— O que ela disse a você? O quê? — O rosto de Jamie era severo, os olhos penetrantes. — Disse que estava me mandando dinheiro?

— Não, não disse. Apenas falou que você era um bom mercador e seria bem-sucedido. Vamos logo comer. Estou famin...

O que ela disse? Exatamente.

— Já expliquei. Vamos al...

— Conte-me o que ela falou. E diga a verdade, exatamente! Ela lhe falou sobre o dinheiro, não é?

— Não, não exatamente.

Maureen desviou os olhos, furiosa consigo mesma.

— A verdade! — Jamie segurou-a pelos ombros. — E agora!

— Está bem.— Ela respirou fundo e pôs-se a falar, com uma velocidade cada vez maior. — Foi assim que aconteceu, Jamie, exatamente assim. Quando fui ao prédio da Struan para perguntar onde você estava, se no Japão ou em outro lugar, mandaram-me esperar. E depois ela me chamou, a Sra. Struan, para aquela sala grande de onde se podia ver toda Hong Kong, mas uma mulher muito triste, embora com bastante força. Largue-me por um momento.

Maureen tornou a enxugar os olhos, assoou o nariz e, depois, sem saber o que fazer com as mãos, passou o braço pelo dele, e sua mão encontrou o caminho para o bolso do casaco de Jamie.

— Vamos andar, Jamie, é mais fácil falar andando. Faz muito frio. A Sra. Struan me convidou a sentar, disse que você fora dispensado. Perguntei por que e ela me contou. Protestei que não era justo, não era problema seu se o filho dela era um pequeno demônio, loucamente apaixonado por uma aventureira inaceitável chamada Angelique... não sei nada sobre aventureiras, Jamie, mas depois de ter visto Angelique posso compreender por que o filho dela ou qualquer outro homem se apaixonaria por uma mulher assim, e tendo conhecido a mãe, também compreendo por que havia ira entre eles...

Uma rajada de vento agitou seus chapéus, tiveram de segurá-los, e depois Maureen continuou:

— Nós... tivemos uma briga. Não se esqueça que isso foi dias antes de sabermos da morte do rapaz. Foi uma briga terrível, Jamie. Logo estávamos as duas de pé e receio ter perdido o controle. Você ficaria envergonhado de mim. Ainda por cima, usei algumas palavras horríveis de papai.

Ele parou, aturdido.

— Teve uma briga com Tess?

— Isso mesmo. Nunca, em toda a minha vida, tive uma briga tão terrível, nem mesmo com minhas irmãs e meu irmão, em segredo. Não me sentia muito corajosa, mas tamanha injustiça me deixou enfurecida, a coisa transbordou, e lhe dei... — a boa natureza e o senso de humor de Maureen voltaram e ela riu, nervosa. — Puxa, foi como uma briga de rua em Glasgow, duas peixeiras no mercado, dispostas a arrancar os cabelos uma da outra. Em determinado momento, algumas pessoas entraram, mas ela expulsou-as... Muito bem, miss Ross, disse ela, os lábios contraídos, finos como o gume de uma adaga escocesa, as duas ofegando, sem qualquer sinal de amizade, o que acha que devo fazer? Fazer?, repeti. Primeiro dê ao Sr. McFay uma boa gratificação de dispensa, pois ele a mereceu uma dúzia de vezes, ao longo de seus anos de serviços, e lhe dê negócios para começar seus negócios e também lhe escreva um bom bilhete.

— Você disse isso? A Tess?

— Disse, sim. — Ela viu e ouviu a incredulidade e tratou de dissipá-la no mesmo instante. — Juro que é essa a verdade de Deus, Jamie. Não ia lhe contar, mas você insistiu e eu não mentiria. Pelo Senhor Deus, juro que é a verdade!

— Eu sei. Desculpe. Por favor, continue.

— Não precisa se desculpar, pois eu mesma não acreditei na ocasião. Depois que eu disse o que tinha de dizer, sem a menor gentileza, a Sra. Struan riu e riu, e me disse para sentar. Muito bem, concordo, mas sem o bilhete. Não é suficiente, insisti. E perguntei qual era a compensação justa. Seu sorriso desapareceu e ela respondeu mil guinéus. Falou igualzinho ao pai quando está com raiva. É muito pouco. Dez mil.

Maureen parou de novo, fitou-o, inquisitiva.

— Tive de acertar em cinco. Foi certo? Eu não sabia se era suficiente. Acha que é?

— Você acertou? Você acertou em cinco mil?

— Foi preciso algum tempo e mais imprecações... naquela noite pedi perdão a Deus pelas imprecações, mas o fato é que usei mais palavras do pai. Espero que tenha sido um acordo justo, Jamie, junto com os negócios extras... e ela concordou que não faria nada contra você, seriam amigos nos negócios, considerei que isso era importante. Depois de concordar, ela arrematou, com seu sorriso gelado: Vá se encontrar com o seu Sr. McFay, com os meus cumprimentos.

Maureen olhou para as ondas por um momento, organizando os pensamentos. Outro dar de ombros, nervoso, e depois ela tornou a fitá-lo, com um ar ingênuo.

— Foi isso o que aconteceu, e o fiz por você, não por mim, nem por nós, só por você. Não tinha a intenção de mencionar.

— Jamie! Miss Ross!

Lunkchurch saiu de seu escritório, juntou-se a eles, antes que se dessem conta. Cumprimentou-os, efusivo, quase asfixiando Maureen com o cheiro de uísque, convidou-os para jantar naquela noite, e depois se afastou, cambaleando.

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