— Ótimo. Obrigado. Mantenha-me informado sobre Angelique. Também não esqueça do nosso jantar esta noite. E a nossa partida de bridge?
— É melhor adiar as duas coisas para amanhã.
— Tem razão, será melhor assim. Obrigado outra vez... droga, eu já ia esquecendo. O que faremos com Norbert?
— Um enterro rápido, logo esquecido, e nunca lamentado.
— Terei de realizar um inquérito. Edward Gornt é americano, um cidadão estrangeiro... ele está preparando um depoimento assinado. Ainda bem que Adamnson está de licença, pois ia querer se intrometer. Ele é advogado, não é mesmo. além de
— De qualquer forma, não importa. Hoag e eu podemos dar o testemunho médico. — Babcott levantou-se e acrescentou friamente: — Mas o “tiro pelas costas”? Não é uma boa propaganda para Iocoama.
— É o que estou pensando. — O rosto de Sir William se contraiu. — Não gostaria que isso transpirasse.
— Para os nossos anfitriões?
— Isso mesmo. Eles terão de ser informados, é inevitável. Mas também não posso fazer um relato formal do que aconteceu exatamente. É óbvio que Norbert sofreu uma morte acidental. E Struan?
— Diga-lhes a verdade — respondeu Babcott, consternado com a perda, furioso consigo mesmo por seu trabalho não ter sido bastante bom, e porque desejava, desesperadamente, não como médico, tomar Angelique em seus braços para protegê-la de tudo. — E a verdade é que a morte desnecessária e prematura daquele jovem extraordinário pode ser atribuída aos ferimentos sofridos no ataque sem qualquer provocação na Tokaidô!
Sir William acrescentou, amargurado:
— Por assassinos miseráveis que ainda não foram levados à justiça. Tem toda razão.
Ele deixou Babcott se retirar, acenou para que Tyrer ficasse longe e foi se postar à janela, perturbado por sua atual impotência. Tenho de enquadrar o
Claro que haveria uma retaliação... com a perda de muitas vidas. Mas terei fracassado em meu dever, todos estaremos mortos, o que é um pensamento dos mais desagradáveis. Se ao menos Ketterer não fosse tão teimoso... Como posso submeter o desgraçado obstinado à minha vontade?
Ele suspirou, conhecendo uma resposta: primeiro, terá de fazer as pazes com ele!
O encontro tempestuoso na noite passada, por causa do ostensivo descaso do almirante ao pedido da Sra. Struan e ao seu próprio conselho, que não suspeitava do verdadeiro motivo, até arrancá-lo pouco antes de Jamie McFay, acabara se deteriorando para uma confrontação aos gritos:
— Foi um erro permitir que Marlowe...
— Achei que era melhor assim! E agora vai me escutar...
— Melhor? Mas que droga! Acabei de saber que você achou melhor interferir estupidamente em questões políticas e comerciais, tentando negociar um acordo não compulsório com o pretendente ao trono Struan, alienando assim a verdadeira chefe para sempre! Não é verdade?
— E o senhor está querendo interferir em questões que são uma prerrogativa exclusiva do Parlamento, como a declaração de guerra, e o verdadeiro motivo para ser tão desavisado, em sua linguagem, para se mostrar tão transtornado, é o fato de que eu não quero iniciar uma guerra que não podemos vencer, que não podemos sustentar com nossas forças atuais, se é que o conseguiríamos sob quaisquer cicunstâncias; na minha opinião qualquer ataque à capital será considerado pelos nativos, com toda razão, como um ato de guerra, e não um incidente. Boa noite!
— Mas concordou em aju...
— Concordei em exibir alguns sabres, disparar alguns tiros de exercício para impressionar os nativos, mas não concordei em bombardear Iedo, e não o farei jamais, a menos que me apresente uma autorização por escrito, aprovada pelo almirantado. Boa noi...
— A marinha e o exército estão sujeitos ao controle civil, e sou eu quem manda aqui!
— É, sim, mas só se eu concordar! — berrara o almirante, o rosto e o pescoço roxos. — Não manda em meus navios, e até eu receber ordens em contrário aprovadas pelo almirantado, comandarei minha esquadra como achar melhor! Boa noite!
Sir William foi sentar à sua escrivaninha. Suspirou, pegou uma pena e escreveu em seu papel timbrado: