Por um momento, ele falou com Vargas em fuquinês, o dialeto chinês comum, e depois os dois japoneses se apresentaram, acrescentando que haviam sido enviados por lorde Ogama, de Choshu.

— Sou Jamie McFay, chefe da Struan and Company no Nipão, e me sinto honrado em recebê-los.

Vargas tornou a traduzir. Paciente, Jamie passou pelos quinze minutos obrigatórios de indagações sobre a saúde do daimio, a saúde dos dois emissários, sua própria saúde e a saúde da rainha, a situação em Choshu, na Inglaterra, nada específico, tudo superficial. O chá foi servido e admirado. Ao final, o jovem anunciou o que queriam. Com o maior cuidado, Vargas evitou que o excitamento aparecesse em sua voz:

— Eles querem comprar mil fuzis de carregar pela culatra, com mil cartuchos de bronze para cada arma. Devemos dar um preço justo e efetuar a entrega dentro de três meses. Se entregarmos em dois meses, pagarão uma bonificação... vinte por cento.

Também manteve a calma exterior.

— Isso é tudo o que eles desejam comprar no momento?

Vargas traduziu a pergunta.

— É, sim, senhor, mas eles exigem mil cartuchos por fuzil.

McFay calculou o vultoso lucro em potencial, mas também recordou sua conversa com Greyforth, e a conhecida hostilidade do almirantee do general, com o apoio de Sir William, à venda de quaisquer armamentos. E lembrou os vários assassinatos. E Canterbury retalhado. Algum dia seria seguro negociar com um povo tão belicoso?

— Por favor, avise a eles que só posso dar uma resposta daqui a três semanas.

Ele viu o sorriso cordial desaparecer do rosto do mais jovem.

— Responda... agora. Não em três semanas.

— Não temos armas aqui — declarou McFay, bem devagar, fitando-o. Tenho de escrever para o escritório central em Hong Kong, nove dias para a carta chegar lá, nove dias para a resposta voltar. Temos alguns fuzis de carregar pela culatra ali. O resto, só na América. Quatro ou cinco meses, no mínimo.

— Não compreendo.

Vargas traduziu. Houve uma conversa entre os dois samurais, o negociante respondendo às suas perguntas com absoluta humildade. Mais perguntas a Vargas, respondidas com polidez.

— Ele diz que está bem, voltará em vinte e nove dias, ou virá outro representante. A transação deve ser mantida em segredo.

— Claro. — McFay olhou para o jovem. — Tudo secreto.

Hai! Secreto.

— Pergunte a ele como está o outro samurai, Saito.

McFay viu os dois franzirem o rosto, mas não pôde interpretar a reação.

— Eles não o conhecem pessoalmente, senhor.

Mais reverências e depois Jamie ficou sozinho. Absorto em pensamentos, tornou a guardar o cinto com a arma na cômoda. Se eu não lhes vender as armas, Norbert venderá... independente do aspecto moral.

Vargas voltou, bastante satisfeito.

— Uma excelente possibilidade, senhor, mas uma grande responsabilidade.

— Tem razão. Fico imaginando o que o escritório central dirá desta vez.

— É fácil descobrir, senhor, e bem depressa. Não precisa esperar dezoito dias. O escritório central não se encontra lá em cima neste momento?

McFay ficou aturdido.

— Mas é isso mesmo! Eu tinha esquecido. Mas não é fácil pensar no jovem Malcolm como o tai-pan, nosso supremo tomador de decisões.

Passos se aproximaram, correndo, a porta foi aberta.

— Desculpe interromper — disse Nettlesmith, ofegante do esforço, o chapeu ensebado torto na cabeça. — Mas achei que era melhor que soubesse primeiro. Acabamos de receber o aviso de que a bandeira azul de sinalização foi hasteada no mastro da legação... depois desceu, tornou a subir, baixou para meio mastro e assim permaneceu.

Jamie fitou-o com uma expresão de surpresa.

— E o que isso significa?

— Não sei, exceto que meio mastro em geral indica uma morte, não é?

Bastante perturbado, o almirante tornou a focalizar o binóculo no mastro da legação. Os outros homens no tombadilho superior, seus comandantes do resto da esquadra, Marlowe, o general, o almirante francês e Von Heimrich igualmente preocupados, Seratard e André Poncin apenas simulando. Quando o vigia dera o alarme, meia hora antes, todos saíram apressados para o tombadilho, deixando a mesa do almoço. Com exceção do ministro russo, que dissera:

— Se querem esperar no frio, tudo bem, mas não contem comigo. Quando vier a notícia da praia, sim, não ou guerra, podem me chamar, por favor. Se iniciarem o bombardeio, eu me juntarei a vocês...

Marlowe observava a carne que se espremia por cima do colarinho do almirante, desprezando-o, e desejando estar em terra com Tyrer, ou a bordo de seu próprio navio, o Pearl. Ao meio-dia, o almirante substituíra o comandante temporário por um estranho, um certo tenente Dornfild, ignorando seu conselho. O velho miserável, olhe só como ele se mexe, pomposo, com seu binóculo... todo mundo sabe que é muito caro, entregue apenas a almirantes. O desgraçado...

— Marlowe!

— Pois não, senhor.

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