— É verdade. Minha musume diz que foi mesmo.

— Um relato provável é o de que o incendiário foi o samurai Nakama, o sujeito procurado pelo Bakufu como um revolucionário, embora o Sr. Tyrer e eu... e o Sr. McFay também, se não me engano... o achássemos simpático, alguém que não constituía uma ameaça, e uma vasta fonte de informações.

— É verdade — declarou Jamie, revigorado pela ternura de Maureen. — Não creio que ele pudesse ser um incendiário, para dizer o mínimo.

— Seja como for, talvez nunca saibamos com certeza, porque ele está morto, foi surpreendido em circunstâncias suspeitas. Todos devem estar precavidos para a possibilidade de ter sido um incêndio criminoso. Pessoalmente, não estou convencido, mas se o incêndio foi um ato de violência contra nós, haverá outros. Se foi um ato de Deus... ora, esse é seu privilégio...

— Amém — disseram muitos, gratos por estarem vivos.

— ...portanto, fiquemos conscientes do possível perigo, mas vamos agir de modo normal e voltar ao trabalho. Obrigado a todos e bom dia.

— E o que vamos fazer com a Yoshiwara e a casa da Sra. Fortheringill?

Sir William piscou, aturdido. Pelo bom Deus, devo estar ficando velho, pensou ele. O problema da Yoshiwara não lhe ocorrera, mas era a única coisa que tornava o Japão suportável, e até mesmo desejável, para muitos homens.

— O estabelecimento da Sra. Fortheringill deve estar coberto pelo seguro, com certeza. Quanto à Yoshiwara... Vamos abrir um fundo de contribuições agora mesmo. Por uma semana. Eu começo, doando vinte guinéus, e... ora, como é parte de nossa área de desastre, o governo de sua majestade vai igualar, libra por libra, todas as contribuições.

Sob mais aplausos e tapinhas nas costas, Sir William conversou por um momento com os outros ministros, comunicando-lhes, para surpresa de todos, que a reunião com Yoshi continuava de pé, que ele e Seratard tratariam com Yoshi, mas todos jantariam juntos naquela noite, num encontro particular. Saindo para o passeio, ele enxugou o suor da testa. Satisfeito, encaminhou-se para a legação.

— Ei, olhem só! — gritou alguém, por trás dele.

Sir William virou-se e observou, espantado, com a maior inveja, assim como os outros que saíam do clube.

Na área desolada em que antes existia a aldeia, havia agora todo um enxame de homens, mulheres e crianças diligentes, limpando e trabalhando, com o mesmo empenho de formigas num formigueiro, todos com o mesmo objetivo: reconstituir o que desaparecera. Duas casas, com telhado e paredes de shoji, já se encontravam prontas e havia outras parcialmente erguidas. Muitas pessoas carregavam tábuas e paredes de shoji de pilhas além do portão sul.

É uma pena que o nosso pessoal não demonstre a mesma diligência, pensou Sir William, impressionado. Ele também viu, no outro lado do fosso, através da ponte reparada, a ponte para o paraíso, mais atividade, um portão provisório erguido, balançando à brisa.

Do lugar em que se encontrava, podia ler os caracteres chineses, tão apreciados, muito bem lembrados... a tradução para o inglês também inscrita ali, parecendo de certa forma exótica na caligrafia: O desejo não pode esperar, deve ser satisfeito.

Naquela tarde, o mar sereno, o céu ainda nublado, o cúter da Struan aproximou-se do cais em Iocoama, voltando da reunião com Yoshi em Kanagawa. O galhardete de Sir William tremulava no mastro. As pessoas na cabine, Sir William, Seratard e Tyrer, cochilavam... Tyrer como um morto. O contramestre tocou o apito, pedindo passagem aos cúteres que se acumulavam nas proximidades do atracadouro, mas soaram gritos de “espere a sua vez!”, com uma ampla variedade de palavrões como pontuação. Sir William abriu os olhos e berrou para o contramestre:

— Deixe-nos no cais da Brock!

Quando o contramestre sugeriu que o Sr. MacStruan não ia gostar, Sir William acrescentou:

— Faça logo o que estou mandando!

Os outros foram arrancados do sono, mas Tyrer murmurou algumas palavras incompreensíveis e voltou a dormir. Seratard esticou-se, reprimiu um bocejo.

— Grande almoço, William, um excelente peixe. — Sem notar, ele passou a falar em francês. — Eu teria preferido um molho de manteiga com alho e salsa. Mas não importa. Seu chefe inglês, o que mais poderia fazer?

— Ele é chinês — protestou Sir William, jovial.

A reunião transcorrera exatamente como ele planejara. Ou seja, não houvera nenhuma reunião. Haviam chegado a tempo, esperaram meia hora e depois chamaram o governador local, Tyrer dizendo que não podia entender o que acontecera com lorde Yoshi.

— Ele estar doente?

— Ah, sinto muito, não sei o que o lorde...

— Meu superior dizer: Perguntar pela saúde de lorde Yoshi, dizer nós estar aqui, conforme combinado. Assim que ser possível, marcar novo dia, por favor.

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