Inejin fora diligente, como sempre. Assim, Yoshi sabia agora muita coisa sobre a Yoshiwara dos gai-jin, quais eram as estalagens mais populares, sobre Raiko e a prostituta daquele jovem esquisito e tão feio, Taira, a velha de muitos nomes agora chamada Fujiko. E sobre a estranha prostituta de Furansu-san. O líder gai-jin, Sur Wrum, não tinha nenhuma prostituta especial. Serata usava duas, esporadicamente. Nemi era chamada de a consorte do chefe mercador gai-jin e uma boa fonte de informações. O doutor não visitava a Yoshiwara. Por quê? Meikin vai descobrir...

Ah, sim, Meikin, a traidora, você não está esquecida!

— Diga ao doutor que aguardo ansioso a sua visita na próxima semana — disse ele, incisivo. — E agradeça a ele. Abeh!

Abeh entrou na sala, ajoelhou-se.

— Escolte-os até Kanagawa. Não, leve-os pessoalmente até o líder gai-jin, em Iocoama, e traga de volta o renegado Hiraga.

— Olá, Jamie! Está na hora do almoço! Ontem à noite você disse para vir chamá-lo a uma hora! — Maureen sorriu da porta, de touca, vestida com elegância, as faces coradas pela caminhada apressada desde o prédio da Struan. — Uma hora, você disse, para o almoço no seu clube.

— Já estou indo, menina — disse ele, distraído, concluindo a carta para seu banqueiro em Edimburgo, sobre o empreendimento conjunto com o shoya, e anexando a ordem de pagamento de Tess Struan para depósito. Tenho de falar de alguma forma com Nakama-Hiraga, assim que ele for encontrado. Onde será que se meteu? Espero que não tenha fugido, como todos pensam. — Sente-se. Albert vai com a gente.

Ele estava tão absorvido que não percebeu o desapontamento de Maureen. O novo escritório ficava no prédio do Guardian, perto da cidade dos bêbados, na High Street. Era muito menor do que o escritório anterior, no prédio da Struan, mas tinha uma vista agradável da baía, o que era importante, permitindo que o mercador observasse as chegadas e partidas dos navios. Não mobiliado, exceto por uma escrivaninha e três cadeiras, meia dúzia de arquivos. Pilhas de livros e caixas, maços de papel em branco, penas e cadernos de contabilidade, que tomara emprestado até que chegasse sua encomenda de Hong Kong, espalhavam-se por toda parte. Na mesa, havia mais papéis, cartas, pedidos e uma circular, anunciando o lançamento de sua nova companhia e pedindo negócios. Tudo tinha de ficar pronto para a partida do Prancing Cloud.

— Dormiu bem, Jamie?

Ele fechou a carta, mal ouvindo-a.

— Dormi, sim, obrigado. E você?

Jamie pegou outra pilha de correspondência. As cartas haviam sido copiadas por dois escriturários portugueses que ocupavam uma sala no final do corredor, ao lado da oficina gráfica. Os escriturários foram emprestados por MacStruan, até que ele pudesse ter empregados permanentes.

— Albert é um bom sujeito, não acha? — murmurou ele, distraído. — Eu disse que poderíamos nos atrasar um pouco.

Se dependesse dele, não iria ao clube, apenas pediria a um dos escriturários que lhe fizesse um sanduíche ou encomendasse um pouco da comida chinesa que os dois mandavam vir todos os dias da cidade dos bêbados. Meia hora depois, Jamie largou a pena e disse, jovial:

— Vamos?

— Hum, hum...

— Qual é o problema?

— É que eu esperava que pudéssemos almoçar a sós, pois temos muito o que conversar... obviamente, não houve tempo ontem à noite. Foi uma bela festa, não é?

— Foi, sim. Os dançarinos cossacos eram espetaculares. E teremos muito tempo para conversar. Desculpe, mas achei que não era importante.

— Angelique também foi espetacular, assim como muitos de seus amigos, entre os quais Marlowe e Pallidar!

Maureen riu, descontraída. Aliviado, ele baixou a guarda, pegou o chapéu e o casaco, abriu a porta.

— Fico contente que tenha gostado.

— Você saiu ontem à noite, depois que nos despedimos.

Jamie tornou a levantar a guarda, baixo demais para evitar o rubor de culpa

— Ahn... é verdade.

— Bati na sua porta, mas não houve resposta... queria apenas conversar, não me sentia cansada. Você disse que estava cansado.

— E estava mesmo, mas depois o cansaço desapareceu. Vamos embora?

— Claro. Estou com fome.

Saíram para o passeio. Não havia muitas pessoas ali. O dia não era dos melhores, o mar encapelado, o vento forte.

— Não é tão ruim quanto Glasgow nesta época do ano — comentou Maureen alegre, passando o braço pelo dele.

— Tem razão. O frio não vai durar. Muito em breve chegará uma das melhores épocas do ano. A primavera e o outono são maravilhosos aqui.

Ele respirava melhor, agora que o assunto ficara para trás. Mas Maureen indagou, sempre jovial:

— Você foi à Yoshiwara?

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