— Fique quieto — murmurou Sir William, pelo canto da boca. — E não diga nada!

— Também queremos um sistema bancário moderno e fábricas experimentais. Um país sozinho não pode fazer tudo. Vocês são ricos, o xogunato é pobre. Quando os planos forem aceitos, concordarei com um preço justo. Será pago em carvão, prata, ouro e arrendamentos anuais de portos seguros. Eu gostaria de uma resposta provisória em trinta dias, se for do interesse de vocês. No caso de um sim, um ano seria tempo suficiente para que planos detalhados fossem aprovados por seus soberanos?

Era difícil para Yoshi manter o controle externo, e ele especulou o que diriam se soubessem que não tinha autoridade para apresentar essa proposta, nem qualquer meio de implementá-la. A oferta era para persuadi-los a um ano de trégua de qualquer conflito exterior, um prazo de que ele precisava para suprimir a oposição interna ao xogunato, e lidar com seus principais inimigos, Ogama de Choshu e Yodo de Tosa, agora que Sanjiro seria removido.

Ao mesmo tempo, era um salto para o futuro, para o desconhecido, que o assustava e deixava exultante, de uma maneira que não podia compreender. Todas as idéias baseavam-se nas informações que o espião de Inejin obtivera do shoya Ryoshi, que de nada desconfiava, sobre os métodos dos gai-jin, e confirmadas pelo que vira e ouvira no navio de guerra, que era impressionante, mas nem de longe tão grande e mortífero quanto a nave capitânia dos ing’erish.

Odiando a realidade, mas aceitando-a, ele compreendera que a terra dos deuses, por autodefesa, tinha de se tornar moderna. Para isso, precisava negociar com os gai-jin. Abominava-os e desprezava-os, desconfiava deles, mas os gai-jin contavam com meios para destruir o Nipão, no mínimo para lançá-los de volta às guerras civis que haviam se prolongado por séculos, antes que o xógum Toranaga contivesse o bushido, o espírito guerreiro dos samurais.

Ele observou os dois líderes conversarem entre si. E depois viu o líder ing’erish falar para o jovem intérprete, Taira, que disse, em seu japonês exótico, mas compreensível:

— Meu superior agradece, Sire, pela... por confiança. Precisar cento e vinte dias enviar mensagem “Parlamento rainha” e “rei furansu”... e resposta voltar, Ambos líderes ter certeza resposta é sim.

Cento e vinte dias era melhor do que ele esperava.

— Está bem — disse Yoshi, com uma expressão solene, mas tonto de alívio por dentro.

Agora, a melhor parte do plano, pensou ele, vendo-os se prepararem para encerrar a reunião. Um olho por um olho, uma morte por uma morte.

— Por fim, tenho certeza que W’rum-sama não sabe que o homem que ele abriga, chamado Nakama, é um samurai renegado, um ronin e um revolucionário, cujo verdadeiro nome é Hiraga, às vezes chamado Otami. Exijo ele imediatamente. O homem é procurado por assassinato.

Naquele momento, no outro lado da baía, na Yoshiwara de Iocoama, Katsumata disse:

— Hiraga, pensou como podemos enfurecer os gai-jin, um incidente hostil para lançá-los contra o xogunato?

Os dois se achavam sentados frente a frente, numa casinha isolada, nos jardins da casa das Três Carpas.

— Incendiar uma das igrejas seria o mais fácil — respondeu Hiraga, mantendo sua ira bem reprimida, pois Katsumata era muito perceptivo. Ele acabara de chegar, chamado de seu refúgio na aldeia por um criado sonolento. Exceto por umas poucas criadas da cozinha, acendendo o fogo e limpando tudo, não havia mais ninguém de pé. Raiko e suas damas ainda dormiam e poucas acordariam antes de meio-dia. — Isso os deixaria furiosos, mas primeiro deixe-me contar o que consegui realizar aqui...

— Mais tarde. Primeiro, temos de formular um plano. Uma igreja? A idéia é interessante...

Katsumata exibia uma expressão dura e fria, não mais disfarçado, como se apresentara em Hodogaya. Parecia agora um bonzo, um sacerdote budista, o rosto raspado, a não ser por um bigode. A cabeleira era antes uma peruca e desaparecera. A cabeça tinha fios de cabelo curtos como a de um bonzo, ele usava a túnica laranja budista, sandálias e um cinto de contas de oração. A espada longa, com a bainha usada nas costas, estava ao seu lado, sobre os futons, e a mon, as cinco insígnias na túnica, proclamavam que era membro de uma ordem monástica militante.

Essas virtuais ordens militares eram constituídas por samurais que haviam renunciado a essa condição para servir a Buda, em caráter permanente ou temporário, para pregar e vaguear pela terra, fazendo boas ações, sozinhos ou em bandos, punindo assaltantes e bandidos, protegendo os pobres dos ricos e os ricos dos pobres... e alguns mosteiros. O Bakufu e a maioria dos daimios os toleravam, desde que mantivessem sua violência dentro de limites.

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