— Ah,
— Não interrompeu, Angel — declarou Malcolm.
— Eu já ia embora—acrescentou Gornt. Não havia necessidade de esconder toda a sua admiração. — Foi um prazer conhecê-la, madame. — Ele fez uma reverência. — Bom dia, senhor. Ficarei em contato.
Eles observaram-no se afastar.
— Quem é o Sr. Gornt?
Malcolm disse, mas nada contou sobre o verdadeiro Sr. Gornt, seus pensamentos voltados para a próxima terça-feira.
— Mais porco no molho de feijão preto, irmã mais nova? — perguntou Ah Tok mastigando um pedaço de peixe.
— Obrigada. — Ah Soh inclinou-se com os pauzinhos para reabastecer sua tigela, mas mudou de rumo, optando pelo camarão frito que vinha cobiçando. — Por favor, continue, irmã mais velha.
As duas se encontravam no quarto de Ah Tok, o almoço servido em vários pratos, junto com um bule de chá de jasmim fresco.
— É muito difícil. Ilustre Chen não deu instruções precisas.
— Ele não costuma agir assim. — Ah Soh serviu-se de mais pedaços suculentos de carne de vaca, num molho de ostra. — É muito estranho.
— Concordo, mas também sua nova concubina, a prostituta de Soo Chow vem com certeza absorvendo a maior parte de sua concentração.
— É verdade que ela tem quatorze anos, sem pêlos púbicos?
Ah Tok pegou outra cabeça de peixe, sugou a carne, com satisfação.
— Só o povo do alho de Chosen é que não tem pêlos púbicos.
Ela cuspiu as espinhas no chão, selecionou outro pedaço.
— Interessante. Será por causa de todo o alho que comem? Posso reler a carta dele, irmã mais velha?
A carta dizia:
— O que ele quis dizer em ser como morcegos? — indagou Ah Soh, irritada.
— Morcegos são silenciosos, mas guincham. Os morcegos podem voar no escuro, mas são cegos durante a claridade, são invisíveis à noite, desamparados de dia. Seus excrementos são valiosos, mas fedem demais. O que ele quis dizer?
— Olhos, ouvidos e narinas abertos, como um morcego, e vigiar onde larga seu excremento! — Ah Tok soltou uma risada. — Dez mil verões para Chen da Casa Nobre, pois sem ele não saberíamos que o portão de jade da mulher esteve na porta de meu filho!
— Como sabemos que foi ele? — especulou Ah Soh, com um vigoroso arroto. — Como sabemos que foi mesmo o amo, e não algum outro?