Não posso deixar de lhe agradecer pelas valiosas informações que me foram transmitidas, por instigação sua, pelo nosso conhecido comum.

Se, como acredito que acontecerá, o material provar ser válido, eu e a Casa Nobre ficaremos em dívida com você e com essa pessoa, a um preço inestimável. O fato de que ele indicou um preço, razoável, considerando-se o seu valor, não é da sua conta, já que nada pediu e nada receberá. Mas seu presente para a memória de meu filho e o futuro da Struan merece alguma consideração.

Como resolver esse impasse?

A solução, se é que alguma pode ser encontrada, deve ficar entre nós, como inimigas — sempre seremos inimigas — e como mulheres.

Primeiro, peço que coopere com o Dr. Hoag, permitindo que ele a examine na ocasião oportuna, para confirmar se espera ou não uma criança. Claro que o Dr. Babcott ou qualquer outro médico que desejar pode ser consultado, para corroborar o diagnóstico.

Segundo, vamos esperar até o segundo mês, para haver certeza, e depois seguiremos adiante. A esta altura, a petição já estará preparada, e pronta para ser apresentada ao tribunal... e não digo isso como uma ameaça, apenas como um fato. A esta altura, as informações de nosso conhecido já terão dado resultados, pelo menos parciais. No momento, não imagino como podem falhar. O fato de que o persuadiu a me procurar contribuiu para criar, como já ressaltei, uma obrigação minha e da Casa Nobre com você.

Talvez, a esta altura, com a ajuda de Deus, o impasse possa ser resolvido. Tess Struan, Hong Kong, 30 de dezembro de 1862.

A mente de Angelique oscilava entre a felicidade e o terror, vitória e derrota. Vencera ou fracassara? Tess Struan nada prometia, mas acenara com um ramo de oliveira? Petição legal? Tribunais? Banco das testemunhas? Pálida agora, ela recordou as palavras de Skye, como seria fácil para a oposição descrevê-la como uma Jezebel sem dinheiro, filha de um criminoso, e outras horríveis verdades distorcidas. “Impasse” e “solução”? Isso não significava que ela vencera, pelo menos uma vitória parcial?

Edward! Esta noite ou amanhã, Edward me contará tudo! E o Sr. Skye é esperto, ele saberá, oh, Deus, espero que saiba!

Angelique levantou os olhos e deparou com Hoag a observá-la.

— Oh, desculpe, eu tinha esquecido... — Atordoada, ela torceu o pano de uma manga, batendo com o pé no chão, inquieta. — Não queria um drinque? Posso chamar Ah Soh e... desculpe... parece que não consigo...

Era difícil organizar as palavras e Hoag percebeu a mudança, especulou se seria o princípio do colapso que previra. Os sinais existiam, as mãos se agitando sem serem notadas, o rosto pálido, os olhos arregalados, as pupilas alteradas.

— O que ela disse? — indagou Hoag, afável.

— Ahn... nada... exceto para esperar até...

As palavras definharam, o olhar de Angelique perdeu-se na distância.

— Até? — insistiu ele, a fim de trazê-la de volta, escondendo sua preocupação.

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