Confesso, minha cara Colette, que os vi no passeio, assim resolvi pôr minha melhor touca e pegá-los de surpresa. Tratei logo de passar o braço pelo de Malcolm (DEFENSIVAMENTE), pois esse recém-chegado é alto e bonito, com um brilho malicioso por trás dos olhos, que percebi no mesmo instante, embora Malcolm não devesse estar consciente, ou se mostraria mais ciumento que o habitual, o pobre querido! Eu queria conhecer esse estranho alto casualmente. Ele tem um ligeiro sotaque sulista, ombros largos, cintura estreita, deve ser um esgrimista, e um magnífico dançarino... espero que seja um amigo, pois preciso de muitos por aqui...

— Ah, chéri... — murmurou ela, abanando-se contra o imediato e agradável calor interno, uma reação felina subconsciente à masculinidade de Gornt. — Desculpe, eu não queria interromper uma conversa importante...

— Não interrompeu, Angel — declarou Malcolm.

— Eu já ia embora—acrescentou Gornt. Não havia necessidade de esconder toda a sua admiração. — Foi um prazer conhecê-la, madame. — Ele fez uma reverência. — Bom dia, senhor. Ficarei em contato.

Eles observaram-no se afastar.

— Quem é o Sr. Gornt?

Malcolm disse, mas nada contou sobre o verdadeiro Sr. Gornt, seus pensamentos voltados para a próxima terça-feira.

— Mais porco no molho de feijão preto, irmã mais nova? — perguntou Ah Tok mastigando um pedaço de peixe.

— Obrigada. — Ah Soh inclinou-se com os pauzinhos para reabastecer sua tigela, mas mudou de rumo, optando pelo camarão frito que vinha cobiçando. — Por favor, continue, irmã mais velha.

As duas se encontravam no quarto de Ah Tok, o almoço servido em vários pratos, junto com um bule de chá de jasmim fresco.

— É muito difícil. Ilustre Chen não deu instruções precisas.

— Ele não costuma agir assim. — Ah Soh serviu-se de mais pedaços suculentos de carne de vaca, num molho de ostra. — É muito estranho.

— Concordo, mas também sua nova concubina, a prostituta de Soo Chow vem com certeza absorvendo a maior parte de sua concentração.

— É verdade que ela tem quatorze anos, sem pêlos púbicos?

Ah Tok pegou outra cabeça de peixe, sugou a carne, com satisfação.

— Só o povo do alho de Chosen é que não tem pêlos púbicos.

Ela cuspiu as espinhas no chão, selecionou outro pedaço.

— Interessante. Será por causa de todo o alho que comem? Posso reler a carta dele, irmã mais velha?

A carta dizia:

Saudações, Ah Tok, sexta prima em segundo grau. Fez muito bem ao me consultar de imediato. A rolha do vidro revelou vestígios claros de Escuro da Lua, que deve ser o expulsor da terra do cão no mar Oriental. Um aborto! A prostituta foi sensata e insensata ao usá-lo, o amo sensato e insensato ao propô-lo. Até sabermos se foi ele quem tomou a decisão, ou se foi ela sem o conhecimento do amo, você não deve fazer nada. Prima, escute-o dormindo — ele sempre murmurou no sono, desde criança —, talvez ele diga mais alguma coisa. Instrua Ah Soh afazer a mesma coisa, e as duas serão como morcegos. Obedeçam, e sejam persistentes.

— O que ele quis dizer em ser como morcegos? — indagou Ah Soh, irritada.

— Morcegos são silenciosos, mas guincham. Os morcegos podem voar no escuro, mas são cegos durante a claridade, são invisíveis à noite, desamparados de dia. Seus excrementos são valiosos, mas fedem demais. O que ele quis dizer?

— Olhos, ouvidos e narinas abertos, como um morcego, e vigiar onde larga seu excremento! — Ah Tok soltou uma risada. — Dez mil verões para Chen da Casa Nobre, pois sem ele não saberíamos que o portão de jade da mulher esteve na porta de meu filho!

— Como sabemos que foi ele? — especulou Ah Soh, com um vigoroso arroto. — Como sabemos que foi mesmo o amo, e não algum outro?

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