falou sobre o embarque no
— Parto do pressuposto que serei o vencedor e não ficarei gravemente ferido. — Uma pausa e ele acrescentou, confiante: — Depois que chegar a Hong Kong, poderei esfriar as coisas.
— Tem condições de atirar direito apoiado nas bengalas?
— Uma é suficiente para me equilibrar por tão pouco tempo. — Malcolm sorriu. — Tenho praticado.
— Quero propor agora uma manobra para evitar as repercussões legais. Deu certo na Virgínia e o mesmo deve acontecer aqui, caso qualquer dos dois seja morto. Cada um escreve uma carta para o outro, datada e entregue na noite anterior ao duelo, dizendo que concordam, por consenso mútuo, em cancelar o duelo, e que “num encontro amanhã, na terra de ninguém, ambos aceitarão, como cavalheiros, um pedido de desculpas mútuo e simultâneo”. — Gornt sorriu. — Nós, os padrinhos, vamos testemunhar que, tragicamente, enquanto mostravam suas pistolas um ao outro, uma delas disparou, num lamentável acidente.
— Uma boa idéia. Norbert concordou?
— Concordou. Eu lhe entregarei a carta dele na terça-feira. Mande a sua pelo Sr. McFay. Mas é melhor manter em segredo, pois se trata de um estratagema.
“Terça-feira” continuava ecoando na mente de Malcolm, mas ele forçou para o lado. Gornt dizia, descontraído:
— Depois do duelo... seria melhor se o matasse, em vez de apenas feri-lo... irei para o clíper com você. Em troca do contrato escrito, explicarei em detalhes como pode arruinar totalmente a rede de segurança financeira da Brock, com um pacote de cópias autenticadas de cartas e documentos, o suficiente para qualquer tribunal de justiça e outros que lhe proporcionarão os meios de pressionar o Victoria.
Malcolm experimentou uma intensa exultação.
— Por que não agora? Por que esperar até quarta-feira?
— O Sr. Greyforth pode matá-lo — disse Gornt, calmamente. — Neste caso, as informações seriam desperdiçadas e eu correria um risco sem qualquer proveito.
Depois de uma pausa, Malcolm indagou:
— Digamos que ele me mate, ou me deixe gravemente ferido... como obteria a vingança que deseja?
— Procuraria a Sra. Struan imediatamente. Mas não creio que será necessário. Aposto no senhor, não nela.
— Ouvi dizer que não jogava, Sr. Gornt.
— Cartas, a dinheiro, não, senhor, nunca... constatei a inutilidade disso por meu padrasto. Com a vida? Até o limite. — Gornt sentiu que os olhos o fitavam e murmurou: — Alguém nos observa.
Ele olhou ao redor. Era Angelique, saindo do prédio Struan, no outro lado da rua. Ela acenou. Malcolm acenou em resposta e levantou-se. Os dois homens observaram-na se aproximar.
— Olá, Angel — disse Malcolm, afetuoso, as palavras do almirante aflorando em sua mente. — Quero apresentá-la ao Sr. Edward Gornt, da Rothwell, de Xangai. Minha noiva,
— Madame!
Gornt pegou a mão de Angelique e beijou-a, galante.
— Sr. Gornt — murmurou ela, lendo seus olhos.
Houve um silêncio abrupto e curioso entre os três, e depois, sem qualquer razão aparente, desataram a rir.
— O que foi? — indagou ela, sentindo o coração acelerar.
—
Angelique fitou-o, gostando do que via, animada pelo sorriso, depois pegou o braço de Malcolm, já relatando o encontro, na carta que interrompera: