Estou grávida de novo, minha querida Angelique, meu marido é maravilhoso, mas me sinto um pouco apreensiva. O primeiro parto não foi fácil mas o médico me garante que serei bastante forte. Quando você voltar, e mal posso esperar que isso aconteça...

Angelique respirou fundo, olhou pela janela, e esperou que a pontada de angústia passasse. Não deve se abrir, reiterou para si mesma, quase em lágrimas. Nem mesmo com Colette. Seja forte, Angelique. Tome cuidado. Sua vida mudou, tudo mudou... mas apenas por pouco tempo. Não deixe que ninguém a pegue desprevenida.

Outra vez ela respirou fundo. A carta seguinte a chocou. Tia Emma dava a notícia terrível da queda de seu marido:

Agora estamos na miséria, e meu pobre Michel definha na prisão dos devedores, sem qualquer ajuda à vista! Não tem a quem recorrer, não nos restou nenhum dinheiro. É horrível, minha criança, um pesadelo...

Pobre e querido tio Michel, pensou ela, chorando em silêncio, uma pena que ele fosse tão mau administrador.

— Não importa, minhaquerida tia Emama — disse ela, em voz alta, dominada por uma súbita alegria. — Agora posso retribuir todas as suas gentilezas. Pedirei a Malcolm para ajudar, e tenho certeza que ele vai...

Espere! Isso seria sensato?

Enquanto ponderava a respeito, Angelique abriu a carta do pai. Para sua surpresa, o envelope continha apenas uma carta, sem a esperada ordem de pagamento que ela pedira, sobre o dinheiro que trouxera de Paris, e depositara no Victoria Bank, o dinheiro que o tio lhe adiantara com extrema generosidade... e sob a promessa solene de que não contaria nada à sua esposa, e de que o pai pagaria o empréstimo no instante em que ela chegasse a Hong Kong, o que ele lhe dissera que fizera.

Hong Kong, 10 de setembro.

Olá, minha querida. Espero que tudo esteja correndo bem, e que seu Malcolm a idolatre tanto quanto eu, tanto quanto toda a colônia de Hong Kong. Circula o rumor de que o pai dele se encontra às portas da morte. Eu a informarei de tudo. Enquanto isso, escrevo às pressas, pois estou de partida para Macau, com a maré alta. Há uma maravilhosa oportunidade de negócios ali, tão boa que temporariamente usei o dinheiro que você deixou sob a minha guarda. Investirei tudo por você, como sócia em condições de igualdade. Pelo próximo navio, poderei lhe mandar dez vezes mais do queria agora, e anunciar o nosso lucro espetacular... afinal, temos de pensar no seu dote, sem o que... não é mesmo?

Os olhos de Angelique não conseguiram mais ler, um turbilhão invadiu o cérebro. Oh, Deus! Que oportunidade de negócios? Será que ele está jogando tudo o que tenho no mundo?

Eram quase duas horas, e McFay sentia-se cansado, o estômago vazio, os pensamentos sombrios. Escrevera uma dúzia de cartas, assinara meia centena de vales, pagara dezenas de contas, conferira os livros do dia anterior, mostrando que os negócios vinham caindo, constatara que todas as mercadorias encomendadas da América haviam sido canceladas, retidas ou oferecidas a preços mais altos, todas as operações com o Canadá e Europa também afetadas, em grau maior ou menor, pela guerra civil americana. Também não havia boas notícias em qualquer dos despachos de Hong Kong... e muitas novidades ruins vinham do escritório em Xangai, embora Albert MacStruan, que controlava tudo ali, estivesse realizando um excelente trabalho. Por Deus, pensou ele, seria uma catástrofe se tivéssemos de evacuar Xangai, com todos os investimentos que fizemos na cidade.

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