– Sim, é uma coisa bela – ele disse. – Embora nem de perto tão encantadora como você.
– O-ho – ela sorriu. – É melhor eu ter cuidado. Este fidalgo tem mel na língua.
– Prove-a, e verá.
– Então é assim? – ela perguntou, olhando-o com ousadia. Havia mulheres nas Ilhas de Ferro, não muitas, mas algumas, que tripulavam os dracares com seus homens, e dizia-se que o sal e o mar as modificavam, dando-lhes os apetites de um homem. – O fidalgo passou tanto tempo assim no mar? Ou não havia mulheres no lugar de onde veio?
– Havia bastante mulheres, mas nenhuma como você.
– E como o fidalgo pode saber como eu sou?
– Meus olhos podem ver seu rosto. Meus ouvidos podem escutar seu riso. E minha pica ficou dura como um mastro por você.
A mulher se aproximou e empurrou uma mão contra a parte da frente dos calções dele.
– Bem, não é mentiroso – ela confirmou, dando um apertão através do pano. – Dói muito?
– Violentamente.
– Pobre fidalgo – a mulher o largou e deu um passo para trás. – Acontece que sou mulher casada e recém-engravidada.
– Os deuses são bons – Theon respondeu. – Assim não há hipótese de lhe dar um bastardo.
– Mesmo assim, meu homem não lhe agradeceria.
– Não, mas você talvez sim.
– E por que faria isso? Já tive senhores antes. São feitos da mesma maneira que os outros homens.
– Alguma vez já teve um príncipe? – Theon quis saber. – Quando for enrugada e grisalha, e seus seios caírem para baixo da barriga, poderá contar aos filhos dos seus filhos que um dia amou um rei.
– Oh, é de amor que estamos falando agora? E eu que pensava que era só de picas e de bocetas.
– É amor o que lhe agrada? – Theon decidiu que gostava daquela mulher, fosse quem fosse; sua perspicácia aguçada era uma pausa bem-vinda na melancolia úmida de Pyke. – Devo dar seu nome ao meu dracar, tocar harpa para você e mantê-la numa sala de torre do meu castelo apenas com joias para vestir, como uma princesa numa canção?
– O fidalgo
– Quem o construiu foi Sigrin. O carpinteiro do senhor meu pai.
– Sou Esgred. Filha de Ambrode e mulher de Sigrin.
Theon não sabia que Ambrode tinha uma filha, ou Sigrin uma mulher… Havia se encontrado apenas uma vez com o construtor de navios, o mais novo, e do mais velho quase não se lembrava.
– É desperdiçada com Sigrin.
– O-ho. Sigrin disse-me que este belo navio é desperdiçado com você.
Theon ficou irritado.
– Sabe quem eu sou?
– Príncipe Theon, da Casa Greyjoy. Quem haveria de ser? Diga-me a verdade, senhor, até que ponto ama esta sua nova donzela? Sigrin vai querer saber.
O dracar era tão novo, que ainda cheirava a piche e resina. Tio Aeron iria abençoá-lo na manhã seguinte, mas Theon tinha vindo de Pyke para dar uma olhada nele antes de ser lançado ao mar. Não era tão grande como o
– Sigrin fez um bom serviço para mim – admitiu. – É tão rápido como parece?
– Mais rápido… para um mestre que saiba como manejá-lo.
– Já se passaram alguns anos desde que velejei pela última vez –
– E seu sangue estará no mar, se velejar da maneira como fala – ela retrucou.
– Nunca trataria mal uma donzela tão bela.
– Bela donzela? – ela soltou uma gargalhada. – Esta beleza é uma cadela do mar, isso sim.
– Aí está, acabou de lhe dar o nome.
Aquilo divertiu a mulher; ele viu o brilho nos seus olhos escuros.
– E o fidalgo que tinha dito que queria batizá-la em minha honra – disse a mulher numa voz de censura magoada.
– Foi o que fiz – Theon pegou sua mão. – Ajude-me, senhora. Nas terras verdes, acredita-se que uma mulher à espera de um bebê significa boa fortuna para qualquer homem que se deite com ela.
– E o que sabem de navios nas terras verdes? Ou de mulheres, aliás? Seja como for, parece-me que inventou isso.
– Se eu confessar, ainda me amará?
– Ainda? Quando foi que o amei?
– Nunca – Theon admitiu. – Mas estou tentando reparar essa falta, minha querida Esgred. O vento é frio. Venha a bordo do meu navio e deixe-me aquecê-la. De manhã, meu tio Aeron despejará água do mar na sua proa e resmungará uma prece ao Deus Afogado, mas eu preferiria abençoá-lo com o leite da minha virilha, e da sua.
– O Deus Afogado pode não ver isso com bons olhos.
– Que se lixe o Deus Afogado. Se nos incomodar, afogo-o de novo. Partimos para a guerra dentro de uma quinzena. Quer me enviar para a batalha sem conseguir dormir, cheio de desejo?
– De bom grado.